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⚓ Classe LDM 400: Dos Trilhos ao Lago Niassa (1964-1998)

Lanchas de Desembarque

A Classe “LDM 400” integrou a Marinha Portuguesa entre 1964 e 1980, com um total de 26 unidades construídas. Estas lanchas tiveram um papel fundamental na Guerra do Ultramar, sobretudo na Guiné Portuguesa, onde os rios e terrenos alagados exigiam meios anfíbios adaptados.


📜 História e Emprego Operacional

As LDM (Lanchas de Desembarque Médias) foram concebidas para operações anfíbias, permitindo o transporte e desembarque de fuzileiros, viaturas e material militar. Destacaram-se pela sua robustez e versatilidade em ambientes fluviais e costeiros.

Durante a Guerra do Ultramar, operaram em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, desempenhando missões de combate, patrulhamento, escolta e apoio logístico a forças militares e populações civis.

Um dos episódios mais notáveis foi a deslocação de várias unidades para o Lago Niassa (LDM 404, LDM 405, LDM 407, LDM 408), transportadas por comboio e camiões através de zonas de risco, em operações como a “Operação Atum” (1965) e “Operação Roaz” (1966-1967).


LDM 402

LDM 402

LDM 402 foi aumentada ao efetivo em 18 de Agosto de 1964 e abatida em 30 de Setembro de 1975.

 LDM 403

LDM 403

LDM 403 foi aumentada ao efetivo em 10 de Setembro de 1964 e abatida em 30 de Setembro de 1975.

 LDM 404

LDM 404

LDM 404 foi aumentada ao efetivo em 10 de Setembro de 1964 e abatida em 31 de Março de 1975.

Vale a pena destacar a autêntica epopeia que foi a transferência de quatro LDM’s desde a costa de Moçambique até ao Lago Niassa, realizada em três fases distintas: a LDM 404, em dezembro de 1965, no âmbito da “Operação Atum”; as LDM 405 e 408, em abril de 1966; e a LDM 407, em agosto de 1967, integrada na “Operação Roaz”. O percurso implicou inicialmente cerca de 500 km por via ferroviária, seguidos de mais 250 km por estrada em camiões, atravessando uma região marcada por intensa atividade da FRELIMO.

 LDM 405

LDM 405

LDM 405 foi aumentada ao efetivo em 09 de Outubro de 1964 e abatida em 31 de Março de 1975.

 LDM 407

LDM 407

LDM 407 foi aumentada ao efetivo em 17 de Março de 1965 e abatida em 31 de Março de 1975.

 LDM 408

LDM 408

A LDM 408 foi aumentada ao efetivo em 29 de Março de 1965 e abatida em 31 de Março de 1975.

 LDM 409

LDM 409

LDM 409 foi aumentada ao efetivo em 24 de Agosto de 1968 e abatida em 30 de Setembro de 1975.

 LDM 420

LDM 420

LDM 420 foi aumentada ao efetivo em 13 de Março de 1975 e abatida em 1998.

Duas LDM’s (419 e 420) foram destacadas para a Ilha do Faial, sendo depois utilizadas no transporte de maquinaria pesada para ilhas que não possuíam infraestruturas portuárias adequadas. 

Apesar de a abertura frontal já não permitir o desembarque de tropas e viaturas militares, estas embarcações revelaram-se ideais para essa função, tirando partido das antigas rampas de varagem existentes nessas ilhas. 

Em fevereiro de 1978, a LDM 419 acabou por afundar-se durante um temporal, quando fazia a ligação entre a Ilha de São Jorge e o Faial, não se registando vítimas entre a tripulação.

 LDM 421

LDM 421

LDM 421 foi aumentada ao efetivo em 07 de Janeiro de 1976 e abatida em 16 de Novembro de 1993.

Em 16 de novembro de 1993, no contexto da cooperação técnico-militar com a Guiné-Bissau, e em paralelo com a formação de Fuzileiros, a LDM 421 foi cedida à Marinha Nacional daquele país, passando a ostentar o número de amura LDM 100. Mais tarde, em junho de 1998, participou em ações conjuntas com navios da Marinha Portuguesa no âmbito da Operação “Crocodilo”.

 LDM 425

LDM 425

Entrou ao serviço em 1977. Em Novembro 2001, a LDM 425 foi abatida ao efetivo da Marinha Portuguesa e adquirida pela Câmara Municipal de Tavira, afim da autarquia utilizar a embarcação para desempenhar serviços de desembarque e transporte no arquipélago ao largo de Tavira.

 LDM 426

LDM 426

Foi aumentada ao efetivo em 1980. Em dezembro de 1977, a LDM 426, então destacada na AMSJ – Área Militar de São Jacinto, sofreu um acidente que a levou a afundar-se. Posteriormente, foi recuperada com o apoio do Navio-Balizador "Schultz Xavier". Viria a ser abatida ao serviço em 1999.


📐 Características Técnicas – Classe LDM 400

Ficha Técnica
TipoLancha de Desembarque Média
Deslocamento65 toneladas
Dimensões17,3 m | 4,8 m | 1 m
Propulsão2 motores diesel Cummins (400 hp)
Velocidade9,5 nós
Guarnição4 marinheiros
Armamento1 peça de 20 mm


🛰 Sensores e Sistemas

  • 1 Transreceptor NIMBUS 340 H;
  • 1 Receptor CURLEW351 H;
  • 1 Projetor de sinais DE 250W


🪖 Missões e Emprego Operacional

  • Desembarque de fuzileiros e viaturas
  • Patrulhamento e controlo fluvial
  • Escolta de embarcações civis
  • Reabastecimento logístico militar e civil

A distribuição destas unidades pelos diferentes teatros de operações foi organizada da seguinte forma:

  • Angola:
    LDM 401, 402, 403 e 409
  • Guiné-Bissau:
    LDM 410, 411, 412, 413, 414, 415, 416 e 417
  • Moçambique (Lago Niassa):
    LDM 404, 405, 407 e 408
  • Portugal (treino de Fuzileiros):
    LDM 406, 414, 418, 419, 420, 421, 422, 423, 424, 425 e 426

🤔 Curiosidades

Após a Guerra do Ultramar, algumas LDM continuaram ao serviço como unidades auxiliares da Marinha ou em funções civis, incluindo transporte inter-ilhas nos Açores.


✍️ Conclusão

A Classe LDM 400 revelou-se essencial para operações anfíbias portuguesas, destacando-se pela sua robustez e versatilidade em ambientes difíceis. O seu legado permanece como um dos mais importantes meios fluviais da Marinha Portuguesa.


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Fonte: Blogue Barco à vista

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