⚓ Armada Portuguesa: Arrastões Armados / Caça-Minas Classe "Faial" (1943-1971)
A Classe “Faial” integrou a frota de arrastões armados da Marinha Portuguesa, desempenhando missões de guerra anti-submarina, dragagem e caça de minas, sobretudo nas águas dos Açores e do continente, entre 1943 e 1971.
📜 História e Desenvolvimento
Os navios que viriam a constituir a Classe “Faial” eram antigos naval trawlers armados da Royal Navy, construídos durante a Segunda Guerra Mundial. Foram produzidos centenas de arrastões navais de várias subclasses, que diferiam apenas em pequenos pormenores construtivos.
No âmbito da cedência de facilidades militares nos Açores aos Aliados, o Reino Unido emprestou a Portugal oito arrastões armados, entregues em 1943, destinados a reforçar a capacidade nacional de luta anti-submarina e guerra de minas.
![]() |
| Patrulha P2 (Ex-HMS Mangrove T 112) |
Na Marinha Portuguesa, estas unidades receberam inicialmente os números de amura P1 a P8, mantendo-se propriedade britânica, mas operadas sob bandeira e tripulações portuguesas.
NRP Faial
Ex-HMS Mangrove (T 112), chegou ao porto da Horta em 8 de Outubro de 1943. Nesse mesmo dia foi integrado no efetivo dos Navios da Armada, passando a arvorar bandeira portuguesa e a ser guarnecido por tripulação nacional, sendo designado Patrulha P2.
|
| NRP Faial M 391, ex. Mangrove (T 112) |
Durante anos, o navio desempenhou intensa atividade de patrulhamento, escolta e vigilância anti-submarina nas águas do arquipélago dos Açores, operando a partir do porto da Horta.
Em Junho de 1946, recebeu o nome NRP Faial. Em 1951, foi reclassificado como draga-minas, no âmbito da reorganização da guerra de minas na Armada. Em 1956, com a entrada ao serviço de novos draga-minas de casco em madeira (Classe "São Roque"), foi novamente reclassificado como caça-minas, uma vez que o seu casco metálico apenas permitia a dragagem de minas fundeadas.
O NRP Faial manteve-se ao serviço da Marinha Portuguesa até 1967, ano em que foi abatido ao efectivo dos Navios da Armada, após mais de duas décadas de serviço sob bandeira nacional.
NRP Terceira
Ex-HMS Hayling (T 271) chegou ao porto da Horta em 8 de Outubro de 1943, data em que foi integrado no efetivo dos Navios da Armada. Recebeu a designação de Patrulha P3.
|
| NRP Terceira M 393, ex. Hayling (T 271) |
Durante anos, participou ativamente em missões de patrulhamento, escolta e vigilância marítima nas águas do arquipélago dos Açores.
Em Junho de 1946, recebeu o nome NRP Terceira alterando o indicativo visual, T. Em 1951, passou à classificação de draga-minas, recebendo o indicativo M402, e em 1956 foi reclassificado como caça-minas, passando a usar o indicativo M393.
O NRP Terceira foi abatido ao efetivo dos Navios da Armada em 26 de Abril de 1957, encerrando uma carreira marcada por intensa atividade operacional durante e após a Segunda Guerra Mundial.
NRP São Miguel
Ex-HMS Bruray (T 236), chegou ao porto da Horta em 8 de Outubro de 1943, sendo integrado no efetivo da Armada Portuguesa como Patrulha P1.
|
| NRP S. Miguel M 403, ex. Bruray ( T 236) |
Durante anos, desempenhou intensa atividade de patrulhamento, escolta e vigilância anti-submarina nas águas do arquipélago dos Açores, com base principal no porto da Horta.
Em Junho de 1946, recebeu o nome NRP São Miguel. Em 1951, foi reclassificado como draga-minas, recebendo novo indicativo visual, e em 1956 passou à classificação de caça-minas, acompanhando a reorganização da guerra de minas na Marinha Portuguesa.
Nesse mesmo ano foi abatido ao efetivo dos Navios da Armada, encerrando a sua carreira operacional.
NRP Santa Maria
Ex. Whalsay (T 293), chegou ao porto da Horta em 8 de Outubro de 1943, sendo integrado no efetivo da Armada Portuguesa como Patrulha P4.
|
| NRP Santa Maria M 404, ex. Whalsay (T 293) |
Em Junho de 1946 recebeu o nome NRP Santa Maria, e foi classificado como navio de patrulha, passando a ostentar a letra identificativa correspondente MR.
Em 1951, foi reclassificado como draga-minas, recebendo o indicativo visual M404. Cinco anos mais tarde, em 1956, passou à classificação de caça-minas, com o indicativo M392, cedendo o anterior ao draga-minas costeiro NRP Rosário.
Desempenhou missões de patrulhamento, escolta e dragagem de minas nas águas dos Açores e do continente. Perdeu-se por encalhe em Peniche, sendo abatido em 15-4-1971.
Patrulha P5
Ex-HMS Cape Portland (FY 246), chegou ao porto de Ponta Delgada em 7 de Outubro de 1943, sendo nesse mesmo dia integrado no efetivo dos Navios da Armada Portuguesa, com a designação de Patrulha P5.
![]() |
| Patrulha P5, Ex-HMS Cape Portland (FY 246) |
Utilizando Ponta Delgada como base principal, desempenhou missões de vigilância marítima e proteção anti-submarina, tal como os restantes navios da classe,
Entrou no porto da Horta em 6 de Agosto de 1944, de onde zarpou no dia seguinte para ser restituído à Royal Navy, sendo abatido ao efetivo dos Navios da Armada Portuguesa.
