⚓ Vela e Vapor: As Canhoneiras da década de 1870 que Mudaram a Marinha Portuguesa
Introdução
As canhoneiras portuguesas da segunda metade do século XIX desempenharam um papel fundamental na manutenção da soberania marítima e na fiscalização das possessões ultramarinas portuguesas. Estas embarcações serviram em missões coloniais, patrulhamento costeiro, apoio militar e fiscalização aduaneira em várias regiões do império português.
Muitas destas canhoneiras combinavam ainda vela e vapor, representando a transição tecnológica da Marinha Portuguesa entre os navios tradicionais de madeira e as modernas embarcações metálicas movidas a vapor.
Canhoneiras Classe "Rio Lima"
As canhoneiras desta classe foram construídas para serviço colonial e de presença naval nas possessões ultramarinas portuguesas. A canhoneira "Rio Vouga" foi construída no Arsenal da Marinha em Lisboa, enquanto as restantes foram construídas em Inglaterra.
Canhoneira "Rio Lima" (1875-1910)
Canhoneira de ferro e madeira lançada à água em Inglaterra em 3 de Julho de 1875. Prestou serviço em Cabo Verde, Angola, Ajuda, Guiné, Moçambique, Macau e Índia. Em 1889 largou de Macau em visita oficial ao Japão.
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| Canhoneira "Rio Lima" (1875-1910) |
Em 1909 foi mandada passar ao estado de completo desarmamento, sendo abatida em Macau no ano seguinte e ali vendida.
Canhoneira "Rio Tâmega" (1875-1909)
Canhoneira idêntica à "Rio Sado", lançada à água em Inglaterra em 15 de Novembro de 1875. Prestou serviço em Cabo Verde, Angola, Ajuda, Macau e Moçambique.
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| Canhoneira "Rio Tâmega" (1875-1909) |
Em 1904 passou ao estado de completo desarmamento e foi mandada abater em 1909.
Canhoneira "Rio Sado" (1875-1921)
Canhoneira idêntica à "Rio Tâmega", lançada à água em Inglaterra em 30 de Dezembro de 1875. Prestou serviço em Cabo Verde, Guiné, Angola, Ajuda, Moçambique, Açores e Índia.
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| Canhoneira "Rio Sado" (1875-1921) |
Em 1921 passou ao estado de desarmamento em Goa.
Canhoneira "Rio Vouga" (1882-1909)
Canhoneira de madeira lançada à água em Lisboa em 5 de Janeiro de 1882. Armou em 1884 e prestou serviço em Moçambique, Angola e Ajuda.
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| Canhoneira "Rio Vouga" (1882-1909) |
Em 1906 passou ao estado de completo desarmamento e em 1909 foi mandada abater por inútil, sendo posteriormente vendida em 1911.
📐 Características Técnicas – Classe "Rio Lima"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | (Rio Tâmega e Rio Sado) 645 toneladas; restantes 721 toneladas |
| Dimensões |
(Rio Tâmega e Rio Sado) 45,4 m comp.; 8,6 m boca; 3 m calado (restantes) 49 m comp.; 8,4 m boca; 3,63 m calado |
| Propulsão | 2 mastros de velas; máquinas de 500 a 750 h.p.; 1 veio |
| Velocidade | 10 nós |
| Armamento | 2 peças de 9 libras; 2 peças de 4 libras; 1 peça de 3 libras |
| Guarnição | 100 marinheiros |
Canhoneira "Faro" (1878-1912)
Canhoneira de ferro construída em Inglaterra em 1878 para a fiscalização da costa algarvia. Inicialmente classificada como vapor, passou em 1880 à categoria de canhoneira.
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| Canhoneira "Faro" |
Prestou serviço na fiscalização aduaneira do Algarve e serviu na Armada até 27 de Fevereiro de 1912, data em que se perdeu por afundamento na barra de Alvor após colisão com um rebocador.
📐 Características Técnicas – Canhoneira "Faro"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 136 toneladas |
| Dimensões | 27 m comp.; 4,7 m boca; 2,28 m calado |
| Propulsão | 2 mastros de velas; 1 máquina de 200 h.p.; 1 veio |
| Velocidade | 10,4 nós |
| Armamento | 1 peça de 47 mm |
| Guarnição | 27 marinheiros |
Canhoneira "Tavira" (1878-1911)
Canhoneira de ferro adquirida em Inglaterra em 1878 para a fiscalização aduaneira do Algarve. Era anteriormente a canhoneira "Tejo", passando a adotar o nome "Tavira" em 1883.
