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⚓ Classe "Vouga": Os Galgos do Mar (1932-1965)

Contratorpedeiros

Foi a classe de contratorpedeiros que equipou a Marinha Portuguesa no âmbito do Plano Naval de 1930, chamado “Programa Magalhães Correia”. Eram conhecidos, na gíria naval, por “galgos do mar”. Contratorpedeiros que ficaram com nomes de rios.

Contratorpedeiros: Classe "Vouga"


📜 História e Desenvolvimento

A Classe “Vouga” representou uma importante renovação da componente de contratorpedeiros da Marinha Portuguesa durante a década de 1930. Os seus navios foram concebidos para proporcionar à Armada uma capacidade moderna de combate, patrulha, escolta e defesa das águas nacionais.

Os navios basearam-se num projeto inglês da Yarrow, com as necessárias adaptações para responder às necessidades portuguesas.


Bandeira da Colômbia  Contratorpedeiro Douro 1.º

Teve a sua construção iniciada no Arsenal da Marinha em 1932 através de uma parceria técnica com a Yarrow.

Contratorpedeiro NRP Douro 1.º II (1932-1934)

Devido ao conflito fronteiriço entre a Colômbia e o Peru (Guerra de Letícia), o governo colombiano necessitava urgentemente de navios de guerra modernos. Em fevereiro de 1934, Portugal aceitou ceder e vender o contratorpedeiro ainda em fase de conclusão: o NRP Douro. Ao ser entregue à Marinha da Colômbia, o navio foi rebatizado como ARC Caldas


Bandeira da Colômbia   Contratorpedeiro Tejo 1.º

Teve a sua construção iniciada no Arsenal da Marinha em 1932 através de uma parceria técnica com a Yarrow.

Contratorpedeiro NRP Tejo 1.º (1932-1934)

Tal como o seu irmão Contratorpedeiro NRP Douro 1.º Portugal aceitou ceder e vender o contratorpedeiro ainda em fase de conclusão: o NRP Tejo 1º. Ao ser entregue à Marinha da Colômbia, o navio foi rebatizado como ARC Antioquia.


  Contratorpedeiro Lima

O NRP Lima foi efetivamente construído no estaleiro Yarrow & Company, em Glasgow, Escócia sendo lançado à água em 19 de maio de 1933.

Contratorpedeiro NRP Lima (1933-1965)

O NRP Lima destacou-se em janeiro de 1943 numa das missões de resgate mais dramáticas da sua história. Sob um temporal violento, o contratorpedeiro foi enviado para salvar os sobreviventes do navio americano City of Flint, afundado por submarinos alemães. Durante as operações de busca no Atlântico, a guarnição portuguesa conseguiu localizar e resgatar 48 náufragos do City of Flint e ainda 71 náufragos de um outro navio afundado, o Julia Ward Howe, totalizando mais de uma centena de vidas salvas antes de atracar em Ponta Delgada.


  Contratorpedeiro Vouga

Construído no estaleiro Yarrow & Company, em Glasgow, Escócia, o NRP Vouga foi aumentado ao efetivo da Armada em 18 de junho de 1933.

Contratorpedeiro NRP Vouga (1933-1967)

Ao longo da sua vida participou em diversas missões de representação diplomática, em ações de soberania, escolta em viagens oficiais, assistência humanitária, de instrução e transporte de fuzileiros, destacando-se a sua presença em Cabo Verde no início da Segunda Grande Guerra.

Após o final da guerra destacou-se na sua integração em exercícios da NATO, a partir de 1950, na área de Gibraltar, e realizou ainda missões no âmbito da Guerra Colonial.

Foi abatido ao efetivo dos navios da Armada a 3 de junho de 1967.


  Contratorpedeiro Dão

O NRP Dão foi construído no Arsenal da Marinha.

Contratorpedeiro NRP Dão (1934-1960)

O NRP Dão teve uma carreira marcada por diversos acontecimentos da história portuguesa do século XX.

Um dos episódios mais marcantes ocorreu durante a Revolta dos Marinheiros, iniciada na noite do serviço de 7 para 8 de setembro de 1936, quando elementos das guarnições de alguns navios da Armada se revoltaram contra o regime então vigente.

