⚓ Armada Real Portuguesa: Fragatas do Século XIX (1801-1900)
Introdução
📜O século XIX marcou um período de profundas transformações na Marinha Portuguesa. A transição do Antigo Regime para o liberalismo, as Guerras Napoleónicas, a transferência da corte para o Brasil, a independência brasileira e as guerras civis portuguesas tiveram impacto direto na construção, emprego e longevidade das fragatas.
Apesar do surgimento progressivo da propulsão a vapor, as fragatas à vela continuaram a desempenhar um papel fundamental nas primeiras décadas do século, sendo empregadas em missões diplomáticas, transporte estratégico, escolta, repressão do corso e projeção naval no Atlântico, Mediterrâneo e ultramar.
Este catálogo reúne as principais fragatas portuguesas do século XIX, com destaque para as embarcações construídas ou empregadas entre 1806 e meados do século, apresentadas de forma cronológica e padronizada.
Fragatas Portuguesas (1806–1830)
União (1806–1823)
- Estaleiro: Baía (Brasil)
- Armamento: 50 peças
- Guarnição: cerca de 300 homens
Fragata ativa durante o período das Invasões Francesas e da transferência da corte para o Brasil. Empregada em missões de escolta e transporte estratégico, foi desarmada após 1823.
Príncipe D. Pedro (1810–1830)
- Estaleiro: Baía (Brasil)
- Dimensões: 144 pés (compr.); 36 pés (boca); 28 pés (pontal)
- Armamento: 44–50 peças
- Guarnição: cerca de 350 homens
Uma das fragatas mais importantes do início do século XIX, recebeu o nome do então Príncipe D. Pedro, futuro imperador do Brasil. Serviu durante o período da presença da corte no Rio de Janeiro e em missões no Atlântico. Foi desmantelada em 1830.
Sucesso (1818–1823)
- Estaleiro: Arsenal da Marinha, Lisboa
- Armamento: 36–40 peças
- Guarnição: cerca de 280 homens
Era a barca inglesa Success, adquirida no Rio de Janeiro. Também aparece como charrua.
Real Carolina (1819–1822)
- Estaleiro: Damão (Índia)
- Deslocamento: 1108 toneladas
- Dimensões: 147 pés (compr.); 33 pés (boca); 30 pés (pontal)
- Armamento: 44–50 peças
- Guarnição: cerca de 355 homens
Recebeu o nome em homenagem à rainha D. Carlota Joaquina. A sua carreira coincidiu com o período final da permanência da corte no Brasil e com os primeiros movimentos que conduziram à independência brasileira.
Três Reinos Unidos (1819–1820)
- Estaleiro: Benguela (Índia).
- Armamento: cerca de 44 peças
Fragata simbólica, batizada em referência ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Tinha bateria corrida no convés e artilharia na tolda.
Imperatriz Leopoldina (1820–1823)
- Estaleiro: Pará (Brasil)
- Armamento: 54 peças
Batizada em honra de D. Maria Leopoldina, imperatriz do Brasil. Operou durante os anos críticos que antecederam e seguiram a independência brasileira, sendo retirada do serviço pouco depois.
Fragatas Portuguesas (1822–1857)
Constituição / Diana (1822–1857)
- Estaleiro: Arsenal da Marinha, Lisboa
- Armamento: 50 peças
- Guarnição: cerca de 400 homens
Serviu em missões de patrulha, transporte e instrução durante várias décadas, atravessando o período das guerras liberais.
Princesa Real (1823–1854)
- Estaleiro: Arsenal da Marinha, Lisboa
- Dimensões: 155 pés (compr.); 41 pés (boca); 38 pés (pontal)
- Armamento: 50 peças
- Guarnição: cerca de 400 homens
Fragata de grande porte, utilizada intensamente durante o período liberal. Operou tanto em águas metropolitanas como ultramarinas, mantendo-se ativa até meados do século.
Dona Maria II (1831–1850)
- Estaleiro: Arsenal da Marinha, Lisboa
- Armamento: cerca de 50 peças
Batizada em homenagem à rainha D. Maria II, era um navio mercante “Ásia”, comprado em Inglaterra em 1831 e transformado em fragata no ano de 1832. Teve papel relevante durante as Guerras Liberais.
Explodiu em Macau no ano de 1850. A explosão deu-se no paiol que continha 300 barris de pólvora, e teria sido causada de propósito ou descuido pelo fiel da artilharia.
A Última Grande Fragata à Vela
D. Fernando II e Glória (1845–presente)
- Estaleiro: Damão, Estado da Índia
- Construtor: Mestre Simão José da Silva
- Deslocamento: 1849 toneladas
- Dimensões: 48,76 m comp.; 12,80 m boca; 6,4 m calado
- Armamento: 50 peças
- Guarnição: 145 marinheiros (minimo)
Lançada ao mar em 1843 e incorporada em 1845, a fragata D. Fernando II e Glória foi a última grande fragata à vela da Marinha Portuguesa e o último navio de guerra construído em madeira nos estaleiros do império.
Cumpriu várias viagens entre Portugal e a Índia, desempenhando funções de transporte, instrução e representação naval. Após décadas de serviço, foi preservada como navio-museu, sendo atualmente um dos mais importantes testemunhos do património naval português.
🤔Conclusão
As fragatas portuguesas do século XIX refletem um período de transição entre a marinha clássica à vela e a modernização tecnológica impulsionada pelo vapor. Embora enfrentando limitações financeiras e políticas, a Marinha Portuguesa conseguiu manter uma força de fragatas ativa e relevante durante várias décadas.
A culminação desta tradição encontra-se na fragata D. Fernando II e Glória, símbolo maior da construção naval portuguesa e do legado marítimo nacional.




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