⚓ Operação “Crocodilo”: A Armada Portuguesa na Evacuação da Guiné-Bissau (1998)
Operação “Crocodilo” – Guiné-Bissau, 1998
🧭 No dia 7 de junho de 1998, a Guiné-Bissau mergulhou num conflito interno entre forças militares leais ao Governo e unidades dissidentes reunidas numa autodenominada “Junta Militar”. Face à rápida deterioração da situação de segurança, as Forças Armadas Portuguesas ativaram o plano de evacuação de emergência, designado Operação “Crocodilo”.
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| Corveta NRP João Coutinho |
🫡 A 10 de junho de 1998, Dia de Portugal, a corveta NRP “João Coutinho”, sob o comando do Capitão-de-Fragata Joaquim Louro Alves, participava no desfile naval da Expo’98, em Lisboa. Apenas um dia depois, a missão mudava radicalmente: a 11 de junho, o navio largava rumo à Guiné-Bissau para integrar a operação de retirada de cidadãos portugueses e de países amigos.
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| Rumo a Bissau |
«Foi relativamente complicado. Viemos reabastecer à base e seguimos», recordou o comandante Joaquim Louro Alves.
⚓ Dispositivo Naval
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| Corveta NRP Honório Barreto |
A Força Naval destacada para o teatro de operações era composta por:
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Fragata NRP Vasco da Gama
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| Navio reabastecedor NRP Bérrio |
Seguiam embarcados:
2 helicópteros Lynx Mk95
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Uma Força de Fuzileiros, incluindo Comando, Equipa de Ligação, Destacamento de Ações Especiais, Companhia de Fuzileiros nº 22 e Grupo de Botes
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Um Destacamento de Mergulhadores
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Uma Equipa Médico-Cirúrgica
🪖 Evacuação sob fogo
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| Força de Fuzileiros (Rio Geba) |
A 15 de junho, a Força Naval encontrava-se plenamente empenhada no teatro de operações. Em ambiente extremamente hostil, marcado por explosões e fogo de armas ligeiras, os navios portugueses realizaram sucessivas recolhas de civis.
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| Navio-Patrulha do Senegal em Bissau |
As pessoas embarcadas eram identificadas a bordo, sendo efetuada a triagem dos feridos antes do transporte para locais seguros. Após atingir a lotação máxima, a corveta NRP “João Coutinho” rumava a Cabo Verde, regressando posteriormente à Guiné-Bissau para novas evacuações.
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| Recolha de civis (NRP João Coutinho) |
Nos dias seguintes, foram realizadas 13 missões de recolha, não só em Bissau como ao longo da costa e no interior do território. Fuzileiros, utilizando botes Zebro, e os dois helicópteros Lynx da fragata Vasco da Gama.
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| Helicóptero Lynx (NRP João Coutinho) |
Só a corveta NRP “João Coutinho” foi responsável pela retirada de cerca de 400 civis.
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| Navios "João Coutinho" e "Vasco da Gama" na Cidade da Praia (Cabo Verde) |
🩺 Apoio Humanitário
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| Apoio médico (NRP Bérrio) |
Em simultâneo com a missão principal, a Armada Portuguesa prestou apoio médico, realizou consultas, distribuiu medicamentos e participou na entrega de toneladas de ajuda humanitária, parte da qual foi transportada a partir de Cabo Verde.
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| NRP João Coutinho em Bissau com toneladas de ajuda humanitária |
✋ Encerramento da Operação
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| Satisfação de missão cumprida (Mar CM Silva e Mar E Godinho) |
Em 21 de julho de 1998, foi decidida a redução do dispositivo naval na região, dando-se por encerrada a Operação “Crocodilo”.
🤔 Curiosidade
- Considerada a maior operação naval/militar portuguesa desde 1974, com cerca de 3.487 refugiados resgatados em 23 operações.
✍️ Conclusão
A missão ficou marcada pela eficácia operacional, pela cooperação internacional e pelo elevado profissionalismo dos militares envolvidos, constituindo um exemplo claro do papel humanitário e de proteção de cidadãos desempenhado pela Marinha Portuguesa em cenários de crise.






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