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⚓ Armada Real Portuguesa: Fragatas da 2ª metade do Século XIII (1750-1800)

As fragatas, navios de guerra ágeis e versáteis, desempenharam um papel central nas frotas europeias entre os séculos XVII e XIX. Com três mastros e inicialmente uma única bateria, estas embarcações evoluíram ao longo do tempo, ganhando mais artilharia, maior resistência e funções estratégicas diversas, desde a escolta de navios mercantes até o reconhecimento em esquadras ou ações independentes. 

Originando-se etimologicamente do italiano fregáta e popularizadas pelos franceses, as fragatas tornaram-se símbolos de rapidez, leveza e eficiência no mar.

Fragatas Portuguesas do Século XVIII e Início do Século XIX

📜 A fragata era um navio de guerra fundamental da Marinha Portuguesa, posicionando-se entre a corveta e a nau. Caracterizava-se pela boa velocidade, autonomia e versatilidade, sendo empregada em missões de escolta, reconhecimento, combate naval e proteção do comércio marítimo.


Fragatas Portuguesas (1750–1769)

Nossa Senhora da Estrela (1750–1765)

  • Estaleiro: Ribeira das Naus, Lisboa
  • Guarnição: 231 homens (1764); 246 homens (1765)

Nossa Senhora da Atalaia (1750–1764)

  • Estaleiro: Ribeira das Naus, Lisboa
  • Observações: Também referida como nau

Nossa Senhora das Mercês (1753–1762)

  • Estaleiro: Lisboa
  • Armamento: 42 peças de artilharia

Nossa Senhora da Arrábida / S. José (1753–1767)

  • Estaleiro: Arsenal da Marinha, Lisboa
  • Armamento: 50 peças
  • Guarnição: 324 homens (1762)

Nossa Senhora da Oliveira (1754–1766)

  • Armamento: 40 peças de artilharia

Nossa Senhora da Conceição e Santo António de Pádua (1754–1767)

  • Armamento: 40 peças
  • Observações: Também aparece como nau

Santa Ana / S. Joaquim (1761–1804)

Lançada ao mar em 1761 com o nome de ‘Santa Ana’ e pronto para o serviço no mesmo ano, fez várias comissões no Estado da Índia, passou a ter o nome de ‘São Joaquim’ em 1781.

  • Estaleiro: Damão
  • Armamento: 34 peças
  • Guarnição: 200 homens (1772)

Nossa Senhora da Penha de França (1762–1776)

  • Armamento: 34 peças (1762); 44 peças (1772)
  • Guarnição: 277 homens (1765); 283 homens (1766)

Nossa Senhora da Guia (1763–1779)

  • Estaleiro: Porto
  • Armamento: 40 peças
  • Guarnição: 310 homens (1763); 206 homens (1774)

Nossa Senhora da Conceição e Almas (1765–1777)

  • Origem: Estado da Índia
  • Armamento: 40 peças

São João Baptista (1765–1768)

  • Estaleiro: Porto
  • Guarnição: 359 homens (1767)

Nossa Senhora da Graça (1766–1786)

Fragata Nossa Senhora da Graça (1766–1786)
  • Estaleiro: Porto
  • Armamento: 44 peças
  • Guarnição: 390 (1766); 330 (1769); 314 (1771)
  • Dimensões: 161 pés e 6 pol. (compr.); 40 pés (boca); 27 pés (pontal)

Nossa Senhora da Nazaré (1767–1783)

  • Estaleiro: Porto
  • Armamento: 40 peças
  • Guarnição: 341 (1767); 325 (1774); 297 (1782)

S. João Baptista (1769-1790) 

  • Estaleiro: Porto
  • Armamento: 40 peças
  • Guarnição: 338 homens (1770), 323 homens (1781), 340 homens (1784) e 229 homens (1787).
  • Dimensões: 150 pés e 6 pol. (compr.); 38 pés (boca); 25 pés (pontal)

São Francisco Xavier / Santo António (1769–1820)

Modelo da fragata S. Francisco Xavier / Santo António (1769-1820)

Lançada ao mar em 1769 com o nome de ‘São Francisco Xavier’ e pronto para o serviço no mesmo ano, fez várias comissões na costa da Índia, em 1800 partiu de Goa para o Reino e passou a ter o nome de ‘Santo Antônio’.

