⚓ Armada Real Portuguesa: As Naus da Era dos Descobrimentos (1497-1647)
Introdução
📜 A Era dos Descobrimentos Portugueses marcou um dos períodos mais decisivos da história marítima mundial. Entre o final do século XV e meados do século XVII, Portugal lançou-se na exploração sistemática do Atlântico e do Índico, estabelecendo rotas oceânicas, impérios comerciais e contatos intercontinentais sem precedentes.
As naus constituíram o principal instrumento desta expansão. Navios robustos, de grande capacidade de carga e autonomia oceânica, foram essenciais para as viagens de descoberta, comércio, guerra e administração ultramarina, ligando a Europa à África, Ásia e América.
Este post apresenta algumas das mais emblemáticas naus portuguesas da Era dos Descobrimentos (1497–1647), com destaque para os navios que participaram nas primeiras viagens à Índia, no estabelecimento do Estado da Índia e na consolidação do império marítimo português.
Naus Portuguesas da Era dos Descobrimentos (1497–1647)
⛵ Nau São Gabriel (1497–1499)
- Capitão: Vasco da Gama
- Missão: Primeira viagem marítima à Índia
- Arqueação: cerca de 120–150 tonéis
- Dimensões: 31 m comp.; 9,80 m boca; 4,4 m calado
- Armamento: 20 Bombardas
- Guarnição: cerca de 70 marinheiros
Nau capitânia da armada de Vasco da Gama, foi o navio que liderou a histórica viagem de 1497–1499, ligando pela primeira vez a Europa à Índia por via marítima. Representa o início efetivo da expansão portuguesa no Índico.
⛵ Nau São Rafael (1498–1499)
- Capitão: Paulo da Gama
- Missão: Apoio à armada da Índia
Irmã da São Gabriel, integrou a mesma armada. Devido ao seu estado de conservação, durante a viagem de regresso foi queimada ao largo de Mombaça, no local que ficou conhecido por baixos de São Rafael.
⛵ Nau Esmeralda (1498–1503)
Pertencia à Carreira da Índia e estava incluída na 2ª armada de Vasco da Gama. Terá naufragado em maio de 1503, matando todos os tripulantes a bordo ao largo da ilhas de Curia Muria em Omã.
- Capitão: Vicente Sodré
- Função: Patrulha e proteção comercial no Índico
O navio foi descoberto em 2016. Foram recuperadas várias preciosidades arqueológicas do navio, incluindo sinos, canhões e discos de cobre com a marca da família real portuguesa.
Foi nos destroços do Esmeralda que foi encontrado, em 2013, o segundo exemplar conhecido da moeda de prata criada por D. Manuel especificamente para o comércio com a Índia.
Também foi encontrado um astrolábio datado de 1498 e é considerado o mais antigo astrolábio do mundo. Mede 175 milímetros, pesa 344 gramas.
⛵ Nau El-Rey (1500–1501)
Foi uma nau da Carreira das Índias que fez parte da 2ª Armada da Índia comandada por Pedro Álvares Cabral, que partiu de Lisboa a 9 de Março de 1500, com mais treze naus e 1 500 homens.
A frota cruzou a Linha do Equador a 9 de abril e navegou rumo a oeste afastando-se o mais possível do continente africano, utilizando uma técnica de navegação conhecida como a volta do mar.
Os marujos avistaram algas-marinhas no dia 21 de abril, o que os levou a acreditar que estavam próximos da costa. Provou-se estarem certos na tarde do dia seguinte, quarta-feira, 22 de abril de 1500, a tripulação da nau El-Rei, avista o Brasil e ancoram na costa do Monte Pascoal.
- Armada: Pedro Álvares Cabral
- Função: Transporte real e comercial
- Deslocação: cerca de 200 Toneladas
- Guarnição: cerca de 160 marinheiros
Depois da chegada a Calecute a 13 de setembro, e depois da instalação da feitoria e do seu posterior ataque (16 ou 17 de Dezembro), a nau El-Rei também participa no bombardeamento da cidade de Calecute.
Por fim, carregada de especiarias, a frota foi para Cananor, a fim de comerciar uma vez mais antes de partir em sua viagem de retorno a Portugal em 16 de janeiro de 1501.
