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⚓ Classe Albatroz: As Históricas ‘Passarinhas’ da Marinha Portuguesa (1974-2022)

Lanchas de Fiscalização Costeira

A Classe Albatroz (também conhecidas como as Passarinhas) constitui uma das mais emblemáticas famílias de Lanchas de Fiscalização Costeira (LFC) da Marinha Portuguesa, servindo durante quase cinco décadas na proteção costeira, vigilância marítima e operações de autoridade do Estado.

Lanchas Fiscalização — Classe "Albatroz"

📜 História e Desenvolvimento

As LFC da Classe Albatroz foram construídas pelo Arsenal do Alfeiteentre 1974 e 1976, um projeto nacional, que seguia o modelo de outras lanchas de fiscalização pequenas (LFP) utilizadas durante a Guerra do Ultramar.

Vieram para reforçar a capacidade da Marinha Portuguesa em missões costeiras, especialmente após o aumento da vigilância marítima no pós-25 de Abril.  Tornaram-se uma referência operacional no combate à imigração clandestina, fiscalização pesqueira e apoio às forças de segurança.


 Lancha Pequena Albatroz (P1162)

Lancha Pequena Albatroz (1974-2001)

A 2 de abril de 1976, o navio "Albatroz" interveio para ajudar o Navio-Patrulha "Save" (classe "Cacine") após um acidente na costa algarvia. Enquanto fiscalizava as águas a 2 milhas da Ponta de Sagres, o "Save" foi abalroado por uma embarcação não identificada que, logo após a colisão, abandonou o local sem socorrer os envolvidos.

A NRP Albatroz é abatida ao efetivo dos navios da Armada em 18 de Julho de 2001 e transferida para a Força de Defesa de Timor Lorosae (FDTL), com o nome Oé-Cusse.


 Lancha Pequena Açor (P1163)

Lancha Pequena Açor (1974-2001)

A NRP Açor entrou ao serviço em 1974 e é abatida ao efetivo dos navios da Armada em 18 de Julho de 2001 e transferida para a Força de Defesa de Timor Lorosae (FDTL), com o nome Ataúro.


 Lancha Pequena Andorinha (P1164)

Lancha Pequena Andorinha (1975-2005)

Ao serviço do Comando da Zona Marítima do Norte, a "Andorinha" subiu o Rio Douro até á cidade de Peso da Régua no dia 30 de junho de 2001.

É abatida ao efetivo dos navios da Armada em 01 de Agosto de 2005.


Lancha Pequena Águia (P1165)

Lancha Pequena Águia (1975-2019)

A NRP Águia destacou-se em missões de vigilância costeira, fiscalização pesqueira e operações de busca e salvamento, servindo durante mais de 40 anos. 

Em 2002, a "Águia" fez uma participou no exercício "INSTREX", integrando a força opositora. 

É abatida ao efetivo dos navios da Armada em 31 de Janeiro de 2019.


 UAM 840 (ex. Lancha Pequena Condor (P1166))

UAM 840 (ex. LFP Condor)

Aumentada ao efetivo em 1975, a lancha Condor foi integrada na Polícia Marítima em 1999 com a identificação UAM 840.

Com o objetivo de potenciar a fiscalização de artes caladas em infração, os navios desta classe trocaram, em 1999, a sua peça Oerlikon de 20 mm na proa por um alador de redes, ganhando assim melhores aptidões para esta missão específica.


 Lancha Pequena Cisne (P1167)

Lancha Pequena Cisne (1976-2022)

A NRP Cisne foi aumentada ao efetivo dos navios da Armada em 31 de março de 1976 e abatida em 23 de agosto de 2022.


📐  Características Técnicas – Classe Albatroz

Ficha Técnica
Tipo Lancha de Fiscalização Costeira (LFC)
Deslocamento 51 toneladas (máximo)
Comprimento 23,68 m
Boca (Largura) 5,2 m
Propulsão 2 x motores diesel Cummins com 1 110 hp
Velocidade Máxima 20 nós
Autonomia 300 milhas a 15 nós
Guarnição 8 tripulantes

🔫 Armamento

  • 1 peça Oerlikon de 20 mm
  • 2 × metralhadora pesada 12,7 mm
  • Lançadores de sinalizadores e pirotecnia
  • Capacidade para armamento portátil da guarnição (G3, espingarda automática, pistolas)

🛰 Sensores e Sistemas

  • Radar de navegação (Decca / Furuno, conforme unidade)
  • Sistemas de comunicações VHF/UHF
  • GPS e cartografia eletrónica
  • Projetores de busca e iluminação operacional

🪖 Missões e Emprego Operacional

  • Fiscalização da pesca
  • Vigilância das águas territoriais
  • Interdição marítima e abordagem
  • Busca e salvamento costeiro
  • Combate ao tráfico e contrabando
  • Apoio às autoridades marítimas

✍️ Conclusão

As Lanchas de Fiscalização Costeira da Classe Albatroz foram uma presença constante nas águas portuguesas, combinando eficiência, simplicidade e robustez. Durante anos foram o principal meio de resposta rápida para missões costeiras, deixando um legado operacional que se prolonga até Timor-Leste.


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