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⚓ Armada Portuguesa: 4ª Esquadrilha de Submarinos: Classe "Albacora" (1967-2010)

Submarinos Convencionais

A Classe “Albacora” integrou a 4ª Esquadrilha de Submarinos da Marinha Portuguesa, sendo composta por quatro unidades que marcaram profundamente a capacidade submarina nacional durante a Guerra Fria. Substituíram a Classe "Neptuno" (classe "S"), 3ª Esquadrilha de origem inglesa, construídos durante a II Guerra Mundial.

Submarinos Classe "Albacora"


📜 História e Desenvolvimento

Os submarinos da Classe “Albacora” eram do tipo Daphné, construídos em França nos anos 60 e reconhecidos pela sua elevada manobrabilidade, discrição acústica e robustez estrutural.

A sua incorporação na Marinha Portuguesa, a partir de 1967, permitiu reforçar significativamente a capacidade de guerra submarina, vigilância oceânica e interoperabilidade com forças navais da NATO, assegurando uma presença discreta mas eficaz no Atlântico.

A 4ª Esquadrilha de Submarinos foi constituída com as unidades NRP Albacora, NRP Barracuda, NRP Cachalote e NRP Delfim, todas batizadas com nomes de espécies marinhas, tradição mantida na arma submarina portuguesa.


 NRP Albacora (S163)

O NRP Albacora (S163) foi o primeiro submarino da classe a entrar ao serviço da Marinha Portuguesa, tornando-se rapidamente uma referência na formação de tripulações e no desenvolvimento de doutrina de operações submarinas.

NRP Albacora S163 (1967-2000)

Participou em inúmeros exercícios nacionais e internacionais, destacando-se pela fiabilidade operacional e pelo contributo para a afirmação da capacidade submarina portuguesa no contexto da NATO.

🤔 Acontecimentos

Em Setembro de 1973, o "Albacora" depois de participar no exercício NATO "QUICK SHAVE" sofreu uma anomalia no sistema de comunicações que impossibilitou de comunicar ao início da viagem de regresso ao Comando da Marinha Portuguesa e da NATO, despoletando uma ação de SAR a nível nacional e da NATO.


 NRP Barracuda (S164)

O NRP Barracuda (S164) destacou-se pela intensa atividade operacional, participando regularmente em missões de vigilância marítima e exercícios de guerra antissubmarina.

NRP Barracuda S164 (1968-2010)

🤔 Acontecimentos

Em Maio de 1983, o "Barracuda" durante o exercício NATO "LOCKED GATE 83", realizado numa área a Sul de Cádiz - Espanha, constituiu com outros submarinos uma barreira de oposição ao trânsito de forças de superfície opositoras que navegavam para o Mar Mediterrâneo, através do Estreito de Gibraltar. Na sequência da intercepção de comunicações, o "Barracuda" identificou a aproximação da força naval do porta-aviões nuclear "Eisenhower" (CBG - Carrier Battle Group) da Marinha dos EUA, não integrada no exercício, com destino ao Mar Mediterrâneo a fim de render o CBG da 6.ª Esquadra. Após análise dos dados disponíveis foi possível identificar que a força naval cruzaria o limite Norte da área de patrulha atribuída ao "Barracuda", pelo que com base na detecção a longa distância da força naval, na identificação do respectivo rumo de progressão e fazendo uso do profundo conhecimento das condições batitermográficas prevalecentes na zona, foi possível posicionar taticamente o "Barracuda", utilizando as zonas de sombra dos sonares dos navios de escolta da cobertura de proteção do porta-aviões de modo a dificultar a respectiva detecção. Perante a situação táctica e a possibilidade irrecusável de tentar-se simular um ataque a um porta-aviões, foi decidido manobrar de forma a passar sem ser detectado pela poderosa cobertura de proteção do "Eisenhower", constituída em avanço por helicópteros ASW com sonar em ativo e posteriormente por navios de superfície operando também os sonares em ativo. Tal manobra foi conseguida com recurso a opções tácticas adequadas, permitindo ultrapassar com êxito total a cobertura do "Eisenhower" e posicionar o "Barracuda" a navegar ao mesmo rumo e sob o porta-aviões, até atingir a posição de ataque simulado com torpedos, totalmente indetetado. Após a ação e logo que a situação táctica e operacional o permitiu, o "Barracuda" foi à cota periscópica e transmitiu uma mensagem para a entidade condutora do exercício (CINCIBERLANT), relatando a ação. O CBG só teve conhecimento da ação à posteriori e com suporte nos registos efetuados a bordo do "Barracuda" durante a ação. 

Em 1994, o "Barracuda" no final de um exercício "FOST" quando emergia à cota periscópica, embateu num cargueiro no Canal da Mancha, não se registaram baixas, apenas danos estruturais na torre.


 NRP Cachalote (S165)

NRP Cachalote S165 (1969-1975)

A 29 de Outubro de 1975, o "Cachalote" foi abatido ao efetivo e vendido à França no Porto de Toulon que por sua vez vendeu-o ao Paquistão em Janeiro de 1976, sendo batizado de "Ghazi", posteriormente ao ser modernizado recebeu a capacidade para lançar mísseis anti-navio SUB-HARPOON.


 NRP Delfim (S166)

O NRP Delfim (S166) completou a esquadrilha, assegurando a continuidade operacional da classe durante várias décadas.

NRP Delfim S166 (1969-2005)

🤔 Acontecimentos

Em Setembro de 1972, ocorreu um incêndio no sistema propulsor do "Delfim" quando navegava em snorkel, pouco depois de zarpar do Porto do Funchal - Ilha da Madeira.


📐 Características Técnicas – Classe "Albacora"

Ficha Técnica
TipoSubmarino Convencional (Diesel-Elétrico)
Deslocamento~870 t (à superfície) / ~1.040 t (imerso)
Comprimento57,8 m
Boca (Largura)6,7 m
Propulsão2 motores diesel SEMT-Pielstick 12 PA4 185 de 1300 cv
2 motores elétricos Jeumont-Schneider de 1,7 MW<br<2 eixos
Velocidade13 nós (superfície) / 16 nós (imerso)
Guarnição~54 tripulantes

🔫 Armamento

  • 12 tubos lança-torpedos de 550 mm
  • Torpedos anti-navio e antissubmarino

🛰 Sensores e Sistemas

  • Radar de navegação Kelvin Hughes KH-1007(F)
  • Sonar de pesquisa ativa e ataque Thomsom-CSF/Thales DSUV-2

🪖 Missões e Emprego Operacional

  • Guerra submarina
  • Vigilância marítima discreta
  • Treino de forças navais nacionais e aliadas
  • Defesa dos espaços marítimos nacionais
  • Participação em exercícios da NATO

✍️ Conclusão

A 4ª Esquadrilha de Submarinos – Classe “Albacora” representou um marco fundamental na história da Marinha Portuguesa, garantindo durante décadas uma capacidade submarina credível, moderna e plenamente integrada nas operações aliadas, com destaque para os submarinos Albacora, Barracuda, Cachalote e Delfim.


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