⚓ Armada Portuguesa: Lanchas Fiscalização — Classe "Argos I" (1963-1975)
A Classe “Argos I” integrou a frota de Lanchas de Fiscalização Grandes da Marinha Portuguesa, tendo desempenhado um papel relevante nas operações navais durante a Guerra do Ultramar. Concebidas inicialmente para o serviço no Extremo Oriente, acabariam por ser empregues intensivamente em teatros africanos.
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| Peça de 40 mm avante |
📜 História e Desenvolvimento
As lanchas da Classe “Argos I” tiveram origem no Projeto de Lancha para Timor, desenvolvido em resposta a um requisito da Capitania do Porto de Díli, que pretendia uma embarcação capaz de assegurar a fiscalização e o controlo das águas territoriais do então Timor Português.
Com o eclodir e agravamento da Guerra do Ultramar, nenhuma das unidades foi enviada para Timor. Em alternativa, todas foram destacadas para África, onde passaram a desempenhar missões de patrulhamento fluvial e costeiro, apoio a forças terrestres, escolta e presença naval.
As unidades da classe foram construídas entre 1963 e 1965, no Arsenal do Alfeite e nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, sendo batizadas com nomes de constelações, tradição que deu identidade própria à classe.
NRP Argos
Construída nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, foi aumentada ao efetivo dos navios da Armada a 14 de junho de 1963 e foi a primeira de 10 unidades que constituíram a classe
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| NRP Argos (1963- 1975 Abatida em Luanda em 28 de Maio) |
Chegou a Bissau a 30 de julho de 1963, onde ficou atribuída ao Comando da Defesa Marítima da Guiné. Teve passagens por Cabo Verde e Angola, partindo de Luanda a 2 de fevereiro de 1965 para Moçambique, escalando em Moçâmedes, Capetown e Durban antes de entrar em Maputo a 23 de fevereiro de 1965.
Devido a avarias graves esteve inoperacional durante algum tempo, mantendo-se imobilizada até setembro de 1969. Largou de Maputo para a Guiné em novembro do mesmo ano, escalando novamente em Capetown, Moçamedes, Luanda e Ana Chaves. Com base em Bissau, desempenhou diversas missões operacionais em todas as bacias hidrográficas desse território até 1974.
Com o processo de descolonização da Guiné-Bissau foi deslocada para o porto de Mindelo em Cabo Verde no Verão de 1974, tendo posteriormente largado para Angola a 3 de dezembro de 1974, ficando estacionada em Luanda. A LFG Argos foi abatida ao efetivo dos navios da Armada a 28 de maio de 1975.
NRP Dragão
O NRP Dragão integrou a classe desde 17 de Julho de 1963, tendo sido empregue em diversas missões operacionais em África. Tal como outras unidades da classe, foi abatido ao serviço em Luanda após a independência de Angola.
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| NRP Dragão (1963-1975 Abatida em Luanda em 28 de Maio) |
NRP Escorpião
O NRP Escorpião desde 21 de Agosto de 1963 destacou-se pelo intenso emprego operacional em missões de patrulhamento e apoio às forças no terreno, sendo abatido em Luanda em Setembro de 1975.
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| NRP Escorpião (1963-1975 Abatida em Luanda em 30 de Setembro) |
NRP Pegaso
O NRP Pegaso entrou ao serviço em 16 de Outubro 1963 e operou em diferentes zonas de África. Foi abatido em Luanda a 4 de Outubro de 1975.
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| NRP Pegaso (1963-1975 Abatida em Luanda a 4 de Outubro) |
NRP Cassiopeia
O NRP Cassiopeia foi aumentada ao efetivo em 13 de Janeiro de 1964 e teve um destino distinto da maioria das unidades da classe, tendo sido abatido em Setembro de 1974 e posteriormente afundado ao largo da Guiné-Bissau, a cerca de 104 milhas a Oeste de Bissau.
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| NRP Cassiopeia (1964-1974 Abatida em 7 de Setembro e afundada em 21 Setembro, 104 milhas a Oeste de Bissau) |
NRP Hidra
O NRP Hidra aumentada ao efetivo em 11 de Abril de 1964 serviu até 1975, sendo abatido em Luanda no contexto da descolonização.
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| NRP Hidra (1964-1975 Abatida em Luanda em 28 de Maio) |
NRP Lira
O NRP Lira aumentada ao efetivo em 11 de Abril de 1964 serviu até 30 de Setembro de 1975.
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| NRP Lira (1964-1975) |
NRP Orion
Construídas nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, estas unidades completaram a classe, operando maioritariamente em África. Algumas foram transferidas para Angola em 1975, enquanto outras foram abatidas ou afundadas ao largo da Guiné-Bissau.
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| NRP Orion (1964-1975) |
Terminou a sua carreira operacional em 30 de Setembro de 1975, tendo sido abatido em Luanda.
NRP Centauro
NRP Sagitário
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| NRP Sagitário (1965-1974) |
Abatida em 7 de Setembro e afundada em 21 Setembro, 104 milhas a Oeste de Bissau.
📐 Características Técnicas – Classe "Argos I"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Tipo | Lancha de Fiscalização Grande |
| Deslocamento | 210 toneladas |
| Dimensões | 41,7 m (compr.) | 6,7 m (boca) | 2,1 m (calado) |
| Propulsão | 2 motores diesel de 1.200 bhp | 2 veios |
| Velocidade | 17 nós |
| Guarnição | 24 militares |
🔫 Armamento
- 2 peças simples de 40 mm
🪖 Missões e Emprego Operacional
- Fiscalização marítima e fluvial
- Apoio a operações militares
- Patrulhamento costeiro
- Presença naval em zonas de conflito
✍️ Conclusão
A Classe “Argos I” constituiu um elemento fundamental da Marinha Portuguesa durante a Guerra do Ultramar, demonstrando versatilidade, robustez e capacidade de adaptação a diferentes cenários operacionais. O seu legado perdurou, sendo o nome Argos retomado numa nova geração de lanchas de fiscalização lançadas a partir de 1991.







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