⚓ Canhoneiras Classe "Beira": Pequenos Navios, Grandes Missões (1910-1969)
As Canhoneiras de Fiscalização destinavam-se a operar no Ultramar Português, em missões de defesa da soberania nacional. Estas pequenas mas robustas unidades foram durante décadas o principal instrumento de presença naval portuguesa no Ultramar.
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| Canhoneiras Classe "Beira" |
📜 História e Operações
Durante a Primeira Guerra Mundial, alguns destes navios foram empregues na defesa direta dos portos estratégicos.
Estas unidades integraram frequentemente a Divisão Naval Colonial, participando em missões históricas como o apoio à travessia aérea do Atlântico Sul e a contenção de revoltas internas, demonstrando a versatilidade da classe em missões de combate e soberania.
NRP Beira
Lançada à água a 8 de junho de 1910 a canhoneira Beira foi o navio-chefe da sua classe, servindo a Marinha Portuguesa ate 1945. No início da carreira, foi muito utilizada na fiscalização da pesca no Algarve.
Em 1914, partiu para Cabo Verde e Angola. Em 1916, esteve envolvida em operações contra submarinos alemães no porto de São Vicente.
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| Canhoneira "Beira" (1910-1945) Navio Hidrográfico em 1936 |
Em 1924, integrou a viagem da Divisão Naval Colonial que circum-navegou o continente africano.
Em 1936, foi transformada em navio hidrográfico, servindo na Missão de Angola ate a sua substituição em 1941 pelo NRP Carvalho Araújo, vindo a ser abatida ao efetivo em 1945.
NRP Ibo
A Canhoneira "Ibo" teve um papel heroico na defesa de Cabo Verde. comandada pelo 1º Tenente Henrique Monteiro Correia da Silva, destacou-se ao repelir vários ataques de submarinos alemães ao porto de São Vicente, em Cabo Verde.
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| NRP Ibo (1911-1953) Navio Hidrográfico em 1948 |
Em 1948, tal como outras unidades da sua classe, foi adaptada para missões de hidrografia, fundamentais para o mapeamento das águas territoriais.
NRP Mandovi II
Foi lançada em 1917 e integrou a Armada durante a fase final da I Guerra Mundial. Em 1931, desempenhou um papel ativo na contenção da Revolta da Madeira, apoiando o desembarque de tropas e respondendo a fogo terrestre junto à Ponta de S. Lourenço.
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| NRP Mandovi II (1917-1953) Navio Hidrográfico em 1945 |
Perto do fim da sua vida útil, em 1945, foi convertida e serviu como navio hidrográfico até ser abatida ao efetivo em 1953.
NRP Bengo
Aumentada ao efetivo da Armada em 3 de Julho de 1917, a canhoneira Bengo teve uma carreira operacional intensa. Em 1922, fez parte da Flotilha de apoio à travessia aérea do Atlântico Sul de Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
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| NRP Bengo (1917-1936) |
Em 1924, integrou um périplo de África com o cruzador República. Em 1931, desempenhou um papel crucial na contenção da "Revolta da Madeira", apoiando desembarques de tropas na Ponta de S. Lourenço e respondendo com a sua artilharia ao fogo inimigo. Foi abatida ao efetivo em 30 de julho de 1936.
NRP Quanza
Construída em 1917, integrou a Divisão Naval Colonial e participou numa importante viagem de soberania e representação em torno do continente africano, acompanhando o cruzador República e as canhoneiras Beira e Ibo.
Na Revolta da Madeira em 1931, teve um papel ativo no apoio ao desembarque de tropas leais ao governo em Porto Santo e na ponta de S. Lourenço, utilizando a sua artilharia contra forças revoltosas em terra.
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| NRP Quanza (1917-1935) |
Após uma última missão na Guiné em 1932, regressou a Lisboa e deixou de navegar. Foi oficialmente abatida ao efetivo da Armada em julho de 1936.
Nota: Esta "Quanza" (2.ª) não deve ser confundida com a primeira canhoneira homónima de 1877, que era um navio de propulsão mista (vela e vapor).
NRP Zaire
Embora inicialmente designada "Goa", o seu nome foi alterado para "Zaire" (indicativo visual Z). Tal como as suas gémeas, foi concebida para a fiscalização marítima e soberania nos territórios ultramarinos.
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| NRP Zaire ex. "Goa" (1925-1958) |
Foi retirada do serviço ativo em 1958, após 33 anos de comissão.
NRP Damão
Foi lançada à água em 1925 e aumentou ao efetivo da Marinha em 1927. Tal como as suas irmãs gémeas, foi projetada para patrulhamento e soberania nas águas das então províncias ultramarinas portuguesas.
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| NRP Damão (1927-1937) |
Teve uma vida operacional relativamente curta, sendo abatida ao efetivo em 1937 devido a problemas recorrentes de propulsão e armamento desatualizado.
NRP Diu
A canhoneira Diu (frequentemente grafada como Dio em documentos antigos), foi uma das unidades com mais longevidade da classe, mantendo-se ao serviço até ao final da década de 60. Durante os seus últimos anos, serviu como navio-escola da Brigada Naval da Legião Portuguesa.
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| NRP Diu (1929-1969) |
📐 Características Técnicas
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Deslocamento | 500 toneladas |
| Dimensões | 45 m (compr.) | 8 m (boca) | 2 m (calado) |
| Propulsão | 2 máquinas de T.E. 700 h.p. | 2 veios |
| Velocidade | 13 nós (24 Km/h) |
| Guarnição | 67 marinheiros |
🔫 Armamento Principal
- 2 peças de 75 mm
- 2 peças de 47 mm
- 2 metralhadoras de 6,5 mm
🪖 Missões e Emprego Operacional
- Defesa da soberania no Ultramar Português
- Missões de Hidrografia e Cartografia
- Defesa de portos durante a Grande Guerra
- Apoio naval a expedições aéreas e militares
✍️ Conclusão
As canhoneiras foram a espinha dorsal da presença naval portuguesa nos rios e costas africanas por mais de meio século. A sua robustez permitiu que unidades construídas no início do século XX permanecessem ativas até à era moderna da aviação e dos novos patrulhas, deixando um legado de serviço inigualável na Marinha.





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