⚓ Canhoneiras da década de 1880: Os Pequenos Navios do Império Português
Introdução
Durante o final do século XIX, a Marinha Portuguesa desempenhou um papel essencial na manutenção da presença portuguesa em África e no Oriente através de pequenas embarcações armadas conhecidas como canhoneiras.
Apesar das suas dimensões relativamente modestas, estes navios percorriam milhares de quilómetros entre colónias, rios e zonas costeiras, garantindo patrulhamento, transporte de autoridades, apoio militar e demonstração de soberania portuguesa nos territórios ultramarinos.
Neste artigo reunimos algumas das mais importantes canhoneiras portuguesas desse período, incluindo a "Rio Ave", "Zaire", "Açor", "Cacongo", "Zambeze", "Mac-Mahon" e "Diu I", acompanhadas pelas suas histórias e características técnicas.
Canhoneira "Rio Ave" (1880-1899)
Canhoneira de madeira lançada à água em Lisboa em 23 de Junho de 1880. Prestou serviço em São Tomé, Angola, Ajuda, Cabo Verde e Guiné, desempenhando missões de presença naval, fiscalização e apoio às autoridades coloniais portuguesas.
|
| Canhoneira "Rio Ave" no Rio Douro |
Em 1899 passou ao estado de desarmamento e foi abatida ao efetivo no mesmo ano. Após o seu abate, continuou ainda ao serviço como navio-farol na Guiné.
📐 Características Técnicas – Canhoneira "Rio Ave"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 378 toneladas |
| Dimensões | 36,57 m comp.; 6,65 m boca; 3,20 m calado |
| Propulsão | 3 mastros de velas; 1 máquina de baixa pressão horizontal de 180 h.p.; 1 veio |
| Velocidade | 9 nós |
| Armamento | 1 peça de 101 mm; 4 peças de 76 mm |
| Guarnição | 89 marinheiros |
Canhoneiras Classe "Zaire"
As canhoneiras desta classe foram construídas em Inglaterra para serviço colonial da Marinha Portuguesa. Eram navios de ferro e madeira destinados a operar nas possessões ultramarinas portuguesas em África e no Oriente.
Canhoneira "Zaire I" (1884-1916)
Canhoneira de ferro e madeira construída em Inglaterra em 1884. Prestou serviço em Angola, Moçambique, Índia, Guiné e Macau.
|
| Canhoneira "Zaire I" (1884-1916) |
Em 1916 foi mandada passar ao estado de completo desarmamento.
Canhoneira "Liberal" (1884-1910)
Canhoneira de ferro e madeira construída em Inglaterra em 1884. Prestou serviço em Angola, Ajuda, Moçambique, Índia, Macau e São Tomé.
|
| Canhoneira "Liberal" (1884-1910) |
Naufragou em 22 de Junho de 1910 ao bater em rochedos no litoral de Angola. Transportava o Governador-Geral de Angola, Alves Roçadas, e tropas destinadas às campanhas no sul de Angola. Não houve vítimas.
📐 Características Técnicas – Classe "Zaire"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 558 toneladas |
| Dimensões | 42,56 m comp.; 7,75 m boca; 3,43 m calado |
| Propulsão | 1 máquina compound de 500 I.H.P.; 1 veio |
| Velocidade | 13 nós |
| Armamento | 1 rodízio de 150 mm; 2 peças de 100 mm; 2 metralhadoras de 11 mm |
| Guarnição | 111 marinheiros |
Canhoneira "Açor" (1886-1933)
Canhoneira de ferro construída em 1874 como navio mercante, sendo adquirida pela Armada Portuguesa em 1886 para fiscalização aduaneira.
|
| Canhoneira "Açor" |
Cruzou na costa portuguesa, Madeira e Açores durante vários anos. Mais tarde foi reclassificada como caça-minas e em 1923 transformada em navio hidrográfico. Foi abatida ao efetivo em 1933.
📐 Características Técnicas – Canhoneira "Açor"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 330 toneladas |
| Dimensões | 41,3 m comp.; 5,7 m boca; 2,7 m calado |
| Propulsão | 1 máquina de 360 H.P.; 1 veio |
| Velocidade | 9 nós |
| Armamento | 1 peça de 3 libras |
| Guarnição | 52 marinheiros |
Canhoneiras Classe "Cacongo"
As canhoneiras de aço desta classe foram construídas em Birkenhead, Inglaterra, sendo semelhantes ao navio hidrográfico "Salvador Correia" de 1895.
