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⚓ Fragatas Classe Álvares Cabral — As Escoltas do Ultramar Português (1959-1983)

Fragatas

As fragatas da Classe Álvares Cabral, provenientes da classe Bay britânica, foram adquiridas por Portugal no final da década de 1950. Originalmente concebidas como fragatas antiaéreas, foram construídas a partir de cascos incompletos da classe Loch. Destinavam-se à escolta de comboios e operações de patrulhamento oceânico.

Fragatas Classe Álvares Cabral (Base Naval de Lisboa)


📜 História e Emprego Operacional

A Marinha Portuguesa adquiriu quatro unidades desta classe: duas em 1959 (Álvares Cabral e Pacheco Pereira) e duas em 1961 (Vasco da Gama e D. Francisco de Almeida).

Estas fragatas operaram principalmente nos territórios ultramarinos africanos, desempenhando missões de patrulhamento, presença naval e apoio às operações durante a Guerra do Ultramar.

Destacaram-se particularmente durante o bloqueio ao porto da Beira, em Moçambique, a partir de 1966, onde permaneceram como força de dissuasão face à presença naval britânica.


NRP Álvares Cabral

Construída nos estaleiros Charles Hill & Sons, Bristol, Inglaterra, entrou ao serviço da Royal Navy a 20 de setembro de 1945.

Fragata Álvares Cabral  Ex-HMS Burghead Bay

Transferida para Portugal em novembro de 1959, operou em águas moçambicanas entre 1966 e 1968, como força de dissuasão contra o bloqueio britânico à Rodésia (conhecido como Beira Patrol). 

Foi desativada a 23 de junho de 1971.


NRP Pacheco Pereira

Construída nos estaleiros Hall, Russell & Company, Aberdeen, Escócia, entrou ao serviço da Royal Navy a 10 de julho de 1945.

Fragata Pacheco Pereira — Ex-HMS Bigbury Bay

Transferida para Portugal em 12 de maio de 1959, operou em Angola quase continuamente entre maio de 1960 a novembro de 1963.

Participou na fiscalização e dissuasão contra possíveis incursões estrangeiras (como o bloqueio britânico à Beira) a partir de 1966.

Foi desativada a 6 de julho de 1970.


NRP Vasco da Gama

Construída nos estaleiros William Pickersgill & Sons Ltd., South Bank, Middlesbrough, Inglaterra, entrou ao serviço da Royal Navy a 11 de abril de 1949.

Fragata Vasco da Gama — Ex-HMS Mounts Bay

Transferida para Portugal em 3 de agosto de 1961, foi enviada para as águas dos territórios africanos, chegando a Luanda na véspera de Natal de 1961 para apoiar as operações militares em Angola.

Foi desativada em 1971.


NRP D. Francisco de Almeida

Construída nos estaleiros William Pickersgill & Sons Ltd., Southwick, Sunderland, Inglaterra, entrou ao serviço da Royal Navy a 22 de fevereiro de 1949.

Fragata D. Francisco de Almeida — Ex-HMS Morecambe Bay

Transferida para Portugal em 3 de agosto de 1961, reforçou a presença naval nos territórios ultramarinos em África.

Foi desativada em 1970.


📐  Características Técnicas

Ficha Técnica
Tipo Fragata anti-aérea
Deslocamento 1626 t. (padrão) / 2570 t. (máxima carga)
Comprimento 93,65 metros (307 pés e 3 polegadas)
Boca 11,73 metros (38 pés e 6 polegadas)
Calado 3,89 metros (12 pés e 9 polegadas)
Propulsão 2 motores a vapor de tripla expansão vertical
(VTE) (4100 kW / 5500 hp)
Velocidade Máxima 19,5 nós (36 km/h)
Guarnição 168 militares

🔫 Armamento

  • 2 peças duplas de 102 mm
  • 2 peças duplas Bofors de 40 mm
  • 2 peças duplas Oerlikon de 20 mm
  • 1 Hedgehog de 24 canos Projetor anti-submarino
  • Cargas de profundidade

🛰 Sensores

  • Radar de aviso combinado tipo 293
  • Radar de navegação
  • Radar de controle de tiro Tipo 285
  • Sonares tipos 165 e 147 F

    NRP NRP Afonso Albuquerque

    Em 1966 a Marinha Portuguesa também adquiriu um navio, da versão navio hidrográfico, da mesma classe, que foi batizado Afonso de Albuquerque em homenagem ao navio homónimo afundado em combate, em 1961, durante a Invasão de Goa. 

    Hidrografico Afonso Albuquerque Ex-HMS Dalrymple (K 427)

    Realizou missões de cartografia e investigação na costa de Portugal continental e nos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

    Foi desativada a 14 de janeiro de 1983.

    Após o abate, serviu como navio-alojamento na Base Naval de Lisboa até 1988, sendo finalmente utilizado como alvo em exercícios navais e afundado em julho de 1994.


    🤔 Curiosidades

    • Foram adaptadas a partir de navios inacabados da Segunda Guerra Mundial
    • Serviram intensivamente no Ultramar português
    • Foram substituídas pelas fragatas da classe João Belo

    ✍️ Conclusão

    As fragatas da classe Álvares Cabral representaram um importante reforço da Marinha Portuguesa durante o período da Guerra do Ultramar, garantindo presença naval e capacidade de escolta em cenários estratégicos complexos.

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