💵 Cédulas: Município de Santiago do Cacém (1917-1925)
Ao longo dos seus quase 900 anos de existência, Portugal enfrentou repetidas crises económicas e monetárias. Em momentos de escassez de moeda metálica, sobretudo de pequeno valor, foram muitas as comunidades que recorreram a soluções locais para manter o comércio e a vida quotidiana em funcionamento.
Santiago do Cacém – Cédulas Municipais e Privadas (1917–1925) 🪙
🧾 Contexto Histórico
Durante a Primeira República Portuguesa (1910–1926), a instabilidade política, a inflação e os efeitos económicos da Primeira Guerra Mundial provocaram uma acentuada falta de moeda divisionária. Esta realidade teve forte impacto no comércio local, especialmente nos concelhos do interior e nas vilas de dimensão média.
💰 A introdução do escudo em 1911, substituindo o real, não resolveu de imediato o problema da circulação monetária. Perante a escassez de moedas de cobre e níquel, o Estado acabou por tolerar emissões locais de papel-moeda, promovidas por câmaras municipais, serviços públicos e particulares, com circulação restrita ao respetivo concelho.
💵 Cédulas do Município de Santiago do Cacém
No concelho de Santiago do Cacém, entre 1917 e 1925, circularam várias cédulas de emergência destinadas a suprir a falta de troco no comércio diário. Estas emissões envolveram tanto a Câmara Municipal como o Celeiro Municipal e ainda iniciativas privadas.
Embora fora do sistema monetário oficial, estas cédulas foram aceites pela população e desempenharam um papel essencial na economia local, enquadrando-se no fenómeno do chamado “dinheiro regional”.
🏛️ Emissão da Câmara Municipal
A Câmara Municipal de Santiago do Cacém emitiu cédulas de baixo valor facial, destinadas sobretudo a facilitar o troco nos mercados, feiras e pequenos estabelecimentos comerciais.
| Cédula de $02 Centavos – Câmara Municipal |
Estas emissões camarárias tinham carácter claramente provisório, mas eram fundamentais para assegurar a fluidez das transações quotidianas no concelho.
🌾 Emissões do Celeiro Municipal
O Celeiro Municipal de Santiago do Cacém, instituição ligada ao abastecimento de cereais e à regulação dos preços dos géneros alimentícios, também recorreu à emissão de cédulas próprias.
| Cédula de $01 Centavo – Celeiro Municipal |
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| Cédula de $02 Centavos – Celeiro Municipal |
Estas cédulas eram utilizadas principalmente em operações relacionadas com a venda e distribuição de géneros, permitindo maior agilidade nos pagamentos e no controlo das transações locais.
🤝 Emissões Privadas
À semelhança do que aconteceu noutros concelhos portugueses, também em Santiago do Cacém surgiram emissões privadas, promovidas por comerciantes ou particulares com forte implantação local.
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| Cédula de $01 Centavo – Francisco Duarte |
A cédula emitida por Francisco Duarte destinava-se a facilitar as transações no seu estabelecimento ou rede comercial, sendo aceite por confiança pessoal e necessidade prática.
🏷️ Design e Características
- Valores faciais muito reduzidos (1 e 2 centavos);
- Identificação clara da entidade emissora;
- Tipografia simples e funcional;
- Papel modesto, adequado a circulação intensiva.
🔍 Apesar do seu carácter temporário, estas cédulas constituem hoje um testemunho direto da adaptação das economias locais portuguesas a períodos de crise.
⏳ Circulação e Retirada
As cédulas de Santiago do Cacém circularam essencialmente entre 1917 e 1925. A sua emissão foi progressivamente proibida a partir de 1924, desaparecendo após o golpe militar de 28 de maio de 1926, com a normalização da moeda metálica divisionária.
👉 Importância Numismática
- Elevado valor histórico e documental;
- Ligação direta à vida económica de Santiago do Cacém;
- Escassez crescente no mercado colecionista;
- Grande interesse para a notafilia portuguesa.
Post dedicado às cédulas de emergência do concelho de Santiago do Cacém durante a Primeira República Portuguesa.
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