💵 O Caso Particular dos Açores: Emissões Insulanas Açorianas em Réis (1906-1932)
Nos Açores, a circulação de notas expressas em réis prolongou-se de forma excecional até 1932, muito depois da adoção oficial do Escudo no continente português, em 1911. Esta situação singular resulta de fatores económicos, geográficos e administrativos que justificaram a manutenção de um sistema fiduciário regional durante mais de duas décadas.
Este artigo analisa as principais emissões insulanas açorianas em réis entre 1906 e 1932, período final da sobrevivência do real como unidade monetária nas ilhas.
🧾 Enquadramento histórico
Após a implantação da República e a introdução do escudo, o Estado português optou por uma transição gradual nos Açores. A economia insular dependia fortemente de papel-moeda fiduciário local, emitido pelo Banco de Portugal – Agência dos Açores, sendo considerada arriscada uma substituição brusca do numerário.
A escassez de moeda metálica, as dificuldades logísticas no abastecimento regular de novas notas e a necessidade de preservar a confiança da população justificaram a continuidade das emissões em réis até ao início da década de 1930.
🦅 Emissões Insulanas dos Açores (1906–1932)
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| Nota 10$000 Reis Insulana |
Primeira emissão: 20 de Janeiro de 1906
Ultima emissão: 17 de Dezembro de 1915
Retirada da circulação: 31 de Julho de 1931
Uma das denominações mais utilizadas nos Açores durante o período republicano, essencial para o comércio e pagamentos de maior vulto, permanecendo em circulação até à fase final do real insulano.
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| Nota 5$000 Réis Insulana |
Primeira emissão: 12 de Março de 1906
Ultima emissão: 01 de Novembro de 1916
Retirada da circulação: 31 de Março de 1932
Nota fundamental para as transações correntes, refletindo a adaptação do sistema fiduciário às necessidades quotidianas da população açoriana.
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| Nota 20$000 Réis Insulana |
Primeira emissão: 12 de Março de 1906
Ultima emissão: 15 de Fevereiro de 1928
Retirada da circulação: 31 de Março de 1932
Denominação de elevado valor facial, associada a operações comerciais, bancárias e institucionais, com longa permanência em circulação.
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| Nota 50$000 Réis Insulana |
Primeira emissão: 12 de Março de 1906
Ultima emissão: 15 de Fevereiro de 1928
Retirada da circulação: 31 de Março de 1932
A mais alta denominação do período tardio, de circulação limitada e elevado interesse numismático, sobretudo em estados de conservação elevados.
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| Nota 10$000 Réis Insulana |
Primeira emissão: 17 de Dezembro de 1915
Ultima emissão: 09 de Novembro de 1917
Retirada da circulação: 31 de Julho de 1931
Emissão intermédia que coexistiu com séries anteriores, refletindo a continuidade do uso do real apesar da reforma monetária nacional.
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| Nota 2$500 Réis Insulana |
Primeira emissão: 01 de Abril de 1916
Ultima emissão: 15 de Fevereiro de 1928
Retirada da circulação: 31 de Março de 1932
Introduzida para colmatar a falta de moeda fracionária, tornou-se essencial no quotidiano económico das ilhas durante o período final da circulação do real.
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| Nota 10$000 Réis Insulana |
Primeira emissão: 07 de Novembro de 1918
Ultima emissão: 15 de Fevereiro de 1928
Retirada da circulação: 31 de Março de 1932
Uma das últimas grandes emissões em réis nos Açores, simbolizando a persistência de práticas monetárias regionais até à imposição definitiva da uniformização monetária.
🕰️ O fim definitivo do Real nos Açores
Só no início da década de 1930, com a reorganização financeira do Estado e o reforço do controlo monetário central, foi finalmente imposta a uniformização do sistema monetário. A retirada definitiva das notas em réis ocorreu em 1932, encerrando um capítulo singular da história monetária portuguesa.
👉 Importância Numismática
O real insulano constitui hoje um dos capítulos mais interessantes da notafilia portuguesa, sendo particularmente valorizado por:
- Representar um sistema monetário regional autónomo;
- A ligação direta às crises financeiras do século XIX;
- A existência de múltiplas variantes de sobrecarga;
- A sua relevância histórica e documental.
🔍 Do ponto de vista numismático, estas emissões tardias em réis constituem hoje testemunhos raros da persistência de soluções monetárias regionais e da adaptação gradual do Estado às realidades insulares.
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