⚓ A Espinha Dorsal da Armada: A Lendária Classe João Coutinho (1970-2026)
A Classe João Coutinho foi projetada pelo Contra-Almirante Rogério d'Oliveira como um tipo de navio especialmente adaptado à atuação nas águas do Ultramar Português, garantindo a soberania nacional.
|
| Corvetas Classe "João Coutinho" |
📜 História e Legado
Os três primeiros navios foram construídos nos Estaleiros "Blohm & Voss" (Alemanha) e os restantes três nos "Bazán" (Espanha). O projeto foi tão inovador que serviu de base para as classes Baptista de Andrade, Descubierta, Meko 140 e inspirou os avisos franceses A69.
Corveta (F475) João Coutinho
João Coutinho entrou oficialmente ao serviço da Marinha Portuguesa no dia 7 de março de 1970. Projetado para atuar nos cenários de África, realizou missões de soberania e apoio de fogo em Moçambique, passando por Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde.
|
| NRP João Coutinho (1970-2018) |
Com o fim da guerra, o seu foco mudou para o controlo das águas territoriais e da ZEE, operações de socorro (SAR) e afirmação da soberania portuguesa nos Açores e Madeira. Participou na Operação Crocodilo em 1998 na Guiné-Bissau.
Corveta (F476) Jacinto Cândido
Integrada na Armada em 16 de junho de 1970, durante os primeiros anos, serviu em teatros de operações no Ultramar, garantindo a soberania e o apoio logístico.
|
| NRP Jacinto Cândido (1970-2019) |
Após 1974 realizou frequentes missões de soberania nos arquipélagos, desempenhando um papel humanitário crucial em 1980 ao levar socorros após o sismo que atingiu as ilhas Terceira, S. Jorge e Graciosa.
Corveta (F477) General Pereira d'Eça
Entrou ao serviço em 10 de outubro de 1970. O seu inicio foi marcado pela presença nos territórios africanos, Cabo Verde, Guiné, Moçambique e Angola.
A partir de 1977, realizou frequentes missões de fiscalização das águas territoriais e da Zona Económica Exclusiva (ZEE) nos arquipélagos.
|
| NRP General Pereira d'Eça (1970-2014) |
Em julho de 2016, foi afundada em Porto Santo para servir como recife artificial, iniciando a sua "missão final".
Corveta (F484) Augusto Castilho
A Augusto Castilho foi integrada na Armada a 14 de novembro de 1970.
Projetada especificamente para a Guerra Colonial, a corveta garantiu a presença naval em defesa da soberania portuguesa, especialmente em Cabo Verde e Angola.
|
| NRP Augusto Castilho (1970-2010) |
Apos 1975 operou regularmente nos Açores, focando-se na fiscalização da pesca e vigilância das águas territoriais.
Participou em diversos exercícios militares nacionais e internacionais para manter o estado de prontidão da Marinha.
|
|
Disparo do ouriço (Hedgehog) NRP Augusto Castilho (Angola
1973) |
Ficou imortalizada pelos registos operacionais em Angola, incluindo o disparo do sistema anti-submarino Hedgehog e as operações com helicópteros Alouette III.
Corveta (F485) Honório Barreto
A Honório Barreto entrou oficialmente ao serviço da Armada a 15 de abril de 1971.
Durante o conflito ultramarino, desempenhou missões de soberania, fiscalização e apoio de fogo em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola e Guiné-Bissau.
Após a independência das colónias, as suas funções mudaram para o território nacional, patrulhando a Zona Económica Exclusiva (ZEE) e participação em operações de socorro (SAR).
|
| NRP Honório Barreto (1971-2011) |
Em 1998 participou ativamente na Operação Crocodilo para evacuar civis e militares nacionais durante o conflito civil na Guiné-Bissau.
Participou em manobras navais, como exercícios com helicópteros e missões no âmbito da EUROMARFOR em 2000.
Corveta (F471) António Enes
A António Enes Foi integrada na Armada em 18 de junho de 1971.
Na guerra colonial operou em Angola, Moçambique, Guiné e Cabo Verde. Após 1974, foi essencial no apoio à retirada do contingente militar e civil dessas ex-províncias.
|
| NRP António Enes (1971-2026) |
A partir de 1975, dedicou-se à fiscalização da Zona Económica Exclusiva (ZEE) e missões de busca e salvamento, com forte presença nos Açores e Madeira.
Integrou forças navais da NATO e da União Europeia, destacando-se na Operação Active Endeavour (Mediterrâneo, 2004) e na Operação ATALANTA (Somália, 2011).
O seu historial operacional é indissociável da tragédia de 10 de março de 1987, quando uma explosão no porto da Horta durante uma manobra de atracação vitimou seis militares.
📐 Características Técnicas
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 1 400 toneladas |
| Dimensões | 85 m (compr.) | 10,3 m (boca) | 3,3 m (calado) |
| Propulsão | 2 motores Diesel SEMT PIELSTICK (5280 hp) |
| Velocidade | 24 nós (44 Km/h) |
| Guarnição | 72 a 100 marinheiros |
🔫 Armamento e Sensores
- 1 reparo duplo de 76mm US Mk331 (Ar Máx.: 2,8 km. Superfície Máx.: 11,1 km. Terra Máx.: 11,1 km.);
- 1 reparo duplo Bofors de 40mm/60 (Ar Max: 2,2 km. Superfície Max: 5,6 km. Terra Max: 5,6 km.)
- 1 Hedgehog ASW Mk11 (Subsuperfície da arma Máx.: 0,4 km)
- 2 morteiros de carga de profundidade Mk6/9/14 (subsuperficial Máx.: 0,2 km)
🛰 Sensores
- 1 radar MLA 1B busca aérea e de superfície, 2D de médio alcance (Alcance máximo: 203,7 km)
- 1 radar Decca 1226 busca de Superfície e Navegação (Alcance Máximo: 88,9 km)
- 1 controle de tiro AN/SPS-34 (Alcance Máximo: 18,5 km)
- 1 QCU-2 (Alcance máximo: 3,7 km)
🪖 Operações Notáveis
- Operação Crocodilo (1998): Evacuação de civis na Guiné-Bissau pelas corvetas Honório Barreto e João Coutinho.
- Incidente António Enes (1987): Violenta explosão na casa da máquina do leme no Porto da Horta, resultando em várias baixas.
- Fiscalização e Soberania: Presença constante nas águas de Angola, Moçambique e Açores.
✍️ Conclusão
As corvetas Classe João Coutinho foram a espinha dorsal da Marinha Portuguesa durante quase meio século. A sua robustez permitiu que servissem em cenários diversos, deixando um legado de engenharia naval inigualável.
|
| Corveta António Enes & Patrulha Viana do Castelo - O passar do testemunho |
As corvetas foram substituídas pelos Navios Patrulha Oceânicos (NPO).
.jpg)
Comentários
Enviar um comentário