  • Estaleiro: Damão
  • Construtor: João André Collen
  • Armamento: 36 (1769); 48 (1771); 42 peças (1794)

Fragatas Portuguesas (1770–1779)

Princesa do Brasil, a Torta (1774–1807)

  • Estaleiro: Ribeira das Naus
  • Construtor: Torcato José Clavina
  • Armamento: 34 peças
  • Guarnição: 278 (1774); 300 (1804)
  • Dimensões: 46,53 m × 11,22 m × 7,59 m

Nossa Senhora da Graça (1774–1776)

  • Armamento: 22 ou 24 peças de artilharia
  • Guarnição: 200 homens (1774)

Nossa Senhora da Glória (1774–1776)

  • Armamento: 26 peças de artilharia
  • Guarnição: 200 homens

Príncipe do Brasil (1774–1778)

  • Armamento: 34 peças de artilharia
  • Guarnição: 231 homens (1778)

Nossa Senhora da Assunção (1774–1777)

  • Armamento: 32 ou 34 peças de artilharia
  • Guarnição: 300 homens

Nossa Senhora do Pilar e São João Baptista (1775–1778)

  • Armamento: 26 ou 32 peças de artilharia
  • Guarnição: 220 homens (1775); 300 homens

São Miguel / Almas Santas (1776–1804)

Lançada ao mar em 1776 com o nome de ‘São Miguel’ e pronto para o serviço no mesmo ano, desempenhou várias comissões na Índia, passou a ter o nome de ‘Almas Santas’ em 1791.

  • Origem: Damião, Estado da Índia
  • Armamento: 36 peças de artilharia

Real Fidelissima (1777-1817)

Fragata Real Fidelissima (1777-1817)

Em 1817 perdeu-se no Mar Vermelho incluída numa expedição inglesa.

  • Estaleiro: Damão (Índia)
  • Construtor: Sadasiva Caliana
  • Armamento: 28 peças

Temível Portuguesa (1778–1844)

  • Estaleiro: Damão (Índia)
  • Construtor: Sadasiva Caliana
  • Armamento: 24 peças (1778); 26 peças (1779)
  • Casco: Teca, forrado a cobre
  • Observações: Reclassificada como charrua em 1828 (Afonso de Albuquerque)

Nossa Senhora do Bom Despacho / Cisne (1779–1802)

Lançado ao mar em 25 de Setembro de 1779 com o nome de ‘Nossa Senhora do Bom Despacho’ e pronto para o serviço em 1780, passou a ter o nome de ‘Cisne’ em 1800. 

  • Estaleiro: Ribeira das Naus, Lisboa
  • Construtor: Torcato José Clavina
  • Armamento: 36, 40 ou 44 peças de artilharia
  • Guarnição: 224 homens (1790); 300 homens (1799)
  • Dimensões: 140 pés (compr.); 36 pés (boca); 24 pés (pontal)
  • Observações: Capturada por uma fragata argelina no Mediterrâneo em, 1802

Graça Divina / São João Baptista (1779–1781)

  • Origem: Navio adquirido a Manuel António Pereira
  • Classificação: Armado em fragata
  • Armamento: 50 peças de artilharia
  • Guarnição: 236 homens (1780)

Santo António e Almas Santas (1779–1789)

  • Origem: Adquirida em Diu, Índia
  • Classificação: Fragatinha
  • Armamento: 12 peças de artilharia
  • Dimensão: 24 pés de boca


Fragatas Portuguesas (1780–1889)

Monte de Ouro (1780)

  • Estaleiro: Ribeira das Naus, Lisboa
  • Armamento: 40 peças de artilharia

Golfinho / Nossa Senhora do Livramento (1782–1814)

Lançada ao mar em 27 de Janeiro de 1782 com o nome de ‘Golfinho’ e pronto para o serviço em 1782, passou a ter o nome de ‘Nossa Senhora do Livramento’ em 1800. Em 1807 fez parte da frota que acompanhou a família Real para o Brasil.

  • Estaleiro: Ribeira das Naus, Lisboa
  • Armamento: 38 ou 40 peças de artilharia
  • Guarnição: até 334 homens

Nossa Senhora das Necessidades, Tritão (1783–1819)

Fragata Nossa Senhora das Necessidades, Tritão (1783–1819)

Em 1797 teve um papel importante na batalha do cabo de São Vicente entre ingleses e espanhóis.

  • Estaleiro: Ribeira das Naus, Lisboa
  • Construtor: Torcato José Clavina
  • Armamento: 44, 40, 38 ou 36 peças de artilharia
  • Guarnição: 217 homens (1795); 329 homens (1799)
  • Dimensões: 144 pés (compr.); 36 pés (boca); 26 pés e 7 pol. (pontal)
  • Observações: Bom navio, mas menos veleiro do que se esperava

Nossa Senhora da Graça, a Fénix (1787–1819)

Fragata Nossa Senhora da Graça, a Fénix (1787–1819)

Durante as Guerras Napoleónicas, Nossa Senhora da Graça foi tomada pelos franceses durante a invasão de Portugal em 1807 . No entanto, quando Lisboa foi libertada no ano seguinte, o navio voltou ao serviço português em setembro de 1808. Em 1815, o navio partiu para o Brasil, levando a Divisão de Voluntários Reais dos soldados do Príncipe. Em 1818, o navio retornou a São Salvador após 30 meses de operação no sul do Brasil. Em 1819, o navio não era mais considerado utilizável e foi queimado.

