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De Oeiras a Algés: ⛱️ Praias entre Fortes

Mas hoje vamos deixar o carro de lado e fazer algo diferente: calçar uns sapatos confortáveis e partir à descoberta de Oeiras a pé.

Oeiras

A ideia é caminhar junto ao Tejo e ao Atlântico, passando por praias, fortes e antigos pontos de defesa da costa, sempre com o mar como companhia. Pelo caminho vamos descobrindo um pouco da história e do património deste concelho.


📜 Uma história

Oeiras é uma vila portuguesa no Distrito de Lisboa, em Portugal, com cerca de 33 820 habitantes. Apesar de ser uma das vilas mais populosas de Portugal, Oeiras permanece ainda oficialmente vila. Demograficamente é a quarta vila mais populosa em Portugal.


🏰 Oeiras e São Julião da Barra

Começamos o nosso passeio junto à costa de Oeiras. Daqui seguimos tranquilamente pelo passeio marítimo, aproveitando para apreciar a paisagem e sentir a proximidade do rio e do mar.

Forte de São Lourenço do Bugio

Mesmo estando ao largo, o Forte de São Lourenço do Bugio marca desde logo a paisagem. O local onde se ergue é um banco de areia formado pelo assoreamento da foz do rio, fruto da dinâmica da confluência de suas águas com as do oceano Atlântico, ao ritmo das marés. Sendo o único da região com a superfície acima da linha de marés durante todo o ano, ficou-lhe a toponímia de cabeço ou cabeça seca.

Continuamos a nossa caminhada junto ao mar até encontrarmos outra das grandes referências defensivas desta zona.

Forte de São Julião da Barra

O Forte de São Julião da Barra é impossível de ignorar. À medida que caminhamos, a fortificação domina a paisagem e recorda-nos a importância estratégica desta zona na defesa da entrada do Tejo.

Constitui o maior e mais completo complexo militar de defesa no estilo Vauban remanescente em Portugal.

Praia da Torre

Chegamos à Praia da Torre, também conhecida como Praia do Portinho. O extenso areal convida a uma pequena pausa no nosso passeio, enquanto observamos o Forte de São Julião da Barra a Oeste.

A Este, o comprido molhe anuncia a Marina de Oeiras e a piscina oceânica. As palmeiras e a icónica cauda de baleia azul completam o cenário. Aqui localiza-se o extremo ocidental do Passeio Marítimo de Oeiras.

Depois de uma breve paragem, retomamos o nosso caminho, sempre com a linha de costa como referência.

Praia de Santo Amaro de Oeiras

Mais à frente encontramos a Praia de Santo Amaro de Oeiras, que apresenta um areal muito extenso e amplo, o maior do concelho de Oeiras.

Situa-se em frente ao Jardim Almirante Gago Coutinho. A zona de banhos é delimitada, a Oeste, por um pontão e pela foz da Ribeira da Laje. A Este, por outro pontão e pelo Forte de São João das Maias, erguido no século XVII, durante a Guerra da Restauração da independência.

Esta praia encerra ainda a particularidade de ser iluminada durante a noite.

Continuamos a caminhar. A cada passo, vamos deixando para trás as praias e aproximamo-nos de novas localidades e de outros testemunhos da história militar desta faixa litoral.


🛟 Paço de Arcos e Caxias

Seguimos agora em direção a Paço de Arcos e Caxias. É um percurso agradável, onde o passeio marítimo nos permite continuar junto à água e observar a sucessão de praias e fortificações.

Forte de São João das Maias

O Forte de São João das Maias surge junto à praia e recorda-nos mais uma vez a importância desta costa na defesa da entrada do Tejo.

Praia de Paço de Arcos

Chegamos à Praia de Paço de Arcos, também conhecida por Praia Nova. O areal é amplo e de extensão razoável, convidando a mais uma pequena pausa durante a caminhada.

Na zona Oeste existem algumas formações rochosas imersas. As zonas centro e Este, junto ao pontão das instalações da Direcção de Faróis da Marinha que delimita a extensão da zona de banhos, são as mais apetecíveis para idas a banhos.

Também aqui encontramos a particularidade de a praia ser iluminada durante a noite.

Praia da Giribita

Continuando o nosso passeio, chegamos à Praia da Giribita. É uma praia bastante diferente das anteriores, com uma estreita língua de areal que fica quase totalmente imersa durante a preia-mar.

Na zona Este, onde o areal é um pouco mais amplo, há formações rochosas dentro e fora de água. Existe ainda um cordão de calhaus que acompanha todo o comprimento da praia, junto à Avenida Marginal.

É um daqueles locais onde vale a pena parar por alguns minutos e observar a paisagem antes de continuar.

Forte de Nossa Senhora de Porto Salvo

Pouco depois encontramos o Forte de Nossa Senhora de Porto Salvo. No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa, foi reconstruído por iniciativa de D. António Luís de Menezes (1596-1675), 3.º conde de Cantanhede, tendo as suas obras se concluído em 1649, conforme inscrição epigráfica sobre o Portão de Armas.

