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Armada Real Portuguesa: Galeões Portugueses (1534-1665)

Um galeão é um navio que se distingue dos restantes navios pelo facto de possuir quatro mastros, de alto bordo, armado em guerra, frequentemente utilizado no transporte de cargas que possuíam alto valor na navegação oceânica entre os séculos XVI e XVIII.  Uma das suas características é a existência do chamado "castelo", à sua popa, apresentando até à proa uma pequena curva.

Galeão "São João Baptista" (1534–1551)
O São João Baptista (mais conhecido pela alcunha de Botafogo) foi construída por João Galego, em Lisboa, a construção foi iniciada a 29 de Agosto de 1533, trabalhando nele diariamente 30 operários, e foi lançado ao mar a 24 de Junho de 1534. Foi uma das primeiras embarcações registradas a ter portas de armas com tampas, que eram abertas para expor o canhão como uma demonstração de poder de fogo.
Galeão São João Baptista (Botafogo)
Na sua época, era o mais poderoso navio de guerra do mundo, estava armado com 366 bocas de fogo de bronze, tendo, portanto, um tremendo poder de fogo. Por essa razão tornou-se conhecido por Botafogo.  Este navio foi usado quer no Atlântico quer no Mediterrâneo onde ficou famoso durante a Conquista de Túnis (1535) , quando bombardeou a fortaleza de La Goletta. Em 1550, foi despachado para o Brasil o então "velho e famosíssimo galeão Botafogo", e no ano seguinte, foi desmontado em Pernambuco.
Características técnicas
Deslocamento: 1000 toneladas
Propulsão: Vela
Armamento: Estimativa 366 bocas de fogo de bronze

Galeão "São Martinho" (1580-1588)
O São Martinho foi um galeão da Marinha Portuguesa, construído em 1580. Quando Filipe II de Espanha se tornou, em 1580, Rei de Portugal, os Portugueses tinham acabado de construir um enorme galeão chamado São Martinho. O navio foi imediatamente colocado ao serviço da Espanha, sendo conhecido, em Castelhano como San Martín.
O São Martinho combatendo com navios ingleses
Quando a Armada Invencível foi reunida, verificou-se que o São Martinho era o melhor navio da esquadra, sendo escolhido para nau capitânia do duque de Medina Sidónia. O São Martinho sofreu pesados danos na Batalha de Gravelines, em julho de 1588, ao ser atacado por um grupo de navios ingleses, liderados por Francis Drake. No entanto, com o apoio de outro galeão, conseguiu escapar. O navio conseguiu liderar a Armada de volta à Península Ibérica.
Características técnicas
Dimensões: 54m comp.; 12m boca
Propulsão: 2 mastros de velas redondas; 1 mastro de velas latinas
Armamento: 54 bocas de fogo pesadas
Guarnição: 379 marinheiros

Galeão "Santa Teresa" (1639)
O galeão "Sta. Teresa" foi um dos últimos navios que fez Portugal permanecer na linha da frente em tecnologia naval. Era um grande navio construído com elevadíssimos padrões de qualidade, alto, relativamente fácil de manobrar, tinha uma grande velocidade e um enorme poder de fogo. Era um navio típico usado pela marinha portuguesa, que passado pouco tempo viria a dar origem ao navio de linha moderno. 
Galeão Santa Teresa
Este galeão português entrou na batalha dos Downs entre Espanha e Holanda O "Sta. Teresa" combateu de forma honrosa, só os canhões de estibordo dispararam 1520 tiros, impedindo o navio de ser abordado pelos holandeses. Todavia, o galeão português acabou, por ser incendiado (a 31/10/1639) e a tripulação foi obrigada a abandonar o navio com a perda de muitas vidas.
Características técnicas
Armamento: 60 Canhões

Galeão "Santa Luzia" (1649-1650)
Santa Luzia foi provavelmente construída para a Companhia Geral do Brasil. Em 1649 Largou para o Brasil na Armada do conde de Castelo Melhor.
Galeão Santa Luzia
Em 21 de fevereiro de 1650, ao largo do Cabo Santo Agostinho , o Santa Luzia , foi atacado por uma esquadra de nove navios holandeses. O Santa Luzia defendeu-se com um violento duelo de artilharia, que durou até a noite. Após o combate, Santa Luzia ancorou perto da costa, a fim de atender os feridos e reparar os danos sofridos. No dia 22 de fevereiro, pela manhã, o combate voltou. Manobrando habilmente, o Esquível não cessou fogo contra os navios holandeses que ousaram se aproximar de Santa Luzia. No meio da tarde, tendo chegado à conclusão de que Santa Luzia era muito difícil de derrotar, os holandeses puseram fim à luta recuando para o norte. O destino de Santa Luzia depois disso é desconhecido.
Características técnicas
Deslocamento: 360 toneladas
Propulsão: Vela
Armamento: 30 bocas de fogo de bronze


Galeão "Santíssimo Sacramento da Trindade" (1653-1660)
Galeão que também aparece como Nau.
 Galeão Santíssimo Sacramento da Trindade
Em 1654, no regresso da Índia com o Conde de Óbidos, derrotou alguns navios que o atacaram próximo da Madeira. Em 1658, incluído na Armada como Navio-chefe, combateu os holandeses na barra de Goa. Em 1660 achava-se em Mormugão,
Características técnicas
Armamento: 54 peças de artilharia

Galeão "Padre Eterno" (1663-1665)
O Padre Eterno foi um galeão português, construído no Brasil no século XVII. Foi considerado, à época, o maior navio do mundo.
Galeão Padre Eterno
O armamento que possuía superava o de muitas fortalezas coloniais à época. As madeiras e o seu projeto tornavam-no leve e resistente, além de fácil de ser manobrado. O seu mastro principal era feito de um único tronco, com quase três metros de circunferência na base. Este prodígio da construção naval luso-brasileira viria a naufragar nas águas do Oceano Índico, em1665.
Características técnicas
Deslocamento: 3000 toneladas
Dimensões: 73 m comp.
Propulsão: Vela
Armamento: 164 peças de artilharia
Guarnição: 3000 marinheiros

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