💵 Real Insulano: Notas Fiduciárias das Ilhas Adjacentes (1876–1906)
🪙 Real Insulano – Notas fiduciárias das Ilhas Adjacentes, um capítulo singular da história monetária portuguesa entre o final do século XIX e o início do século XX.
🧾 Contexto Histórico
O real insulano, também designado por real fraco, foi a denominação atribuída às notas fiduciárias em circulação nos Açores e na Madeira, resultantes de emissões específicas para o território insular ou de notas do continente português adaptadas através de sobrecargas identificativas.
Estas emissões refletem as dificuldades monetárias e comerciais das regiões insulares, agravadas pela distância geográfica, pela escassez de moeda metálica e pelas limitações do sistema financeiro nacional durante a Monarquia Constitucional.
💱 O Ágio Cambial
Apesar de apresentarem a mesma denominação facial das notas do continente, as notas insulanas tinham um valor efetivo inferior, estimado em cerca de 25%, devido à existência de ágio cambial.
Esta diferença penalizava o comércio e dificultava as transações entre os arquipélagos e o continente, funcionando como uma verdadeira barreira monetária interna.
🖨️ Design e Características
As notas insulanas eram, na sua maioria, graficamente idênticas às notas portuguesas do continente, distinguindo-se apenas pela aposição de uma sobrecarga específica, que limitava a sua validade geográfica.
- Formato e gravura idênticos às notas continentais;
- Sobrecargas tipográficas identificativas;
- Numeração manual ou tipográfica;
- Ausência de novos elementos de segurança.
🔍 Este sistema permitia reduzir custos de produção, mas reforçava a separação monetária entre o continente e os arquipélagos.
🏦 Emissões Insulanas dos Açores (1876–1906)
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| Nota 20$000 Réis Insulana |
Primeira emissão: 31 de Agosto de 1876
Última emissão: 30 de Abril de 1877
Retirada da circulação: 29 de Março de 1896
Nota de elevado valor facial, destinada sobretudo a transações comerciais de maior escala e operações institucionais. Representa uma das primeiras expressões maduras do sistema fiduciário insulano açoriano.
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| Nota 10$000 Réis Insulana |
Primeira emissão: 28 de Fevereiro de 1878
Última emissão: 15 de Julho de 1881
Retirada da circulação: 29 de Março de 1896
Uma das denominações mais representativas do real insulano nos Açores, amplamente utilizada no comércio regional durante o último quartel do século XIX.
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| Nota 5$000 Réis Insulana |
Primeira emissão: 18 de Dezembro de 1885
Última emissão:
Retirada da circulação: 29 de Março de 1896
Criada para facilitar transações correntes, corresponde à adaptação do papel-moeda às necessidades quotidianas da economia açoriana.
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| Nota 5$000 Réis Insulana |
Primeira emissão: 29 de Fevereiro de 1896
Última emissão: 8 de Março de 1896
Retirada da circulação: 12 de Março de 1906
Integra a nova fase de emissões após a reforma monetária de 1896, coexistindo com notas anteriores durante um período de transição.
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| Nota 10$000 Réis Insulana |
Primeira emissão: 29 de Fevereiro de 1896
Última emissão: 8 de Março de 1900
Retirada da circulação: 12 de Março de 1906
Continuação direta da denominação clássica de 10$000 Réis, agora enquadrada num sistema fiduciário mais estruturado.
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| Nota 20$000 Réis Insulana |
Primeira emissão: 29 de Fevereiro de 1896
Última emissão: 8 de Março de 1900
Retirada da circulação: 12 de Março de 1906
Denominação destinada a operações de maior vulto, refletindo a consolidação do papel-moeda insulano de alto valor.
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| Nota 50$000 Réis Insulana |
Primeira emissão: 29 de Fevereiro de 1896
Última emissão: 8 de Março de 1900
Retirada da circulação: 12 de Março de 1906
A mais elevada denominação do período, de circulação limitada e elevado interesse numismático.
🏝️ Emissão Insulana da Madeira
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| Nota $500 Réis Insulana |
Primeira emissão: 28 de Julho de 1891
Última emissão: 27 de Junho de 1899
Retirada da circulação: 29 de Maio de 1900
Nota de baixo valor facial, destinada a transações correntes, constituindo um testemunho singular da autonomia monetária madeirense no final do século XIX.
O desaparecimento do real insulano na Madeira ocorreu ainda no final do século XIX;
👉 Importância numismática
O real insulano constitui hoje um dos capítulos mais interessantes da notafilia portuguesa, sendo particularmente valorizado por:
- Representar um sistema monetário regional autónomo;
- A ligação direta às crises financeiras do século XIX;
- A existência de múltiplas variantes de sobrecarga;
- A sua relevância histórica e documental.
🔍 Exemplares bem conservados são cada vez mais raros, sobretudo nas emissões de circulação mais curta.
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