Ao passar por este local, é impossível não imaginar a importância que estas fortificações tiveram na defesa da costa e da entrada do Tejo.

"REINANDO EL REI NOSSO SNOR / DOM IOAO 4 SE FEZ ESTA OBRA / POR MANDADO DO CONDE D CAN / TANHEDE DOS SEVS CONSOS DO ESTA / DO E GVERRA VEEDOR DE SVA / FZDA NO ANNO DE / 1649"

Praia de Caxias

Continuamos a caminhar até à Praia de Caxias. Localizada entre o Forte de São Bruno e o da Giribita, frente à estação da CP, é a praia balnear mais próxima de Lisboa e de melhor acessibilidade através de comboio.

Forte de São Bruno de Caxias

O Forte de São Bruno de Caxias é outro dos testemunhos da linha defensiva da barra do Tejo. Foi edificado no contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa, integrante da linha de fortificações da barra do Tejo, que se estendia do cabo da Roca até à Torre de Belém.

Cruzava fogos com o Forte de Nossa Senhora de Porto Salvo, a Oeste.

"D IOAO 4° REI D PORTVGAL MANDOV / FAZER ESTA OBRA SENDO GOR DAS / ARMAS DA PRAÇA DE CASCAIS O / CONDE DE CANTANHEDE DOS / CONSº DE ESTADO E GUERRA D / S MGDE VEDOR DE SVA FZDA / A CVJA ORDEM COMETEV O EFEITO DELLA / ANNO 1647"

Praia de São Bruno

A caminhada leva-nos finalmente à Praia de São Bruno, situada em frente à Estação Ferroviária de Caxias.

Apresenta duas bolsas de areal pouco extensas e amplas, divididas ao meio pelo Forte de São Bruno. A praia é delimitada a Oeste pela Ribeira de Barcarena ou dos Ossos. O seu pontão propicia águas calmas.

É uma boa altura para fazer uma pausa, recuperar forças e continuar o nosso passeio junto ao Tejo.


🏖️ Algés e Cruz Quebrada-Dafundo

Depois de percorrermos a zona de Caxias, avançamos para a última parte do nosso passeio, em direção a Cruz Quebrada-Dafundo e Algés.

A paisagem vai mudando, mas continuamos sempre com a proximidade da água e das praias a acompanhar-nos.

Praia da Cruz Quebrada

Chegamos à Praia da Cruz Quebrada, localizada a escassos metros da Estação Ferroviária da Cruz Quebrada.

O areal, de dimensões razoáveis, fica mais estreito à medida que se caminha para poente. Junto à linha de água existem pequenos seixos rolados dispersos num cordão.

A praia é delimitada a nascente pela foz do Rio Jamor. Aqui fazemos mais uma pequena paragem antes de continuar.

Praia do Dafundo

Seguimos a caminhada até à Praia do Dafundo. Possui uma língua de areal muito extensa, situada em frente ao Passeio Marítimo de Algés.

O areal é menos largo no meio devido à presença mais avançada do sistema dunar. Na zona central, corre um pequeno ribeiro que se encontrava canalizado até aqui chegar.

Este é também o local do festival de Verão, Nos Alive. No lado oposto da Avenida Ivens, encontra-se o conhecido Aquário Vasco da Gama.

A caminhada começa a aproximar-se do fim, mas ainda temos uma última praia para visitar.

Praia de Algés

Chegamos finalmente à Praia de Algés, também conhecida por Praia de Pedrouços. O areal tem uma extensão mediana e é ladeado por dois pontões.

A Ribeira de Algés desagua sob a forma canalizada junto ao pontão Sudeste. A cerca de 300 metros defronte do areal, na extremidade de outro pontão, encontra-se a Torre VTS (Vessel Traffic System - Controlo do Tráfego Marítimo) do Centro de Coordenação e Controlo Marítimo do Porto de Lisboa - CCCMPL.

O edifício foi galardoado com o Prémio Municipal de Arquitetura "Conde de Oeiras".

E assim terminamos o nosso passeio a pé pela costa de Oeiras. Foram praias, fortes, mar, rio e muita história pelo caminho. Um percurso onde, mais do que chegar depressa, o importante foi caminhar, parar, observar e descobrir.


🤔 Conclusão

Este passeio por Oeiras mostrou-nos como, ao longo da linha de costa, se encontra uma interessante combinação entre património histórico, praias e espaços de lazer.

A pé, o ritmo é outro. Temos tempo para apreciar melhor cada lugar, fotografar, fazer uma pausa e descobrir pequenos pormenores que facilmente passariam despercebidos numa passagem rápida.

Seja pela história dos fortes, pelas praias ou simplesmente pela paisagem junto ao Tejo, Oeiras é um daqueles locais que vale a pena conhecer sem pressas.

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