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⚓ Armada Portuguesa: Lanchas de Desembarque Classe "Alfange" (1965 - 1975)

Lanchas de Desembarque

Os navios desta classe foram construídos nos Estaleiros Navais do Mondego (Figueira da Foz), com um projeto baseado na Classe LCT-4 de origem britânica.

Pelo seu deslocamento superior a 400 toneladas, foram classificados pela Marinha Portuguesa como Lanchas de Desembarque Grandes (LDG).

Lanchas de Desembarque Classe "Alfange"

📜 História e Emprego Operacional

Estas lanchas foram utilizadas na Guerra do Ultramar em missões de reabastecimento logístico, transporte de tropas e operações anfíbias, sobretudo em apoio dos Fuzileiros.

Foram empregues nos teatros de operações de Angola e da Guiné-Portuguesa, onde desempenharam um papel essencial na mobilidade das forças.


  NRP Alfange

NRP Alfange (LDG 101)

Entrou ao serviço em 1965 e foi batizada com o nome de uma arma medieval (o alfange). Desempenhou um papel vital na Guiné-Portuguesa, um cenário onde a guerra era predominantemente fluvial e logística. Foi frequentemente utilizada para o transporte e desembarque de Companhias de Fuzileiros e viaturas blindadas em praias ou margens de rios não preparadas, utilizando a sua rampa de proa.

Devido ao seu tamanho e baixa velocidade, o NRP Alfange era um alvo prioritário para as emboscadas do PAIGC a partir das margens densamente arborizadas. Após o abate pela Marinha Portuguesa em 1974, o navio foi cedido à Marinha da Guiné-Bissau, onde continuou a operar sob o nome "10 de Junho".


  NRP Ariete

NRP Ariete (LDG 102)

Incorporada no efetivo dos navios da Armada em 9-07-1965, saiu de Lisboa em 9-09-1965 com destino a Angola em companhia da NRP Alfange, que se destinava à Guiné-Portuguesa. Durante cerca de 9 anos, com base em Luanda, navegou nas águas costeiras de toda a costa de Angola e Cabinda, e no Zaire até ao porto de Noqui.

Em 2-7-1973 deixou Luanda com destino a Bissau ficando atribuída ao Comando da Defesa Marítima da Guiné-Portuguesa. Naquele território, com base no porto da Guiné, navegou nas suas principais bacias hidrográficas, nomeadamente dos rios Cacheu, Geba, Buba, Cumbidjã, e Cacine. Em Outubro de 1974 após a transferência de soberania na nova República da Guiné-Bissau, rumou para Angola onde no dia 10-10-1975, foi abatida ao efetivo dos navios da Armada.


  NRP Cimitarra

NRP Cimitarra (LDG 103)

Aumentada ao efetivo em 1965 a NRP Cimitarra serviu em Moçambique e Angola durante o período do conflito colonial, onde realizou missões de transporte de tropas, veículos e material. Foi abatida ao efetivo dos navios da Armada e cedida a Angola em1975.


  NRP Montante

NRP Montante (LDG 104)

Aumentado ao efetivo em 1965 a NRP Montante, operou predominantemente na Guiné-Portuguesa (Guiné-Bissau), navegando no Rio Geba e em águas territoriais durante o conflito colonial. Em 1970, a NRP Montante participou na Operação Mar Verde, integrando a força naval que transportou tropas para a invasão de Conacri. Em 1974, após a Revolução de 25 de Abril e o processo de descolonização, foi cedida à Guiné-Bissau.


📐 Características Técnicas

Ficha Técnica
TipoLancha de Desembarque Grande
Deslocamento480 toneladas
Comprimento57 m
Boca11,8 m
Calado1,2 m
Propulsão2 motores diesel (1000 hp)
Velocidade10,3 nós
Guarnição20 militares

🔫 Armamento

Armamento das Lanchas de Desembarque Classe "Alfange"
  • (1965) 2 x peças Oerlikon 20 mm
  • (1973) 2 x peças 40 mm

✍️ Conclusão

As Lanchas de Desembarque Grandes (LDG) constituíram um importante meio de projeção de forças da Marinha Portuguesa durante a Guerra do Ultramar.

Lancha de Desembarque em operações na Guiné

Graças à sua capacidade de transporte, baixo calado e versatilidade, permitiram assegurar o apoio logístico, o movimento de tropas e a execução de operações anfíbias em teatros de operações exigentes como Angola e a Guiné Portuguesa.


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