O envolvimento do NRP Dão neste episódio constitui uma das páginas mais singulares da história operacional dos contratorpedeiros da Classe "Vouga".


 Contratorpedeiro Douro 2º

O segundo navio a ostentar o nome Douro integrou igualmente a Classe "Vouga", mantendo a tradição de atribuir aos contratorpedeiros nomes de rios portugueses.

Contratorpedeiro NRP Douro 2º II (1935-1959)

Durante a Guerra Civil de Espanha (1936-1939), o NRP Douro desempenhou uma importante missão na evacuação de civis portugueses de Espanha, contribuindo para a proteção e retirada de cidadãos portugueses num dos períodos mais conturbados da Península Ibérica.

A sua participação demonstra como estes navios, para além da sua função estritamente militar, eram frequentemente chamados a desempenhar missões de proteção, transporte e assistência.

 Contratorpedeiro Tejo 2º

O NRP Tejo foi outro dos navios que prolongou a vida operacional da Classe "Vouga" muito para além da sua conceção original, acompanhando a evolução das necessidades da Marinha Portuguesa.

Contratorpedeiro NRP Tejo 2º (1935-1965)

A longevidade destes navios esteve diretamente relacionada com os importantes trabalhos de modernização realizados após a Segunda Guerra Mundial.

As alterações permitiram reforçar sobretudo as capacidades antissubmarina e antiaérea, mantendo os contratorpedeiros relevantes perante a rápida evolução da guerra naval durante o século XX.

📐 Características Técnicas – Classe "Vouga"

Ficha Técnica
Tipo Contratorpedeiro
Deslocamento 1 588 toneladas
Comprimento 98,15 m de comprimento;
Boca 9,5 m de boca;
Calado 5,7 m de calado
Propulsão 2 grupos de turbinas a vapor de 33 000 hp, acionando 2 veios
Velocidade 36 nós
Guarnição 184 marinheiros

🔫 Armamento

  • 2 peças simples de 120 mm
  • 1 peça dupla de 40 mm
  • 3 peças simples de 40 mm
  • 3 peças simples de 20 mm
  • 1 reparo quádruplo lança-torpedos
  • 1 SQUID A/S
  • 2 calhas lança-cargas de profundidade.
Uma das três peças antiaéreas QF 2 pounder ("pom-pom") de 40 mm que originalmente equipavam o contratorpedeiro NRP Lima.


Radares: (configuração final) 

  • 1 radar de aviso aéreo MLA-1B 
  • 1 radar de navegação 
  • 1 radar de controlo de tiro Tipo 32, com alcance aproximado de 22 km.
Sonar
  • ASDIC

✍️ Conclusão

A Classe "Vouga" representou uma das mais importantes etapas da modernização da Marinha Portuguesa durante a década de 1930. Concebidos numa época em que a guerra naval atravessava profundas transformações, estes contratorpedeiros trouxeram para a Armada velocidade, capacidade ofensiva e novas possibilidades de emprego operacional.

A história destes navios foi, contudo, muito mais abrangente do que a simples missão de combate. Ao longo das suas carreiras participaram em operações de escolta, patrulhamento, assistência, transporte, evacuação de civis, missões diplomáticas e ações de soberania, acompanhando diferentes momentos da história portuguesa do século XX.

Mais do que simples unidades de combate, os "Galgos do Mar" tornaram-se parte da memória da Marinha Portuguesa. Os seus cascos percorreram o Atlântico, transportaram marinheiros e fuzileiros, participaram em momentos de tensão internacional e, em diversas ocasiões, estiveram onde a Armada deles necessitava.

⚓ Entre rios e oceanos, os "Galgos do Mar" deixaram o seu nome na história da Marinha Portuguesa.

⚓ CONTINUE A NAVEGAR PELA HISTÓRIA NAVAL
Da Classe "Vouga" para uma nova página da Marinha Portuguesa
Terminada esta viagem pelos "Galgos do Mar", a nossa navegação pela história naval portuguesa continua. No próximo artigo vamos conhecer outra classe, outro navio ou outro episódio que marcou a história da Marinha Portuguesa.

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