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Pela Estrada Alentejana: 🚗 À Descoberta de Mora

🌿 Há viagens que não precisam de grandes planos. Basta entrar no carro, escolher uma estrada e deixar que o caminho nos vá mostrando aquilo que normalmente passa despercebido. Foi um pouco assim que conheci o concelho de Mora — um passeio pelo Alentejo, entre pequenas vilas, monumentos, vestígios megalíticos e paisagens tranquilas.

Concelho de Mora

O concelho de Mora, no distrito de Évora, é daqueles lugares que convidam a percorrer as estradas sem pressa. À medida que vamos avançando, aparecem pequenas povoações, igrejas, antigos monumentos e vestígios de uma história que começa muitos milhares de anos antes dos nossos dias.

A ideia deste passeio foi precisamente essa: entrar no carro e deixar que o caminho nos conduzisse, parando aqui e ali para conhecer alguns dos locais mais interessantes do concelho.


📜 Uma história com muitos séculos

Antes de começar a percorrer as localidades, vale a pena olhar um pouco para a história de Mora.

A primeira referência conhecida ao topónimo Mora surge num documento de 1293, denominado Livro III das Composições, onde é mencionada uma herdade chamada Cabeça de Mora.

Mas a história deste território é bastante mais antiga. Os monumentos megalíticos que encontramos pelo concelho mostram-nos que estas terras já eram ocupadas muito antes da formação das atuais povoações.

🚗 Primeira paragem — Pavia

E é precisamente por Pavia que começamos o nosso percurso. Considerada a povoação mais antiga do concelho de Mora, Pavia é uma daquelas localidades onde basta deixar o carro e começar a olhar em redor para perceber que estamos perante um lugar especial.

O principal destaque é, sem dúvida, a extraordinária Anta-Capela de São Dinis, mas a vila tem outros elementos que merecem igualmente uma paragem.

Igreja Matriz de Pavia

A Igreja Matriz de Pavia, também conhecida como Igreja de São Paulo, foi construída no antigo paço fortificado dos Condes de Redondo. A sua construção terá ocorrido provavelmente no século XVI.

Uma das características que mais chama a atenção são as suas sete torrelas cilíndricas, com cones estilizados e coroas de ameias de tipo muçulmano. É um edifício que, mesmo visto rapidamente, não passa despercebido.

Ermida de São Sebastião

Continuando o pequeno passeio por Pavia, encontramos também a Ermida de São Sebastião. São estes pequenos elementos do património local que ajudam a completar a imagem histórica da povoação.

Capela Anta de São Dinis

E depois chega o momento de encontrar um dos locais mais curiosos de todo o percurso: a Anta-Capela de São Dinis.

Esta anta terá sido provavelmente erguida entre o 4.º e o 3.º milénio a.C. e constitui um dos mais importantes monumentos megalíticos do território português.

É formada por pedras de granito e apresenta cerca de 4,30 metros de diâmetro e 3,30 metros de altura. Durante o século XVII foi transformada em capela e encontra-se classificada como Monumento Nacional.

É daqueles locais que nos fazem parar e pensar na quantidade de história que existe num espaço tão pequeno.

🗿 Pequeno Desvio, Pequena Surpresa

Cromeleque do Monte das Fontainhas Velhas

Ainda pelas terras de Pavia, o nosso passeio leva-nos até ao Cromeleque do Monte das Fontainhas Velhas, outro importante testemunho do passado pré-histórico desta região.

Terá sido construído entre os inícios do IV e meados do II milénio a.C., fazendo parte do chamado universo megalítico eborense, onde se inclui também o conhecido Cromeleque dos Almendres.

Depois de tanta história concentrada num só lugar, está na altura de voltar ao carro e continuar estrada fora.


🚗 Segunda paragem — Cabeção

Seguimos viagem até Cabeção. A paisagem vai mudando lentamente e entramos numa povoação que também guarda algumas páginas importantes da história do concelho.

