⚓ D. João de Castro (1941-1947): O Primeiro Navio do Arsenal do Alfeite
O NRP D. João de Castro foi um dos mais importantes navios hidrográficos da Marinha Portuguesa e teve ainda um significado especial na história da construção naval nacional, por ter sido o primeiro navio construído no Arsenal do Alfeite.
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| Navio Hidrográfico "D. João de Castro" |
📜 História e Construção
O D. João de Castro foi o primeiro navio construído no Arsenal do Alfeite. A cerimónia simbólica da colocação do primeiro rebite realizou-se a 3 de maio de 1939, precisamente no dia da inauguração do novo estaleiro naval.
O navio foi concebido propositadamente para desempenhar funções de hidrografia, sendo equipado com sondadores acústicos e diversos equipamentos destinados à realização de levantamentos hidrográficos.
O seu projeto previa ainda condições para transportar um hidroavião. Apesar dessa possibilidade ter sido contemplada na conceção do navio, o hidroavião nunca chegou a ser embarcado.
🌊 Missões Hidrográficas
Depois de entrar ao serviço, o NRP D. João de Castro passou a desempenhar uma importante missão científica e hidrográfica, contribuindo para o conhecimento das águas sob jurisdição portuguesa.
Entre 1941 e 1946, realizou diversas missões nos Açores, tendo também operado em Cabo Verde entre 1944 e 1946.
O seu trabalho permitiu recolher informação fundamental sobre fundos marítimos, profundidades e características do oceano, numa época em que os meios disponíveis para a cartografia submarina eram ainda bastante limitados.
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| Maquete do Navio Hidrográfico "D. João de Castro" |
🌋 Banco D. João de Castro
Um dos episódios mais interessantes associados ao navio ocorreu nos Açores. Com o apoio do NRP D. João de Castro, tornou-se possível localizar uma plataforma rochosa submarina situada entre as ilhas de São Miguel e Terceira.
A formação apresentava uma profundidade mínima de cerca de 14 metros, encontrando-se aproximadamente nas coordenadas 38° 13,5' N e 26° 38,6' W.
Esta formação submarina recebeu o nome de Banco D. João de Castro, perpetuando assim o nome do navio hidrográfico que contribuiu para a sua localização.
O local está associado à chamada Ilha de Sabrina, uma lendária ilha vulcânica que terá surgido na sequência de uma erupção submarina ocorrida em 1811, ao largo de São Miguel. A ilha acabou por desaparecer devido à erosão e à ação do mar.
⚓ O Último Dia
A carreira do D. João de Castro terminou de forma dramática. A 2 de outubro de 1947, o navio encalhou na costa da ilha de Santo Antão, em Cabo Verde.
Considerado perdido na sequência do acidente, acabou por ser abatido ao efetivo, encerrando uma curta mas importante carreira ao serviço da Marinha Portuguesa.
📐 Características Técnicas
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Tipo | Navio hidrográfico |
| Deslocamento | 1 309 toneladas |
| Dimensões | 66,05 m (compr.) | 9,88 m (boca) | 2,80 m (calado) |
| Propulsão | 2 máquinas de T.E. de 1 400 hp – 2 veios |
| Velocidade | 13,5 nós |
| Aviação | 1 hidroavião previsto, mas nunca embarcado |
| Guarnição | 66 marinheiros |
🧭 Equipamento e Missão
- Sondadores acústicos para levantamentos hidrográficos;
- Equipamento especializado para levantamento dos fundos marinhos;
- Meios destinados à realização de trabalhos de hidrografia;
- Condições para transporte de um hidroavião;
- Capacidade para realizar missões hidrográficas oceânicas.
✍️ Conclusão
O NRP D. João de Castro teve uma carreira relativamente curta, mas deixou uma marca importante na história da Marinha Portuguesa e da hidrografia nacional.
Mais do que um simples navio, foi uma verdadeira plataforma científica que ajudou a conhecer melhor o território marítimo português numa época em que explorar o fundo do oceano significava enfrentar enormes desafios.
Depois de conhecer o NRP D. João de Castro, primeiro navio construído no Arsenal do Alfeite e dedicado à hidrografia, seguimos agora para outra página da história naval portuguesa.
👉 ⚓ Classe "Almirante Lacerda"
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