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⚓ Cruzador Almirante Reis "ex D. Carlos I" (1898-1925): O Navio que Assistiu ao Nascimento da República

Cruzadores

O cruzador "D. Carlos I", posteriormente denominado "Almirante Reis", foi uma das mais importantes e modernas unidades da Marinha Portuguesa no final do século XIX e início do século XX.

Construído no Reino Unido e equipado com armamento de última geração para a época, representou o esforço português de modernização naval num período marcado pela rivalidade entre as grandes potências marítimas europeias.

Além das suas capacidades militares, destacou-se por ter sido o primeiro navio da Marinha Portuguesa equipado com comunicações sem fios e por ter desempenhado um papel importante nos acontecimentos que conduziram à Implantação da República.


Cruzador "Almirante Reis" (1899-1925)

Este navio foi construído em Newcastle upon Tyne, nos estaleiros da Casa Armstrong, no Reino Unido, sendo lançado à água no dia 5 de maio de 1898.

Após o lançamento, a futura guarnição portuguesa deslocou-se para Inglaterra a bordo do navio "Pêro de Alenquer", chegando em junho de 1899. Pouco depois, em 8 de julho desse ano, o cruzador passou ao estado de armamento completo.

Cruzador Almirante Reis (ex D. Carlos I)

O cruzador chegou a Lisboa em julho de 1899, tornando-se uma das mais poderosas unidades da Armada Portuguesa. O seu primeiro comandante foi o Capitão-de-mar-e-guerra Hermenegildo Capelo, figura de destaque da história naval portuguesa.

Em 1906 ocorreu a bordo uma revolta de marinheiros que é considerada um dos antecedentes dos acontecimentos políticos que culminariam com a queda da Monarquia Constitucional Portuguesa.

A bordo do cruzador "Almirante Reis" em dezembro de 1910

Na noite de 4 de outubro de 1910, enquanto se encontrava fundeado no Tejo, o navio foi tomado por revolucionários liderados pelo Segundo-tenente José Carlos da Maia, integrando o movimento militar que conduziu à Implantação da República Portuguesa.

Após a vitória republicana, o cruzador deixou de se chamar "D. Carlos I" e passou a denominar-se "Almirante Reis", em homenagem a um dos principais dirigentes militares da revolução.

Em setembro de 1914, partiu em missão para a África na escolta de transportes de tropas e atuou na proteção de comboios marítimos durante o conflito mundial.

Em 1915 apresentava já graves problemas de manutenção, consequência do desgaste acumulado ao longo de mais de uma década de serviço.

Em 1916 realizou a sua última grande viagem oceânica, navegando acompanhado pelo couraçado "Vasco da Gama". Acabaria por ser abatido ao efetivo da Armada em 22 de janeiro de 1925. No mesmo ano, foi rebocado para os Países Baixos para ser desmantelado


📐 Características Técnicas – Cruzador "Almirante Reis"

Ficha Técnica
Deslocamento 4 253 toneladas
Dimensões 117 m comp.; 14,4 m boca; 5,33 m calado
Armamento 4 peças de 150 mm;
8 peças de 120 mm;
14 peças de 47 mm;
2 peças de 37 mm;
3 metralhadoras de 6,5 mm;
5 tubos lança-torpedos
Propulsão 2 máquinas a vapor de tripla expansão; 12 500 h.p.; 2 veios
Velocidade 22 nós
Caldeiras 12 Yarrow
Combustível 700 toneladas de carvão
Guarnição 432 militares (28 oficiais; 35 sargentos; 369 praças)

🤔 Conclusão

O cruzador "D. Carlos I", mais tarde "Almirante Reis", representou o auge da modernização naval portuguesa no final do século XIX.

Além do seu valor militar, destacou-se pelo pioneirismo tecnológico ao ser o primeiro navio português equipado com comunicações sem fios e pela sua participação em alguns dos mais importantes acontecimentos políticos da história contemporânea portuguesa.

Hoje permanece como um dos mais emblemáticos cruzadores da Marinha Portuguesa, simbolizando uma época de transição entre a Monarquia e a República.

⚓ Um cruzador que marcou a história naval e política de Portugal.


🧭

A Viagem Continua...

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