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⚓ NRP Almirante Schultz: O Guardião das Boias e Faróis de Portugal (1929-1970)

Navios Balizadores da Marinha Portuguesa

10-03-18

O Navio-Balizador “Almirante Schultz” foi um navio balizador da Marinha Portuguesa, dedicado à manutenção de ajudas à navegação e ao apoio hidrográfico da costa nacional. Entrou ao serviço em 1929, permanecendo ativo durante mais de quatro décadas, até ao seu abate em 1970, desempenhando um papel essencial na segurança marítima em águas portuguesas.

NRP Almirante Schultz

📜 História e Desenvolvimento

O Almirante Schultz foi construído nos estaleiros Penhoet em França no final da década de 1920, num período de modernização gradual dos meios auxiliares da Marinha Portuguesa, destinados à sinalização marítima e ao apoio à navegação costeira.

O navio recebeu o nome em homenagem ao Almirante Júlio Zeferino Schultz Xavier, figura de referência da hidrografia nacional e responsável por profundas reformas no sistema de faróis e balizagem em Portugal no início do século XX.

Durante décadas, o Almirante Schultz foi um dos principais meios da Marinha no apoio ao Instituto Hidrográfico, garantindo a colocação, manutenção e substituição de boias, balizas e outros sinais marítimos ao longo da costa continental e arquipélagos.


Navio-Balizador “Almirante Schultz”

Operando num contexto tecnológico muito distinto do atual, o navio dispunha de meios mecânicos simples, mas robustos, adequados às exigências da época. A sua tripulação era composta por pessoal especializado em manobras de fundeio, manutenção de estruturas flutuantes e trabalhos marítimos pesados.

NRP Almirante Schultz

Para além das missões balizadoras, o Almirante Schultz participou regularmente em tarefas de apoio logístico, transporte de material técnico e colaboração em levantamentos hidrográficos costeiros.


📐 Características Técnicas – NRP Almirante Schultz

Ficha Técnica
Tipo Balizador oceânico
Deslocamento 520 toneladas
Comprimento 40 m
Boca (Largura) 9,5 m
Calado 3,1 m
Propulsão 2 motores diesel 350 h.p. - 2 veios
Velocidade Máxima 11 nós (27 km) — Autonomia: 2 300 milhas náuticas
Guarnição 52 marinheiros

🧭 Missões e Emprego Operacional

Ao longo da sua carreira operacional, o Almirante Schultz esteve envolvido em:

  • Manutenção de boias luminosas e balizas costeiras
  • Apoio a levantamentos hidrográficos
  • Assistência a navios em dificuldades em águas costeiras
  • Transporte de equipamentos técnicos para faróis e estações marítimas

O navio foi instrumental na construção do farol das Formigas nos Açores.

A sua ação foi particularmente relevante numa época em que a navegação costeira comercial e pesqueira dependia fortemente de ajudas visuais bem conservadas.


Fim de Carreira

Após mais de 40 anos de serviço, o Navio-Balizador Almirante Schultz foi retirado da atividade operacional em 1970, sendo abatido ao efetivo da Marinha Portuguesa.

O seu abate coincidiu com a entrada em serviço do navio balizador Schultz Xavier , mais moderno, capaz de operar com maior autonomia, melhores condições de habitabilidade e meios técnicos mais avançados.


🤔 Curiosidades

  • Foi o primeiro Navio-Balizador da Armada Portuguesa.
  • O NRP Schultz Xavier , partilha o mesmo número de amura: A 521.

✍️ Conclusão

O Navio-Balizador “Almirante Schultz” representa uma fase fundamental da história da balizagem marítima em Portugal. Durante mais de quatro décadas, assegurou a segurança da navegação costeira, contribuindo de forma discreta, mas decisiva, para o desenvolvimento da atividade marítima nacional.


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