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5.ª Bateria da Raposeira: 🪖 A História Militar Escondida na Trafaria

🧭  Na margem sul do Tejo, junto à entrada da barra de Lisboa, existe um conjunto de antigas fortificações que durante décadas desempenhou um papel importante na defesa da capital. O complexo militar da Trafaria, conhecido como 5ª Bateria, integrava o Forte da Trafaria, o Reduto da Raposeira e o Reduto de Alpena, formando uma importante linha defensiva entre o rio Tejo e a frente atlântica.

Hoje, muitas destas estruturas encontram-se abandonadas, mas as suas ruínas continuam a guardar memórias de uma época em que a artilharia de costa desempenhava um papel essencial na proteção da entrada de Lisboa.

Forte de Nossa Senhora da Saúde

🏰 O Forte de Nossa Senhora da Saúde, erguido durante o reinado de D. Pedro II, recorda-nos que a preocupação com a defesa da barra do Tejo é muito anterior às modernas baterias de artilharia de costa. A sua presença ajuda a compreender a importância estratégica desta zona ao longo dos séculos.

As baterias da Raposeira e de Alpena foram construídas já no final do século XIX, enquanto a estrada militar que as ligava data de 1890. O objetivo era criar uma defesa articulada capaz de controlar diferentes setores da entrada da barra do Tejo e da costa atlântica.


⚔️ O Complexo Militar da Trafaria

🛡️ A chamada 5ª Bateria fazia parte de um sistema mais amplo de defesa costeira. A sua localização no alto do morro de São João da Caparica permitia dominar visualmente uma extensa área, desde a foz do Tejo até às praias da Costa da Caparica.

A Raposeira destinava-se sobretudo à defesa da entrada da barra e ao apoio às posições existentes no Tejo, enquanto Alpena tinha como principal função cobrir a frente marítima e as praias da Costa da Caparica.

Reduto da Raposeira – antiga Bateria do Infante D. Manuel

🏚️ Na imagem podemos observar o Reduto da Raposeira, instalado numa posição elevada e estratégica. A bateria foi construída na proximidade do antigo Forte da Vigia, numa cota superior, aproveitando o relevo para aumentar o alcance e a eficácia da artilharia.

A posição permitia estabelecer fogo de apoio para outras fortificações da barra do Tejo, nomeadamente o Forte do Bugio e o Forte do Bom Sucesso.

Estruturas do Reduto da Raposeira

🔎 Esta imagem permite perceber melhor o estado atual das antigas instalações. Entre vegetação e estruturas degradadas ainda é possível reconhecer vestígios da organização militar do complexo e imaginar o movimento de homens e equipamentos que aqui existiu.

A estrada militar que ligava as diferentes posições facilitava a circulação de tropas, munições e equipamentos entre os vários pontos da defesa.


💥 A Artilharia da Raposeira

⚙️ Uma das peças mais impressionantes associadas ao Reduto da Raposeira era a peça Krupp de 150 mm. Estas armas representavam a evolução da artilharia de costa no final do século XIX e início do século XX, permitindo atingir alvos a grandes distâncias.

Peça Krupp de 150 mm CTR – Reduto da Raposeira

💣 Esta peça dá uma ideia da dimensão do poder de fogo que estava concentrado nesta posição. Segundo a informação histórica associada à bateria, cada peça pesava cerca de 7.600 kg e podia disparar projéteis com cerca de 45,3 kg, recorrendo a uma guarnição numerosa para a sua operação.

👨‍✈️ Por detrás de cada disparo existia todo um trabalho de equipa. O chefe da peça coordenava a operação, enquanto os restantes serventes tratavam do carregamento e funcionamento da arma.


🌊 O Reduto de Alpena

🌊 Mais para poente encontrava-se o Reduto de Alpena, outra das posições fundamentais deste sistema defensivo. A sua localização permitia controlar a frente atlântica e as praias da Costa da Caparica, funcionando também em coordenação com as restantes baterias.

Reduto de Alpena – antiga Bateria do Infante D. Pedro

🏰 O Reduto de Alpena foi projetado pelos engenheiros militares Hermano José D. Oliveira Júnior e António dos Santos Viegas, junto das antigas posições da Raposeira Grande e Raposeira Pequena.

Ao longo do tempo, a posição sofreu alterações e ampliações. Em 1901 foi realizado um novo projeto, da responsabilidade do tenente de engenharia Adolfo César Pina, reforçando as suas capacidades defensivas.

Vestígios das Antigas Instalações de Alpena

🏚️ Nesta fotografia conseguimos observar mais de perto os vestígios das antigas instalações de Alpena. Apesar do abandono e da passagem do tempo, as estruturas continuam a revelar a dimensão que este complexo militar chegou a ter.

🌿 Atualmente, a vegetação tomou conta de muitos dos espaços, mas basta olhar com atenção para encontrar marcas de um passado em que este local estava ocupado por militares, peças de artilharia e equipamentos destinados à defesa da costa.


🏖️ Uma Defesa Virada para o Mar

🌊 A importância destas posições torna-se ainda mais evidente quando observamos a sua localização. Do alto do morro, o campo de visão estende-se sobre o Tejo, a sua foz e uma parte significativa da linha costeira.

⚓ As peças da Raposeira podiam apoiar outras posições da defesa da barra, enquanto Alpena estava especialmente vocacionada para controlar a frente marítima e as praias da Costa da Caparica.

Durante décadas, os exercícios de tiro fizeram parte da vida da Trafaria. Os disparos eram realizados contra alvos no mar e a população local chegou a conviver com o ruído e a trepidação provocados pelos exercícios de artilharia.


🏚️ O Abandono das Baterias

⏳ Com a evolução da tecnologia militar e a alteração das necessidades estratégicas, a importância das antigas baterias de artilharia de costa foi diminuindo.

As instalações militares da Raposeira foram desocupadas no início da década de 1980, embora ainda tenha existido um último exercício de tiro em 1990. Por volta de 1996, a Bateria da Trafaria acabou por ser definitivamente abandonada pelo Exército.

Hoje, o cenário é bem diferente. Onde outrora circulavam militares, encontram-se edifícios degradados, paredes cobertas de graffiti e vegetação que lentamente vai recuperando o espaço.

🏞️ Apesar disso, existe algo que permanece praticamente intocado: a paisagem. As vistas sobre a foz do Tejo, Lisboa e as praias da Costa da Caparica continuam a explicar perfeitamente porque razão este local foi escolhido para instalar uma posição militar.


🌅 Conclusão

Visitar as antigas baterias da Trafaria é fazer uma viagem por uma parte menos conhecida da história militar portuguesa.

Entre ruínas, antigas peças de artilharia e caminhos militares, é possível imaginar o movimento de homens e equipamentos que durante décadas deram vida a estas posições.

🏰 A Raposeira e Alpena são hoje testemunhos silenciosos de uma época em que a defesa da barra do Tejo dependia de grandes peças de artilharia e de complexos sistemas de fortificações.

🌊 E talvez seja precisamente essa mistura entre história militar, ruínas e paisagem que torna este lugar tão especial.

🧭 Uma viagem pela história militar portuguesa
Depois de conhecermos o 5.ª Bateria da Raposeira, seguimos agora para sul do Tejo, onde outras fortificações contam uma história de defesa, estratégia e memória.

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