Patrulha P6
Ex-HMS Vascama (FY 185), chegou ao porto de Ponta Delgada em 7 de Outubro de 1943, sendo nesse mesmo dia integrado no efetivo dos Navios da Armada Portuguesa, com a designação de Patrulha P6.
![]() |
| Patrulha P6, Ex-HMS Vascama (FY 185) |
Entre Dezembro de 1943 e Junho de 1944, desempenhou missões de patrulhamento e vigilância nas águas dos Açores, utilizando Ponta Delgada como porto-base. Tal como os restantes arrastões armados cedidos a Portugal, participou em missões de proteção do tráfego marítimo aliado.
Entrou no porto da Horta em 6 de Agosto de 1944, de onde zarpou no dia seguinte para ser restituído à Royal Navy, sendo abatido ao efetivo dos Navios da Armada Portuguesa.
Patrulha P7
Ex-HMS Gruinard (T 239), chegou ao porto de Lisboa em Outubro de 1943. Nesse mesmo mês foi integrado no efetivo dos Navios da Armada, passando a arvorar bandeira e guarnição portuguesa, com a designação de Patrulha P7.
![]() |
| Patrulha P7, Ex-HMS Gruinard (T 239) |
Entre Outubro de 1943 e Dezembro de 1944, fez varias missões de patrulhamento, missões de fundeamento de minas, operando nas áreas de Sesimbra e de Caxias. Em Junho de 1944, foi abatido ao efetivo dos Navios da Armada Portuguesa e devolvido à Royal Navy, retomando o nome HMS Gruinard.
Patrulha P8
Ex-HMS Eriskay (T 217), chegou ao Tejo em Outubro de 1943, tendo sido integrado no efetivo dos Navios da Armada Portuguesa no dia 7 de Outubro de 1943, passando a arvorar bandeira e guarnição nacional. Recebeu a designação de Patrulha P8.
![]() |
| Patrulha P8, Ex-HMS Eriskay (T 217) |
Entre Outubro de 1943 e Junho de 1944, desempenhando missões de patrulhamento e vigilância marítima, operando sobretudo ao largo de Caxias, mas também em Sesimbra. Em 12 de Novembro de 1945, perdeu-se por encalhe junto ao Porto das Manadas, costa Sul da ilha de São Jorge.
NRP Salvador Correia II
Após serviço na Royal Navy durante a Segunda Guerra Mundial, o Ex-HMS Saltarelo (T 218) foi adquirido por Portugal em 1947, recebendo inicialmente o nome Salvador Correia II.
|
|
NRP Salvador Correia II (1948–1961) |
Entre 1948 e 1954, operou sobretudo como navio de patrulha, sendo depois integrado no serviço exclusivo da Armada Portuguesa como navio hidrográfico, passando a usar o indicativo visual A522, com uma guarnição de cerca de 38 homens.
Entre 1954 e 1956, esteve ao serviço da Missão Hidrográfica de Angola e São Tomé, participando em levantamentos hidrográficos e oceanográficos em águas africanas. Posteriormente, entre 1955 e 1961, integrou a Brigada Hidrográfica Independente do Continente.
O NRP Salvador Correia II foi abatido ao efetivo dos Navios da Armada em 1961, após mais de uma década de serviço ao Estado Português.
NRP Baldaque da Silva
Após serviço na Royal Navy, o Ex-HMS Ruskholm (T 211), foi adquirido por Portugal em 1947, sendo batizado NRP Baldaque da Silva.
|
|
NRP Baldaque da Silva (1948–1967) Ex-HMS Ruskholm (T 211) |
Inicialmente, foi adaptado a navio oceanográfico, contando com uma guarnição de cerca de 36 homens. Entre 1948 e 1961, esteve ao serviço da Missão de Estudos de Pesca, operando em águas de Angola e Cabo Verde, desempenhando um papel importante na investigação científica marítima portuguesa.
Posteriormente, foi reclassificado como navio hidrográfico, realizando levantamentos hidrográficos e trabalhos oceanográficos em águas do continente e do ultramar.
O NRP Baldaque da Silva manteve-se ao serviço da Marinha Portuguesa até 1967, ano em que foi abatido ao efetivo dos Navios da Armada, encerrando a sua carreira naval.
📐 Características Técnicas – Classe Faial
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Tipo | Arrastão Armado / Caça-Minas |
| Deslocamento | ~780 toneladas |
| Comprimento | 50 m |
| Boca (Largura) | 8,4 m |
| Calado | 4,10 m |
| Propulsão | 1 máquina de tripla expansão – 1 veio |
| Velocidade Máxima | 13 nós |
| Autonomia | |
| Guarnição | 52 tripulantes |
🔫 Armamento
- 1 peça de 76 mm
- 1 peça de 20 mm
- 2 metralhadoras de 7,7 mm
- Morteiros e calhas lança-bombas A/S
- Capacidade para minas
🤔 Curiosidades
- Dos arrastões emprestados a Portugal, cinco eram naval trawlers da classe Isles (os P1, P3, P4, P7 e P8) e um era um naval trawler da classe Tree (o P2). Os restantes dois (os P5 e P6) eram requisitioned trawlers.
- Os navios receberam nomes de ilhas dos Açores após a sua aquisição definitiva.
- Os cascos metálicos limitavam a sua atuação à dragagem de minas fundeadas.
- Foram dos últimos arrastões armados a servir na Marinha Portuguesa.
✍️ Conclusão
A Classe “Faial” representou uma solução eficaz e económica para reforçar a capacidade portuguesa de guerra naval durante e após a Segunda Guerra Mundial, tendo desempenhado um papel essencial na defesa marítima nacional durante quase três décadas.
.jpg)


.jpg)

Comentários
Enviar um comentário