  • Estaleiro: Baía, Brasil (13 de agosto de 1787)
  • Armamento: 46 peças; 54 peças (1805)
  • Guarnição: 240 homens (1788); 379 homens (1799)
  • Dimensões: 161 pés (compr.); 42 pés (boca); 28,2 pés (pontal)
  • Observações: Casco forrado a cobre sueco em 1791; também referida como Graça, Fénix ou Graça Fénix

Nossa Senhora da Vitória e Minerva (1788–1809)

Fragata Nossa Senhora da Vitória e Minerva (1788–1809)

Em 1807, junto com o grosso da Marinha Portuguesa, ela participou de a transferência da Corte portuguesa para o Brasil. Em junho de 1809 Minerva partiu do Brasil e em 22 de novembro de 1809 encontrou a fragata francesa Bellone onde foi capturada após longas horas de fuga.

  • Estaleiro: Arsenal da Marinha, Lisboa (18 de julho de 1788)
  • Construtor: Torcato José Clavina
  • Armamento: 48 peças; 50 peças (1805)
  • Guarnição: 349 homens (1789)
  • Dimensões: 156 pés e 9 pol. (compr.); 58 pés (boca); 27 pés e 8 pol. (pontal)

São João / Príncipe do Brasil (1789–1807)

Lançada ao mar em 18 de Novembro de 1789 com o nome de ‘São João’ e pronto para o serviço no mesmo ano, em 1792 largou na esquadra que desempenhou uma comissão diplomática à Sardenha, empregou-se no serviço de guarda- costa e passou a ter o nome de ‘Principe do Brasil’ em 1797. Em 1807 encalhou e perdeu-se a Leste do morro de Gibraltar.

  • Estaleiro: Lisboa
  • Construtor: João de Sousa Palher
  • Armamento: 40 peças; 38 peças (1805)
  • Guarnição: 329 homens (1790); 308 homens (1795)
  • Dimensões: 135 pés (compr.); 35 pés (boca); 26 pés (pontal)
  • Observações: Casco forrado a cobre em 1791


Fragatas Portuguesas (1790–1800)

Princesa Carlota (1791–1812)

Fragata Princesa Carlota (1791–1812)

Este navio cumpriu missões de guarda costas e de proteção e apoio aos nossos navios mercantes que cruzavam o Atlântico nos dois sentidos. Também se sabe que -em 1801- esteve no mar Mediterrâneo, integrado na frota inglesa, que desbaratou a armada franco-espanhola ao largo do cabo Trafalgar. Em 1812, esta fragata foi dada como obsoleta e levada para o Rio de Janeiro, onde se procedeu ao seu desmantelamento.

  • Estaleiro: Baía, Brasil (6 de Outubro de 1791)
  • Construtor: Manuel Joaquim
  • Armamento: 48 peças; também referida com 44 e 30 peças (1803)
  • Guarnição: 379 homens (1798); 427 homens (1803)
  • Dimensões: 162 pés (compr.); 42 pés (boca); 29 pés (pontal)
  • Observações: Em 1792 era considerada muito boa veleira

São Rafael / Princesa do Brasil (1791–1794)

Lançada ao mar em 28 de Setembro de 1791 com o nome de ‘São Rafael’ e pronto para o serviço no mesmo ano, passou a ter o nome de ‘Princesa do Brasil’ em 1793. Em 1794, encalhou e perdeu-se à entrada do porto de Portsmouth.

  • Estaleiro: Lisboa
  • Construtor: Torcato José Clavina
  • Armamento: 40 peças; também referida com 44 peças
  • Dimensões: 131 pés (compr.); 37 pés (boca); 30 pés (pontal); 18 pés (calado)
  • Observações: Casco forrado a cobre sueco em 1791

Vénus (1792–1827)

Lançada ao mar em 22 de Fevereiro de 1792 com o nome de ‘Vénus’ e pronto para o serviço no mesmo ano, em 1793 seguiu na expedição ao Roussillon.

