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✈️ Quando a Marinha Portuguesa Aprendeu a Voar sobre o Mar (Década 1910)

Aviação Naval Portuguesa

Introdução

Os primeiros passos para a formação do Serviço e Escola de Aviação da Armada, embrião da futura Aviação Naval Portuguesa, começaram a ser dados em 1916 na Escola de Aviação Militar de Vila Nova da Rainha.

A entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial acelerou a necessidade de dotar a Marinha de meios aéreos próprios. Entre 1917 e 1928 vários hidroaviões serviram nos Centros de Aviação Marítima de Lisboa e São Jacinto, desempenhando missões de patrulhamento costeiro, vigilância marítima, instrução e apoio às operações navais.


Hidroaviões FBA Tipo B (1917-1918)

Em Janeiro de 1917 chegaram a Portugal os dois primeiros hidroaviões FBA Tipo B adquiridos em França para a Armada Portuguesa. Os voos experimentais iniciaram-se em Março desse ano, marcando o início efetivo da aviação naval portuguesa.

Hidroavião FBA Tipo B

Em Dezembro de 1917 os aparelhos foram transferidos para o recém-criado Centro de Aviação Marítima do Bom Sucesso, em Lisboa. Em 1918 foi construída localmente uma terceira aeronave utilizando peças sobressalentes e um motor adquirido em França. Os FBA Tipo B permaneceram em operação até 1918, ano em que foram abatidos.

📐 Características Técnicas – FBA Tipo B

Ficha Técnica
DimensõesEnvergadura: 13,71 m; Comprimento: 8,78 m; Altura: 3,4 m
Motor1 Gnôme-Monosoupape de 100 h.p.
Velocidade109 km/h
Tripulação2 (piloto e observador)

Hidroaviões Georges-Lévy GL-40 HB2 (1918-1920)

No final de 1917 o Governo Português autorizou a instalação de um Centro de Aviação Naval francês em São Jacinto. Entre os aparelhos utilizados encontravam-se os Georges-Lévy GL-40 HB2, que iniciaram operações em Portugal durante Abril de 1918.

Hidroavião Georges-Lévy GL-40 HB2

Após o final da Primeira Guerra Mundial, as instalações e aeronaves francesas passaram para a Aviação Naval Portuguesa. Em Março de 1920 ocorreu um grave acidente ao largo de São Pedro de Moel, quando uma avaria obrigou uma das aeronaves a amarar. Apesar do envio de um pombo-correio com pedido de socorro, atrasos na transmissão da mensagem impediram o salvamento da tripulação. O outro aparelho foi retirado de serviço ainda em 1920.

📐 Características Técnicas – Georges-Lévy GL-40 HB2

Ficha Técnica
DimensõesEnvergadura: 18,5 m; Comprimento: 12,4 m; Altura: 4 m
Motor1 Renault de 280 h.p.
Velocidade145 km/h
Autonomia845 km
Tripulação3

Hidroaviões Donnet-Denhaut DD8 (1918-1922)

Adquiridos em França por iniciativa de Sacadura Cabral, os Donnet-Denhaut DD8 destinavam-se inicialmente à formação de uma esquadrilha expedicionária para África. Contudo, a evolução da guerra fez com que fossem integrados nos serviços da Aviação Naval em Portugal.

Hidroavião Donnet-Denhaut DD8

Ao longo da sua carreira efetuaram missões de patrulhamento marítimo ao longo da costa portuguesa. A frota atingiu quinze aeronaves operacionais, incluindo exemplares deixados pelos franceses em São Jacinto. Foram abatidos em 1922.

📐 Características Técnicas – Donnet-Denhaut DD8

Ficha Técnica
DimensõesEnvergadura: 16,28 m; Comprimento: 10,7 m; Altura: 3,75 m
MotorLorraine-Dietrich 160 h.p. ou Hispano-Suiza 200 h.p.
Velocidade140 km/h
Autonomia320 km
Tripulação3

Hidroaviões Tellier T-3 (1918-1928)

A Aviação Naval adquiriu cinco hidroaviões Tellier T-3 em França para a projetada esquadrilha expedicionária para África. No entanto, a guerra terminou antes da sua utilização operacional naquele teatro.

Hidroavião Tellier T-3

Os aparelhos foram integrados no Centro de Aviação Naval do Bom Sucesso e posteriormente transferidos para São Jacinto. Permaneceram em serviço durante toda a década de 1920, sendo retirados apenas em 1928, tornando-se um dos modelos mais duradouros da primeira geração da Aviação Naval Portuguesa.

📐 Características Técnicas – Tellier T-3

Ficha Técnica
DimensõesEnvergadura: 15,6 m; Comprimento: 11,8 m; Altura: 3,4 m
Motor1 Hispano-Suiza 8-AC de 200 h.p.
Velocidade145 km/h
Autonomia700 km
Tripulação3

🤔 Conclusão

Os FBA Tipo B, Georges-Lévy GL-40 HB2, Donnet-Denhaut DD8 e Tellier T-3 constituíram a primeira geração de aeronaves da Aviação Naval Portuguesa. Estes aparelhos permitiram desenvolver doutrinas de emprego operacional, formar pilotos navais e afirmar a presença da aviação no seio da Armada.

Embora tecnologicamente modestos para os padrões atuais, desempenharam um papel fundamental na modernização das forças navais portuguesas durante as primeiras décadas do século XX.

⚓ O início da história da Aviação Naval Portuguesa.


🧭

A Viagem Continua...

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