⚓ Aviso Cinco de Outubro "ex Amélia IV" (1901-1937): O Navio que Levou o Último Rei de Portugal ao Exílio
Os Avisos eram navios de guerra de pequena e média dimensão, concebidos para missões de patrulha, ligação, transporte de mensagens, reconhecimento, apoio às esquadras e levantamentos hidrográficos.
Na Marinha Portuguesa, muitos destes navios desempenharam igualmente funções científicas e de representação do Estado, tornando-se peças fundamentais na administração marítima e ultramarina do país.
Um dos mais conhecidos foi o Aviso "Cinco de Outubro", originalmente construído como iate real "Amélia IV", navio que ficou ligado tanto à monarquia portuguesa como aos primeiros anos da República.
Aviso "Cinco de Outubro" (1901-1937)
O "Amélia IV" foi adquirido pelo Rei D. Carlos I em 1901 para servir simultaneamente como iate real, navio de guerra e navio hidrográfico.
O navio chegou a Cascais no dia 2 de novembro de 1901, passando imediatamente a integrar os meios navais ao serviço da Coroa Portuguesa.
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| Aviso "Cinco de Outubro" (ex. Amélia IV) |
A bordo deste navio, D. Carlos I prosseguiu as suas campanhas de investigação oceanográfica, trabalho que lhe valeu reconhecimento como um dos mais importantes oceanógrafos portugueses da sua época.
O navio desempenhou um papel histórico durante os acontecimentos que conduziram ao fim da Monarquia Portuguesa. Após a Revolução de 5 de Outubro de 1910, foi nele que o Rei D. Manuel II e a família real embarcaram na Ericeira rumo ao exílio, sendo posteriormente transportados para Gibraltar.
Em 1911, já sob o regime republicano, o navio foi rebatizado como NRP Cinco de Outubro, em homenagem à data da implantação da República. Nessa fase continuou a ser considerado oficialmente como cruzador.
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| Aviso "Cinco de Outubro" em Ponta Delgada, 1917 |
Em 1912 o navio foi oficialmente reclassificado como aviso, categoria mais adequada às funções que então desempenhava.
A partir dessa data passou a ser utilizado principalmente em missões hidrográficas, contribuindo para o levantamento cartográfico das costas portuguesas e para o desenvolvimento do conhecimento científico dos mares nacionais.
Até 1937 participou em numerosas campanhas hidrográficas ao longo da costa de Portugal Continental e do arquipélago da Madeira, prestando um serviço valioso à Marinha Portuguesa e à ciência marítima nacional.
📐 Características Técnicas – Aviso "Cinco de Outubro"
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 1 365 toneladas |
| Dimensões | 69 m comp.; 8,8 m boca; 4,2 m calado |
| Armamento | 2 peças de 46 mm; 4 peças de 37 mm |
| Propulsão | 2 máquinas a vapor de tripla expansão; 1 800 h.p.; 2 veios |
| Velocidade | 15 nós |
| Guarnição | 125 marinheiros |
🤔 Conclusão
O Aviso "Cinco de Outubro" ocupou um lugar singular na história marítima portuguesa ao servir sucessivamente como iate real, navio de guerra, cruzador e navio hidrográfico.
Ficou associado a alguns dos momentos mais marcantes da história nacional, desde as campanhas científicas de D. Carlos I até ao exílio da Família Real após a Implantação da República.
O seu importante contributo para a hidrografia portuguesa garantiu-lhe um lugar de destaque entre os navios científicos e históricos da Marinha Portuguesa.
⚓ Um navio que ligou a ciência, a monarquia e a República.
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