  • Estaleiro: Baía, Brasil
  • Construtor: Manuel Joaquim
  • Armamento: 36 peças; 22 peças (1824)
  • Guarnição: 300 homens (1792); 27 homens (1817)
  • Dimensões: 107 pés (compr.); 34 pés (boca); 26 pés (pontal)
  • Observações: Armada como charrua em 1817

Ulisses / Urânia (1792–1807)

Fragata Ulisses / Urânia (1792–1807)

Em 1793, foi incorporada (a pedido dos nossos aliados britânicos) numa esquadra de reforço das suas forças navais no Mediterrâneo ocidental. Depois, passou para águas do oceano Atlântico, onde, até 1804, assegurou a proteção dos numerosos comboios navais que transitavam entre as costas do Brasil e as da Europa. 

Depois de se ter exposto a grandes fabricos (também nesse ano de 1804), a armada real portuguesa decidiu mudar-lhe o nome para «Urânia». Em 1807, este navio integrou-se na grande esquadra luso-britânica que conduziu ao Brasil o rei D. João VI e a sua numerosa corte. Foi dada como perdida num naufrágio ocorrido ao largo das ilhas de Cabo Verde no dia 5 de Fevereiro de 1809.

  • Estaleiro: Arsenal da Marinha, Lisboa (15 de Dezembro de 1792)
  • Construtor: Torcato José Clavina
  • Armamento: 36–44 peças
  • Guarnição: até 329 homens

Santa Teresa / Thetis (1793–1823)

lançada ao mar em 1793 com o nome de ‘Santa Teresa’ e pronto para o serviço no mesmo ano, passou a ter o nome de ‘Thetis’ em 1800. Em 1807 fez parte da frota que levou a família real para o Brasil. Em 1822 e passou para o Brasil.

  • Estaleiro: Baía, Brasil
  • Construtor: Manuel Joaquim
  • Armamento: 36 ou 40 peças de artilharia
  • Guarnição: 300 homens (1798); 99 homens (1806)
  • Dimensões: 135 pés (compr.); 34 pés (boca); 36 pés (pontal)

Activo (1796–1808)

  • Estaleiro: Lisboa
  • Armamento: 36 peças de artilharia; 6 peças (1806)
  • Guarnição: 278 homens (1799); 100 homens (1806)
  • Dimensões: 135 pés (compr.); 34 pés (boca)
  • Observações: Reclassificada como charrua em 1800

Andorinha (1797–1810)

Fragata Andorinha (1797–1810)

  • Estaleiro: Arsenal da Marinha
  • Construtor: João de Sousa Palher
  • Armamento: 24 caronadas; 32 peças; 28 peças (1805)
  • Guarnição: 166 homens (1798)
  • Dimensões: 100 pés (compr.); 30 pés (boca); 19 pés (pontal)
  • Observações: Classificada como corveta em 1804

Pérola (1797–1831)

  • Estaleiro: Pará, Brasil
  • Armamento: 44 peças de artilharia; 40 peças (1813)
  • Guarnição: 329 homens (1798); 390 homens (1813)
  • Dimensão: 19 pés de pontal

Amazona (1798–1831)

Considerada uma excelente embarcação, quer pela qualidade das madeiras nela empregadas, quer pelas suas qualidades náuticas.

Fragata Amazona (1798–1831)

Desempenhou inúmeras comissões, entre as quais deu proteção a diversos comboios para o Brasil (nomeadamente a uma das maiores e mais ricas frotas enviadas ao Brasil durante a guerra com a França em 1800), participou na campanha do Rio da Prata em 1801, cruzou no Estreito de Gibraltar, conduziu deportados liberais para Angra em 1810, navegou nas águas de Santander, Madeira, Açores e Angola. 

Integrou a esquadra do Estreito em Setembro de 1818 e a esquadra miguelista aos Açores em 1829, tendo participado na Batalha da Praia (11 de Agosto de 1829) e no bloqueio naval da Terceira (Outubro de 1829). No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) acabou por ser capturada pelos franceses em1831.

  • Estaleiro: Pará, Brasil
  • Armamento: até 54 peças
  • Guarnição: até 378 homens

Princesa da Beira (1798-1841)

Fragata Princesa da Beira (1798-1841)
  • Estaleiro: Pará, Brasil
  • Construtor: João de Sousa Palher
  • Armamento: 28 peças;
  • Guarnição: 200 homens (1798)
  • Observações: Classificação Inicial: Fragatinha (fragata leve); Reclassificação: Tornou-se corveta por volta de 1824

Colombo (1800–1801)

Fez parte da esquadra do Brasil, fora de serviço em 1801 por naufrágio.

  • Classificação: Navio mercante armado em fragata

🤔Conclusão

As fragatas portuguesas dos séculos XVIII e início do XIX refletem a adaptação da Marinha Portuguesa a um mundo atlântico e global. Construídas tanto no Reino como no Brasil e no Estado da Índia, estas embarcações demonstram a diversidade técnica, estratégica e geográfica do poder naval português no período moderno.


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