A vila terá sido fundada pela Ordem de Avis e foi elevada à categoria de vila em 1578, por D. Sebastião, que concedeu ao povo o direito de usufruir livremente do pinhal, atualmente conhecido como Mata Nacional de Cabeção.

Vila de Cabeção

Ao chegar à vila, é impossível não reparar no ambiente tranquilo e na ligação entre o povoado e a paisagem envolvente.

É também um daqueles lugares onde vale a pena sair do carro por alguns minutos e simplesmente percorrer as ruas.

Pelourinho

No largo da Junta de Freguesia encontramos o Pelourinho de Cabeção. É mais um pequeno testemunho de outros tempos e foi classificado pelo IPPAR como Imóvel de Interesse Público em 11 de outubro de 1933.

Depois desta paragem, retomamos a estrada. O passeio continua agora em direção a Brotas.


🚗 Terceira paragem — Brotas

A estrada leva-nos até Brotas, uma pequena povoação onde o património histórico volta a surpreender.

Mesmo ao lado da aldeia, nas proximidades do rio Divor e do Santuário de Nossa Senhora das Brotas, encontramos as ruínas da Torre das Águias.

Torre das Águias

A Torre das Águias é um dos exemplares mais significativos de torres manuelinas no Alentejo. A sua presença, mesmo em ruínas, continua a dominar a paisagem envolvente.

Antiga vila das Águias

A torre foi mandada erguer no século XVI por D. Nuno Manuel, guarda-mor do rei D. Manuel I (1495-1521), e integrava a chamada vila das Águias, da qual ainda subsistem algumas casas.

É um dos exemplos mais significativos de torres manuelinas da região. Nas proximidades encontram-se ainda as ruínas da Ermida de São Sebastião de Brotas.

Depois de percorrer este pequeno conjunto histórico, voltamos novamente à estrada. É nesta altura que percebemos que, apesar de o concelho não ser muito grande, há sempre mais um recanto para descobrir.


🚗 A última paragem — Mora

O passeio termina novamente em Mora, depois de um percurso feito de pequenas descobertas. É altura de abrandar o ritmo e aproveitar uma das zonas de lazer do concelho.

Praia Fluvial da Ponte do Paço

A Praia Fluvial da Ponte do Paço foi o cenário escolhido para terminar este passeio. Depois de quilómetros de estrada e de tantas paragens pelo património do concelho, é um bom lugar para fazer uma pausa e simplesmente apreciar a paisagem.


🤔 Conclusão

O concelho de Mora foi uma daquelas visitas que se fazem melhor sem pressa e de carro. A cada mudança de estrada aparece uma nova povoação, um monumento ou simplesmente uma paisagem que merece uma paragem.

Para mim, o mais interessante deste tipo de passeio é precisamente não existir a sensação de estar a cumprir uma lista de monumentos. Vamos andando, paramos quando alguma coisa chama a atenção e seguimos novamente estrada fora.

É essa combinação entre estrada, património, paisagem e pequenas descobertas que torna estas viagens pelo Alentejo tão especiais.


💡 DICAS PARA A VISITA

🚗 Faça o percurso de carro: é a melhor forma de ligar as diferentes localidades e monumentos do concelho.

🏘️ Explore Pavia: reserve algum tempo para conhecer a Igreja Matriz, a Ermida de São Sebastião e a Anta-Capela de São Dinis.

🗿 Não esqueça o megalitismo: o Cromeleque do Monte das Fontainhas Velhas é um dos pontos interessantes do percurso.

🌿 Passe por Cabeção: aproveite para conhecer a vila e o seu Pelourinho.

🏰 Em Brotas: a Torre das Águias merece uma paragem e um olhar mais demorado.

📷 Leve a máquina fotográfica: o Alentejo oferece sempre boas paisagens para fotografar.

🌊 Termine junto à água: a Praia Fluvial da Ponte do Paço é uma boa forma de fechar o passeio.

🚗 Um passeio de carro pelo concelho de Mora, onde cada paragem conta uma pequena parte da história do Alentejo.

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