⚓ Avisos Classe "Pedro Nunes" (1935-1976): Dos Mares do Império à Hidrografia Naval
A Classe "Pedro Nunes" foi constituída por avisos de 2.ª classe construídos no Arsenal de Marinha, em Lisboa, destinados inicialmente a desempenhar missões nos territórios ultramarinos portugueses.
Concebidos para combinar capacidade militar, autonomia e versatilidade, estes navios tiveram uma longa e diversificada carreira. Ao longo das décadas, passaram por diferentes funções e alguns acabaram por ser transformados em navios hidrográficos, contribuindo para o conhecimento e levantamento das águas sob responsabilidade portuguesa.
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| Avisos Classe "Pedro Nunes" |
📜 História e Construção
Os avisos de 2.ª classe da Classe "Pedro Nunes" foram construídos no Arsenal de Marinha, em Lisboa, numa época em que a Marinha Portuguesa procurava reforçar a sua presença nos territórios ultramarinos.
Estes navios foram concebidos para desempenhar funções diversificadas, combinando características de navio de guerra, patrulha e apoio. A sua autonomia permitia-lhes permanecer durante longos períodos afastados da metrópole, condição essencial para as comissões nos territórios portugueses de África e da Ásia.
Com o passar dos anos, a evolução das necessidades da Marinha levou à transformação de algumas destas unidades. A sua experiência operacional e características náuticas acabariam por ser aproveitadas em missões hidrográficas.
Aviso Pedro Nunes (1935–1976)
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| Aviso 2.ª Classe Pedro Nunes (1935–1959) |
O navio teve inicialmente o nome de NRP Infante D. Henrique, mas foi rebatizado Pedro Nunes ainda antes de ser lançado à água. O nome homenageava o célebre matemático, cosmógrafo e navegador português do século XVI.
Enquanto aviso colonial, o navio foi projetado para operar nos territórios do Império Colonial Português, contribuindo para a presença naval portuguesa e para a defesa da soberania nacional.
A sua carreira ficou assim ligada a uma das épocas mais longas e complexas da história da Marinha Portuguesa, marcada por comissões distantes de Lisboa e por uma presença permanente nos territórios ultramarinos.
🌊 De Aviso Colonial a Navio Hidrográfico
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| Navio Hidrográfico Pedro Nunes (1959–1976) |
Em 1959, o Pedro Nunes iniciou uma nova fase da sua carreira ao ser transformado em navio hidrográfico. A sua missão passou a estar relacionada com levantamentos e trabalhos hidrográficos, uma função essencial para o conhecimento das águas e para a segurança da navegação.
Mesmo depois da transformação, o navio continuou ligado à realidade militar dos territórios ultramarinos. Baseado na Guiné Portuguesa, ainda participou em algumas missões de combate, incluindo ações de apoio de fogo às tropas portuguesas envolvidas na Guerra do Ultramar.
Aviso João de Lisboa (1937–1966)
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| Aviso 2.ª Classe João de Lisboa (1937–1961) |
O NRP João de Lisboa foi uma unidade particularmente singular. Construído no Arsenal da Marinha, em Lisboa, foi aumentado ao efetivo dos Navios da Armada em outubro de 1937.
A sua longa carreira levou-o a praticamente todos os territórios ultramarinos portugueses, onde desempenhou diferentes missões ao serviço da Marinha.
Durante a Segunda Guerra Mundial, quando o conflito se intensificou no Pacífico, o navio largou de Macau, em maio de 1942, iniciando uma viagem de regresso a Lisboa que o levou a completar uma verdadeira circum-navegação.
Depois do cruzador São Gabriel, o João de Lisboa tornou-se assim no segundo navio de guerra português a completar uma viagem de circum-navegação.
🌍 Uma Viagem à Volta do Mundo
A viagem realizada pelo João de Lisboa durante a Segunda Guerra Mundial é um dos episódios mais marcantes da sua história.
Partindo de Macau em maio de 1942, o navio atravessou o Pacífico e prosseguiu a sua viagem até regressar a Portugal. Num período em que os mares estavam profundamente condicionados pelo conflito mundial, esta deslocação assumiu um significado especial para a Marinha Portuguesa.
A longa ausência de Lisboa demonstra também a capacidade destes avisos para operar durante períodos prolongados longe da sua base.
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| Navio Hidrográfico João de Lisboa (1961–1966) |
🌊 João de Lisboa — Uma Nova Missão
Em maio de 1961, o João de Lisboa foi classificado como navio hidrográfico, passando a servir na Brigada Hidrográfica. Esta transformação marcou o início de uma nova etapa na sua carreira.
Depois de mais de duas décadas de serviço como aviso, o navio passou a dedicar-se às missões hidrográficas, aproveitando as suas características para realizar trabalhos relacionados com o levantamento das águas e apoio à navegação.
O NRP João de Lisboa foi finalmente abatido ao Efetivo dos Navios da Armada em 30 de setembro de 1966, sendo substituído nas suas funções pelo NRP Afonso de Albuquerque.
📐 Características Técnicas
| Ficha Técnica — Classe "Pedro Nunes" | |
|---|---|
| Tipo | Aviso de 2.ª classe |
| Deslocamento | 1 217 toneladas |
| Dimensões | 70,5 m de comprimento; 10 m de boca; 3,1 m de calado |
| Armamento |
2 peças de 120 mm; 4 peças de 40 mm; 4 morteiros;
2 calhas lança-bombas de profundidade |
| Propulsão | 2 motores diesel MAN de 2400 hp; 2 veios |
| Velocidade | 16,5 nós |
| Guarnição | 139 marinheiros |
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| NRP Pedro Nunes — disparo de morteiro ASW de cargas de profundidade |
✍️ Uma carreira entre a guerra e a ciência do mar
A história dos avisos da Classe "Pedro Nunes" é também a história de uma Marinha que teve de adaptar os seus navios às necessidades de cada época.
O Pedro Nunes e o João de Lisboa nasceram como avisos destinados a missões nos territórios ultramarinos, mas acabaram por assumir novas funções como navios hidrográficos.
Entre viagens oceânicas, comissões ultramarinas, missões militares e trabalhos hidrográficos, estes navios deixaram uma marca própria na história da Marinha Portuguesa.
Depois de conhecer o Avisos Classe "Pedro Nunes", primeiros navios adaptados à hidrografia, seguimos agora para outra página da história naval portuguesa.
👉 ⚓ Navio Hidrográfico D. João de Castro
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