Chegando a Armada à região de Quiloa, a nau El-Rei foi vítima de ventos, o que alterou o seu rumo, e fez com que encalhasse num baixio, perto da costa de Melinde. Depois do embate, Sancho de Tovar ordenou que a nau fosse abandonada, salvando-se a tripulação. A nau El-Rei foi então incendiada para não cair nas mãos dos muçulmanos.
⛵ Nau Santa Catarina do Monte Sinai (1500–1528)
Uma das maiores e mais duradouras naus portuguesas do início do século XVI. A nau Santa Catarina do Monte Sinai foi construída em Cochim, no Estado Português da Índia, e lançada ao mar em 1500.
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| Nau Santa Catarina do Monte Sinai |
- Função: Comércio e transporte estratégico
- Arqueação: cerca de 800 toneladas
- Dimensões: 38 m comp.; 13 m boca
- Armamento: 140 peças de artilharia
Serviu na Carreira da Índia até 1520, ano em que foi escolhida para nau-capitânia da armada que conduziu à Itália a Infanta D. Beatriz - filha de Manuel I de Portugal. Em 1524 foi escolhida para capitânia da armada que iria conduzir Vasco da Gama à Índia, como seu vice-rei.
No oceano Índico participou em operações navais, entre as quais se destacou o ataque a Mombaça (1528), quando serviu de capitânia a D. Nuno da Cunha, tendo a cidade sido arrasada pelo fogo da artilharia portuguesa na ocasião.
⛵ Nau Flor do Mar (1502–1511)
Construída nos estaleiros da Ribeira das Naus em Lisboa, a Flor do Mar foi uma das mais avançadas embarcações da sua época, integrando a Carreira das Índias.
- Capitão: Afonso de Albuquerque
- Função: Nau de guerra e tesouro
- Dimensões: 36 m comp.; 8 m boca
Famosa pela sua enorme riqueza a bordo, a Flor do Mar naufragou ao largo de Sumatra em 1511. Na ocasião transportava Afonso de Albuquerque, de regresso da conquista de Malaca. Tornou-se um dos mais lendários naufrágios da história marítima portuguesa.
⛵ Nau Madre de Deus (1589–1592)
A nau Madre de Deus foi o maior navio do mundo no seu tempo, construída na Ribeira das Naus em Lisboa em 1589, para a Carreira da Índia.
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| Modelo da Nau Madre de Deus |
- Arqueação: cerca de 1600 tonéis
- Função: Grande nau mercante da Índia
- Dimensões: 50 m comp.; 14,5 m boca
Em agosto de 1592, carregada de valiosíssimas mercadorias, de regresso a Lisboa na sua segunda viagem à Índia, foi atacada e capturada por uma frota inglesa de seis navios perto da ilha das Flores. Segundo o uso na época, quando um navio fosse capturado, procedia-se ao transbordo da carga e o navio apresado era incendiado e afundado. Contudo, os corsários ingleses ficaram tão impressionados com as dimensões da nau portuguesa que a rebocaram para Inglaterra. A Madre de Deus constituiu um dos maiores saques da História revelando a dimensão do comércio português no Oriente.
⛵ Nau N.S. do Rosário (1647)
Nau que em 1647 largou para o Brasil na Armada do Conde de Vila Pouca de Aguiar. Neste período, Portugal estava em guerra declarada contra a Holanda, apelidado por alguns de a "primeira guerra mundial".
- Contexto: Guerra da Restauração
- Função: Transporte e escolta
A nau Nossa Senhora do Rosário" navegava em mar aberto quando dois galeões holandeses avançam para cortar o caminho do enorme navio português. Eles cercam o poderoso "Nossa Senhora do Rosário" e prendem os navios preparando-se para abordar o Galeão.
O capitão português toma uma decisão importante. Ordenou que se ateasse fogo ao convés de munições, explodindo o seu próprio navio numa bola de fogo gigante. Apenas nove marinheiros sobreviveram. O navio holandês "Utrecht" foi apanhado na explosão e desapareceu no oceano naquele instante . O navio holandês "Nassau" foi terrivelmente danificado e toda a tripulação abandonou o navio.
🤔 Conclusão
As naus portuguesas da Era dos Descobrimentos foram instrumentos essenciais da expansão marítima, comercial e militar de Portugal. Da São Gabriel à N.S. do Rosário, estes navios refletem a evolução tecnológica, económica e estratégica do império português ao longo de mais de um século e meio.
O seu legado permanece como um dos pilares da história naval mundial e da identidade marítima de Portugal.








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