Canhoneira "Cacongo" (1886-1908)
Canhoneira lançada à água em 19 de Junho de 1886 para serviço em Angola. Fez parte da esquadrilha do Congo.
|
| Canhoneira "Cacongo" (1886-1908) |
Em 1907 passou ao estado de completo desarmamento em Bolama, sendo abatida no ano seguinte.
Canhoneira "Massabi" (1886-1908)
Canhoneira lançada à água em 3 de Julho de 1886. Fez parte da esquadrilha do Congo.
|
| Canhoneira "Massabi" (1886-1908) |
Em 1908 passou ao estado de completo desarmamento, sendo abatida no mesmo ano.
📐 Características Técnicas – Classe "Cacongo"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 276 toneladas |
| Dimensões | 36,57 m comp.; 5,94 m boca; 2,31 m calado |
| Armamento | 3 peças de 76 mm; 1 peça de 3 pdr. |
| Propulsão | 1 máquina a vapor de 375 H.P.; 1 veio |
| Velocidade | 11 nós |
| Guarnição | 42 marinheiros |
Canhoneira "Zambeze" (1888-1924)
Canhoneira de madeira construída no Arsenal de Lisboa e lançada à água em 30 de Setembro de 1886.
Prestou serviço em Angola, Ajuda, São Tomé, Cabo Verde e Guiné.
|
| Canhoneira "Zambeze" |
Em 1920 passou ao estado de completo desarmamento e em 1924 foi vendida por inútil.
📐 Características Técnicas – Canhoneira "Zambeze"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 641 toneladas |
| Dimensões | 44,52 m comp.; 8 m boca; 3,55 m calado |
| Propulsão | 3 mastros de velas; 1 máquina compound de 460 h. p. - 1 veio |
| Velocidade | 10 nós |
| Armamento | 2 peças de 100 mm; 2 de 47 mm ; 2 de 37 mm; 1 metr. de 6,5 mm. |
| Guarnição | 109 marinheiros |
Canhoneira "Mac-Mahon" (1889-1894)
Canhoneira de aço construída em Inglaterra em 1889. Também aparece simplesmente como vapor "Mac-Mahon". Prestou serviço em Moçambique.
|
| Canhoneira "Mac-Mahon" |
Em 1894 perdeu-se na barra do Limpopo.
📐 Características Técnicas – Canhoneira "Mac-Mahon"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 304 toneladas |
| Dimensões | 37,79 m comp.; 6,40 m boca; 2,23 m calado |
| Propulsão | 2 máquinas de T.E. de 350 h.p.; 2 veios |
| Velocidade | 11 nós |
| Armamento | 1 peça |
| Guarnição | 25 marinheiros |
Canhoneira "Diu I" (1881-1907)
Canhoneira de madeira lançada à água em Lisboa em 27 de Agosto de 1889. Prestou serviço em Macau, Japão, Timor e Moçambique. Participou na campanha contra Gungunhana e serviu também na Índia.
|
| Canhoneira "Diu I" |
Em 1913 foi considerada inútil.
📐 Características Técnicas – Canhoneira "Diu I"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 740 toneladas |
| Dimensões | 45,6 m comp.; 8,4 m boca; 3,38 m calado |
| Propulsão | 1 máquina de T.E. de 700 h.p.; 1 veio |
| Velocidade | 11,5 nós |
| Armamento | 2 peças de 105 mm; 2 de 65 mm; 2 de 47 mm; 1 de 35 mm; 1 metralhadora de 6,5 mm |
| Guarnição | 110 marinheiros |
🤔 Conclusão
As canhoneiras portuguesas do século XIX foram elementos fundamentais da estratégia naval portuguesa no ultramar. Operando muitas vezes em condições difíceis e longe da metrópole, estas pequenas embarcações asseguraram a presença marítima nacional em regiões estratégicas de África e da Ásia.
Embora menos conhecidas do grande público do que os grandes navios de guerra, embarcações como a "Rio Ave", "Zambeze" ou "Diu I" tiveram um papel importante na história marítima portuguesa, participando em campanhas militares, missões de fiscalização e apoio às administrações coloniais.
Hoje, estas canhoneiras permanecem como testemunhos de uma época em que Portugal mantinha uma extensa rede marítima ultramarina sustentada por navios resistentes, versáteis e adaptados às exigências do serviço colonial.
⚓ Pequenos navios, grandes missões na história naval portuguesa.
A Viagem Continua...
Explore mais embarcações históricas da Marinha Portuguesa nos artigos relacionados abaixo.
Comentários
Enviar um comentário