⚓ Da Pesca à Guerra: Os Caça-Minas Portugueses na 1ª Guerra Mundial (1916–1918)
Introdução
⚓ Após a declaração de guerra da Alemanha a Portugal em 9 de Março de 1916, a Marinha de Guerra Portuguesa viu-se obrigada a reforçar rapidamente os seus meios navais.
Para esse efeito, diversos navios civis — sobretudo onze arrastões de pesca — foram requisitados, armados e integrados na Armada, desempenhando funções de caça-minas, patrulha e escolta.
Este conjunto de embarcações desempenhou um papel fundamental na defesa da costa portuguesa e na proteção das rotas marítimas durante a Primeira Guerra Mundial.
⚓ Caça-Minas e Patrulhas Portugueses (1916–1918)
⚓ Caça-Minas "Açor II" (1916–1919)
![]() |
| ex. Açor |
Características técnicas
- Origem: Escócia (1906)
- Função: Caça-minas
- Deslocamento: 244 toneladas
- Dimensões: 37,48 m comp.; 6,71 m boca; 3,47 m calado
- Propulsão: 1 máquina de T.E. a vapor saturado de 450 H.P. - 1 veio
- Velocidade: 10 nós
- Armamento: 1 peça de 76 mm; 1 metralhadora
Arrastão requisitado e adaptado para operações de remoção de minas durante a guerra.
Caça-Minas "Baptista de Andrade" (1916–1919)
![]() |
| ex. Alda Benvinda |
Características técnicas
- Origem: Inglaterra (1907)
- Função: Caça-minas
- Deslocamento: 273 toneladas
- Dimensões: 40,5 m comp.; 6,74 m boca; 3,71 m calado
- Propulsão: 1 máquina de T.E. de 450 H.P. - 1 veio
- Velocidade: 9,5 nós
- Armamento: 1 peça de 76 mm; 1 metralhadora 6,5 mm
Os arrastões de pesca foram facilmente convertidos em caça-minas devido ao seu equipamento de guincho.
Caça-Minas "Celestino Soares" (1916–1919)
![]() |
| ex. Serra D `Agrella |
Características técnicas
- Função: Caça-minas e patrulha
- Deslocamento: 250 toneladas
- Dimensões: 39,5 m comp.; 6,67 m boca; 3,73 m calado
- Propulsão: 1 máquina de T.E. a vapor saturado de 430 H.P. -1 veio
- Velocidade: 10 nós
- Armamento: 2 peças de 47 mm
- Guarnição: 23 homens
Utilizado na defesa marítima da barra de Lisboa.
Caça-Minas "Hermenegildo Capelo" (1916–1919)
![]() |
| ex. Maria Luiza II |
Características técnicas
- Função: Caça-minas e patrulha
- Deslocamento: 218 toneladas
- Dimensões: 36,74 m comp.;
- Propulsão: 1 máquina de T.E. - 1 veio
- Velocidade: 9,5 nós
- Armamento: 1 peça de 47 mm
Em Novembro de 1917 o caça-minas "NRP Hermenegildo Capelo", numa das suas missões de rocega em parelha com o "NRP Baptista de Andrade" conseguiu transportar para o areal da Trafaria uma mina que depois de ser neutralizada foi exposta ao público na base da Esquadrilha de Patrulhas, em Belém.
Ainda em Novembro, dia 28, durante uma outra missão de rocega com o mesmo navio companheiro abriu fogo sobre um navio norueguês que entretanto se tinha tornado suspeito.
Caça-Minas "Roberto Ivens" (1916–1917)
![]() |
| ex. Lordello |
Características técnicas
- Origem: Selby (1906)
- Função: Caça-minas
- Deslocamento: 281 toneladas
- Dimensões: 39 m comp.;
- Propulsão: 1 máquina de T.E.
- Armamento: 1 peça de 47 mm;
- Guarnição: 22 homens
No dia 26 de Julho de 1917, cumpria a sua missão de rocegar minas, na zona compreendida entre o Cabo da Roca e o Cabo Espichel, onde se encontravam vários daqueles engenhos que por ali eram regularmente fundeados pelos submarinos inimigos (submarino alemão UC-54). Durante a rocega, a 17 milhas a Sul da baía de Cascais, pelas 13 horas, o "NRP Roberto Ivens" colidiu com uma mina que explodiu partindo o navio ao meio, provocou o seu afundamento imediato e a morte de quinze marinheiros da sua guarnição.
Caça-Minas "Thomáz Andréa" (1916–1919)
![]() |
| ex. Douro |
Características técnicas
- Origem: Escócia (1907)
- Função: Caça-minas
- Deslocamento: 357 toneladas
- Dimensões: 44 m comp.; 6,9 m boca; 3,7 m calado
- Propulsão: 1 máquina de T.E. vertical de 480 H.P. - 1 veio
- Velocidade: 9,5 nós
- Armamento: 2 peças de artilharia
Um dos maiores arrastões convertidos ao serviço da Marinha Portuguesa.
Patrulha "Augusto de Castilho" (1916–1918)
![]() |
| ex. Elite |
Características técnicas
- Função: Patrulha e escolta
- Deslocamento: 315 toneladas
- Dimensões: 48,76 m comp.;
- Propulsão: 1 máquina de T.E. - 1 veio
- Velocidade: 10 nós
- Armamento: 1 peça de 65 mm; 1 peça de 47 mm
- Guarnição: 42 homens
A 13 de Outubro de 1918, o "NRP Augusto de Castilho" recebeu ordens para escoltar o navio de transporte de passageiros "San Miguel".
Quando já navegava entre o porto do Funchal para o porto de Ponta Delgada, os dois navios Portugueses foram avistados pelo submarino alemão U-139. No combate que se seguiu e que incrivelmente se prolongou por mais de duas horas, perdeu a vida o Comandante e mais seis elementos da sua guarnição.
Esgotadas as munições no "NRP Augusto de Castilho", este foi obrigado a render-se, não sem que os seus artilheiros tenham atingido repetidas vezes o submarino alemão U-139. Despojado de tudo o que os alemães conseguiram saquear acabou por ser afundado com cargas de demolição colocadas pelos alemães.
Patrulha-Auxiliar "Tenente Roby" (1916–1924)
![]() |
| ex. Condestável |
Características técnicas
- Função: Patrulha
- Armamento: 1 peça de 76 mm
Navio auxiliar utilizado em missões de vigilância e defesa costeira.
🤔 Conclusão
A rápida adaptação de navios civis demonstrou a flexibilidade e capacidade de resposta da Marinha Portuguesa durante a Primeira Guerra Mundial.
Os caça-minas e patrulhas desempenharam um papel crucial na proteção das águas nacionais, enfrentando ameaças como minas navais e submarinos inimigos.








Comentários
Enviar um comentário