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⚓Armada Real Portuguesa: Cruzador Adamastor, o Navio que Bombardeou a Monarquia (1897-1934)

Cruzadores Desprotegido

O cruzador desprotegido Adamastor (NRP Adamastor) foi um dos navios mais emblemáticos da Marinha Portuguesa, conhecido principalmente pelo seu papel decisivo na Implantação da República em 1910. Construído em Itália nos estaleiros Fratelli Orlando de Livorno e lançado à água a 12 de Julho de 1896, este navio foi financiado através da subscrição nacional de 1890, representando um esforço coletivo para modernizar a marinha portuguesa no final do século XIX.

Cruzador Adamastor

📜 História e Serviço

Aumentado ao efetivo dos navios da Armada em 2 de agosto de 1897, o Adamastor percorreu praticamente todos os territórios ultramarinos portugueses, desde Angola até Timor, desempenhando missões de soberania e presença naval. Realizou também visitas oficiais a vários países, incluindo o Brasil e o Japão.

Bota Abaixo do Cruzador Adamastor em Julho 1896

Golpe de 5 de Outubro de 1910

O cruzador teve um papel decisivo no golpe de 5 de Outubro de 1910, contribuindo para a implantação da República Portuguesa ao participar no bombardeamento do Palácio das Necessidades.

Cruzador Adamastor no rio Tejo, 1904

Primeira Guerra Mundial (Moçambique)

Durante a Grande Guerra, o Adamastor foi enviado para o norte de Moçambique para enfrentar as forças coloniais alemãs.

O navio Adamastor quando colidiu com uma rocha no porto de Dumbell, em Hong Kong, em 13 de maio de 1913.
  • Combate do Rovuma (1916): A 27 de maio de 1916, em conjunto com a canhoneira Chaimite, o cruzador bombardeou posições alemãs nas margens do Rio Rovuma.
  • Apoio Terrestre: A sua guarnição formou secções de desembarque que auxiliaram colunas militares em operações de pacificação em regiões como o Barué, em 1917.

  • Em 6 de Novembro de 1922, já em contesto pós Guerra, foi agraciado como Comendador da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

Extremo Oriente (Macau e China)

O cruzador passou grande parte da sua vida ativa na Estação Naval de Macau, protegendo os interesses portugueses na região. 

Cruzador Adamastor ancorado em Hong Kong

  • Defesa de Xangai (1926–1928): Foi destacado para Xangai para proteger as concessões internacionais e cidadãos portugueses durante períodos de instabilidade interna na China.
  • Conflito Sino-Japonês: Em 1929, regressou ao Oriente, operando entre Macau e Xangai devido ao escalar das tensões entre a China e o Japão.

Diplomacia e Representação

O navio funcionou como um símbolo de Portugal no estrangeiro:

Xangai, 5 de outubro de 1927, vestido para a ocasião, agora de volta ao casco branco.

  • Viagem ao Japão (1929): Realizou uma visita diplomática oficial ao Japão, onde o seu comandante foi condecorado em Tóquio.
  • Ainda nesse mesmo ano a 4 de Outubro, encalhou na ilha de Bolama, na Guiné, sendo posteriormente desencalhado com o auxílio de outras embarcações.

  • Cruzeiros de Instrução: Realizou várias viagens de treino e visitas de amizade, incluindo passagens pelo Brasil, reforçando laços marítimos globais.

Última Missão e Regresso (1933)

Já em "péssimo estado geral" e reclassificado como aviso de 2.ª classe, o navio partiu de Macau em março de 1933 para a sua última viagem. 

Cruzador Adamastor em São Tomé

  • Foi uma travessia atribulada de 8.000 milhas, marcada por sucessivas avarias que o obrigaram a parar em vários portos antes de chegar finalmente a Lisboa.
  • O navio foi desativado em 1934 e posteriormente vendido à firma F. A. Ramos & Cª.


📐 Características Técnicas – Cruzador Adamastor

Ficha Técnica
Deslocamento 1 757 toneladas
Dimensões 73,81 m (comp.); 10,7 m (boca); 4,66 m (calado)
Armamento 2 × 150 mm (14 km)
4 × 105 mm (9 km)
4 × 47 mm (7,2 km)
3 tubos lança-torpedos
Propulsão 4 máquinas a vapor de expansão tripla (4000 h.p.) – 2 veios
Velocidade 18 nós
Autonomia 5500 milhas a 10 nós
Guarnição 206 marinheiros

✍️ Conclusão

O Cruzador Adamastor foi um dos navios mais emblemáticos da Marinha Portuguesa na transição para o século XX. Com participação ativa em momentos decisivos da história nacional e presença global nos territórios ultramarinos, representa um exemplo marcante da projeção naval portuguesa da época.


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