⚓ Armada Portuguesa: Navio Balizador Schultz Xavier (1972-2019)
O NRP Schultz Xavier foi um navio balizador oceânico da Marinha Portuguesa, vocacionado para a manutenção de ajudas à navegação, combate à poluição marítima e apoio a operações de salvamento e mergulho. Construído no Arsenal do Alfeite, entrou ao serviço em julho de 1972, desenvolvendo ao longo de mais de quatro décadas uma carreira marcada pela versatilidade operacional e pelo apoio a missões navais, científicas e técnicas.
📜 História e Desenvolvimento
O NRP Schultz Xavier foi construído no Arsenal do Alfeite e integrado no efetivo da Marinha Portuguesa em julho de 1972. O seu nome homenageia o contra-almirante Júlio Zeferino Schultz Xavier, engenheiro hidrógrafo que, na primeira década do século XX, desempenhou um papel determinante na reorganização do sistema de faróis em Portugal.
Concebido como navio balizador oceânico, possuía capacidades que lhe permitiam executar missões muito para além da simples colocação e manutenção de balizas, destacando-se no apoio a operações de salvamento marítimo, reboque, desencalhe de navios de médio porte e recuperação de objetos submersos.
NRP Schultz Xavier
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| NRP Schultz Xavier |
A 3 de dezembro de 1975, o NRP Schultz Xavier desempenhou um papel central numa das mais notáveis travessias da Marinha Portuguesa do pós-25 de Abril, ao efetuar o reboque das Lanchas de Fiscalização Grandes (LFG) Argos, Dragão e Hidra com destino a Angola.
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| Proa do Schultz Xavier |
A viagem foi realizada em conjunto com as LFG Lira e Orion, navegando pelos seus próprios meios, bem como com as Lanchas de Desembarque Grandes (LDG) Alfange e Ariete, todas escoltadas pela corveta NRP António Enes.
Este agrupamento naval, conhecido como “A Incrível Armada”, percorreu cerca de 8 900 milhas náuticas ao longo de 63 dias e 885 horas de navegação, até à chegada a Luanda.
🧭 Missões e Emprego Operacional
Para além das missões balizadoras, o NRP Schultz Xavier destacou-se pelo seu emprego em operações de salvamento e apoio técnico. Em dezembro de 1977, recuperou a LDM 426, destacada para a Área Militar de São Jacinto, após um acidente que a deixou submersa.
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| Schultz Xavier no Arsenal do Alfeite |
Em 1997, foi equipado com uma câmara hiperbárica, passando a desempenhar funções de navio de apoio aos mergulhadores da Marinha, substituindo nesta missão o antigo draga-minas Ribeira Grande, da classe São Roque.
| Corveta João Roby & Balizador Schultz Xavier |
Em junho de 2006, participou no exercício STEADFAST JAGUAR, realizando levantamentos hidrográficos nos mares de Cabo Verde. Para esta missão, embarcou equipas de hidrografia, mergulhadores do DMS n.º 2 e a embarcação do Instituto Hidrográfico Gaivota.
⚓ Fim de Carreira
| Guarnição do NRP Schultz Xavier 2006/2007 |
Após mais de quarenta anos de serviço ativo, o NRP Schultz Xavier passou ao estado de desarmamento em 9 de fevereiro de 2017, sendo oficialmente abatido ao efetivo da Marinha Portuguesa com efeitos a 31 de janeiro de 2019.
📐 Características Técnicas – NRP Schultz Xavier
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Tipo | Balizador oceânico |
| Deslocamento | 900 toneladas |
| Comprimento | 56 m |
| Boca (Largura) | 10 m |
| Calado | 3,8 m |
| Propulsão | 2 motores Diesel 2400 h.p. - 2 veios |
| Velocidade Máxima | 14,5 nós (27 km) (Autonomia: 3 000 milhas náuticas a 12,5 nós) |
| Guarnição | 39 marinheiros |
🔫 Armamento
- 2 Metralhadoras ligeiras HK-21
🛰 Sensores e Sistemas
- Radar navegação KELVIN HUGHES (alcance 37 km)
✍️ Conclusão
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| NRP Schultz Xavier – Em navegação |
O NRP Schultz Xavier representa um exemplo notável da versatilidade dos navios auxiliares da Marinha Portuguesa. Ao longo da sua carreira, desempenhou missões balizadoras, de salvamento, apoio a mergulho e hidrografia, contribuindo de forma decisiva para a segurança da navegação e para o conhecimento dos mares sob responsabilidade nacional.




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