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💵 Apólices do Real Erário (1797-1834)

📜 As Apólices do Real Erário representam uma das mais antigas formas de papel fiduciário e dívida pública em Portugal, emitidas entre o final do século XVIII e as primeiras décadas do século XIX.

🧾 Contexto Histórico

O Real Erário, criado em 1761 durante o reinado de D. José I, tinha como função centralizar e organizar as finanças do Estado português. No final do século XVIII, Portugal enfrentava graves dificuldades financeiras, agravadas por guerras europeias, défices orçamentais e instabilidade económica.

Para financiar o Estado, o Real Erário recorreu à emissão de apólices, títulos de dívida pública que, embora concebidos como instrumentos financeiros, passaram também a circular como meio de pagamento, sobretudo em valores baixos.


💵 Emissões de 1797

As primeiras grandes emissões datam de 1797, apresentando valores elevados, adequados a investidores e grandes pagamentos:

Apólice de 5$000 Réis (1797)
Apólice de 10$000 Réis (1797)
Apólice de 20$000 Réis (1797)

Estas apólices pagavam juros e eram resgatáveis pelo Tesouro, sendo inicialmente vistas como instrumentos de crédito do Estado.


💵 Emissões de 1798

Em 1798, surgiram valores mais diversificados, aproximando-se do uso quotidiano:

Apólice de 2$400 Réis (1798)
Apólice de 5$000 Réis (1798)
Apólice de 20$000 Réis (1798)

A introdução de valores intermédios facilitou a sua circulação fora dos grandes centros financeiros.


💵 Emissões de 1799

O ano de 1799 foi particularmente prolífico, refletindo a crescente dependência do Estado deste tipo de financiamento:


Apólice de 1$200 Réis (1799)
Apólice de 2$400 Réis (1799)
Apólice de 5$000 Réis (1799)
Apólice de 6$400 Réis (1799)
Apólice de 10$000 Réis (1799)
Apólice de 10$000 Réis (1799)
Apólice de 12$000 Réis (1799)
Apólice de 20$000 Réis (1799)

🔍 Os valores baixos confirmam que estas apólices passaram a desempenhar um papel semelhante ao papel-moeda.


💵 Emissões de 1805

Já no início do século XIX, em pleno período das Guerras Napoleónicas, o Real Erário voltou a emitir apólices:

Apólice de 1$200 Réis (1805)
Apólice de 2$400 Réis (1805)

Estas emissões coexistiram com outros meios fiduciários e refletiam a fragilidade financeira do Estado português.


🏷️ Design e Características

As apólices do Real Erário apresentam um estilo austero e funcional:

  • Texto integralmente tipográfico;
  • Valor facial por extenso;
  • Referência ao pagamento de juros;
  • Assinaturas manuscritas;
  • Papel simples, sem elementos de segurança avançados.

🔍 A simplicidade gráfica contrasta com a sua enorme importância histórica.


🕰️ O Fim das Apólices em Portugal

A circulação das apólices prolongou-se até às décadas iniciais do século XIX. Com a criação do Banco de Lisboa (1821) e, mais tarde, do Banco de Portugal (1846), o sistema monetário português entrou num processo de modernização.

As apólices foram progressivamente retiradas de circulação, deixando de desempenhar funções monetárias e sendo convertidas ou amortizadas pelo Estado. O período liberal e a reorganização das finanças públicas marcaram o fim definitivo das apólices como instrumento monetário.


👉 Importância Numismática

  • Primeiros exemplos de papel fiduciário em Portugal;
  • Ligação direta à dívida pública e à história financeira do Estado;
  • Grande raridade, sobretudo em bom estado;
  • Elevado valor histórico e documental.

🔍 As apólices do Real Erário são hoje peças-chave para o estudo da proto-notafilia portuguesa.


🤔 Curiosidades 

  • O papel-moeda ou mais conhecido como notas, tem a sua origem na China do século VII.
  • Na Europa as primeiras notas surgiram do Banco de Estocolmo na Suécia no ano de 1661 (século XVII)
  • O papel-moeda em Portugal, inicia-se com os chamados escritos da Casa da Moeda, no ano de 1687

🔗 Artigos relacionados:


Post dedicado às Apólices do Real Erário e às origens do papel-moeda em Portugal (1797–1834).

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