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| Canhoneira "Tavira" ex "Tejo" |
Em 1895 realizou trabalhos hidrográficos em Angola. Em 1911 foi mandada passar ao estado de completo desarmamento, sendo vendida no mesmo ano.
📐 Características Técnicas – Canhoneira "Tavira" ex "Tejo"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 204 toneladas |
| Dimensões | 32 m comp.; 5,1 m boca; 2,74 m calado |
| Propulsão | 2 mastros de velas; 1 máquina vertical de 390 h.p.; 1 veio |
| Velocidade | 11 nós |
| Armamento | 1 peça de 47 mm |
| Guarnição | 33 marinheiros |
Canhoneira "Lagos" (1878-1915)
Canhoneira de ferro adquirida em Inglaterra em 1878 para a fiscalização aduaneira do Algarve. Era originalmente a canhoneira "Guadiana", passando a usar o nome "Lagos" em 1883.
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| Canhoneira "Lagos" ex "Guadiana" |
Em 1913 passou ao estado de desarmamento, sendo abatida por inútil. Voltou ainda a armar em 1914, desarmando definitivamente em 1915.
📐 Características Técnicas – Canhoneira "Lagos" ex "Guadiana"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 100 toneladas |
| Dimensões | 24,7 m comp.; 4,4 m boca; 1,98 m calado |
| Propulsão | 2 mastros de velas; 1 máquina de 150 h.p.; 1 veio |
| Velocidade | 7 nós |
| Armamento | 2 peças de 47 mm; 1 metralhadora de 6,5 mm |
| Guarnição | 30 marinheiros |
Canhoneira "Guadiana" (1879-1892)
Canhoneira de ferro lançada à água em Liverpool, Inglaterra, em 20 de Agosto de 1879. Inicialmente classificada como vapor, passou em 1883 à categoria de canhoneira.
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| Canhoneira "Guadiana" |
Prestou serviço em São Tomé, Algarve, Cabo Verde e Guiné. Em 3 de Outubro de 1892 encalhou e perdeu-se no recife Almagreiro.
📐 Características Técnicas – Canhoneira "Guadiana"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 245 toneladas |
| Dimensões | 33 m comp.; 5,33 m boca; 2,77 m calado |
| Propulsão | 2 mastros de velas; 1 máquina a vapor de 140 h.p.; 1 veio |
| Velocidade | 9 nós |
| Armamento | 1 peça de 47 mm |
| Guarnição | 45 marinheiros |
Canhoneiras Classe "Bengo"
Estas canhoneiras foram construídas em Inglaterra e destinavam-se ao serviço colonial nas possessões ultramarinas portuguesas.
Canhoneira "Mandovy I" (1879-1909)
Canhoneira de ferro e madeira lançada à água em Inglaterra em 16 de Agosto de 1879. Prestou serviço em Macau, Moçambique, Angola, Ajuda, Guiné, Cabo Verde, Açores e Índia.
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| Canhoneira "Mandovy I" (1879-1909) |
Em 1908 passou ao estado de completo desarmamento, sendo entregue à província de Moçambique no ano seguinte.
Canhoneira "Bengo I" (1879-1905)
Canhoneira de ferro e madeira lançada à água em Inglaterra em 23 de Agosto de 1879. Prestou serviço em Angola, Guiné, Moçambique, Macau, Timor e Índia.
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| Canhoneira "Bengo I" (1879-1905) |
Em 1905 foi abatida ao efetivo e passou a navio-depósito da Divisão Naval de Moçambique.
📐 Características Técnicas – Canhoneiras Classe "Bengo"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 462 toneladas |
| Dimensões | 38,25 m comp.; 7,48 m boca; 2,84 m calado |
| Propulsão | 2 mastros de velas; 1 máquina compound horizontal de 400 h.p.; 1 veio |
| Velocidade | 10,5 nós |
| Armamento | 1 peça de 150 mm; 2 peças de 90 mm |
| Guarnição | 89 marinheiros |
🤔 Conclusão
As canhoneiras portuguesas do século XIX desempenharam um papel importante na defesa das rotas marítimas, fiscalização costeira e manutenção da presença portuguesa nas colónias ultramarinas.
Estas embarcações operaram em praticamente todos os territórios ultramarinos portugueses, desde Angola e Moçambique até Macau, Índia e Timor, assegurando missões militares, diplomáticas e administrativas numa época de profundas transformações tecnológicas da guerra naval.
⚓ Um importante capítulo da história marítima e colonial portuguesa.
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