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⚓ Lanchas-Canhoneiras (Varias) da Marinha Portuguesa: Heróis dos Rios Africanos da década de 1890

Lanchas-Canhoneiras

Durante o final do século XIX, a Marinha Portuguesa reforçou significativamente a sua presença nas colónias africanas através da aquisição e construção de pequenas lanchas-canhoneiras especialmente concebidas para operar em rios, estuários e águas pouco profundas. Estas embarcações desempenharam um papel essencial nas campanhas militares de pacificação, na proteção das vias fluviais, no transporte de tropas e no apoio às administrações coloniais.

Muitas destas unidades foram adquiridas no estrangeiro, sobretudo em Inglaterra, África do Sul e Zanzibar, enquanto outras foram construídas em Portugal, nomeadamente nos estaleiros Parry & Son, em Cacilhas. Apesar das suas dimensões reduzidas, revelaram-se fundamentais nas campanhas em Moçambique durante o período das Guerras de África.


📑 Índice


Lancha-Canhoneira "Xefina" (1890-1896)

Adquirida pela Marinha Portuguesa em 1890, a Xefina destinava-se ao serviço fluvial em Moçambique, onde as reduzidas profundidades dos rios exigiam embarcações leves, de pequeno calado e elevada capacidade de manobra.

Operou sobretudo em missões de patrulhamento, transporte de militares e apoio às forças destacadas no interior da colónia. A sua presença permitia garantir comunicações entre posições isoladas e reforçar a autoridade portuguesa em regiões de difícil acesso.

Lancha-Canhoneira "Xefina" nas Oficinas Navais de Catembe

Embora tenha permanecido poucos anos ao serviço, a Xefina integrou o conjunto de embarcações que asseguraram a presença portuguesa nos rios moçambicanos numa época de intensa atividade militar e administrativa.


Lancha-Canhoneira "Bacamarte" (1894-1897)

A Bacamarte foi adquirida na África do Sul em 1894 para reforçar os meios navais disponíveis na província de Moçambique. Robusta e adaptada ao serviço fluvial, depressa passou a integrar as operações militares desenvolvidas na região.

Prestou serviço no rio Incomati em conjunto com o vapor Neves Ferreira, participando na célebre Campanha de Marracuene. A sua intervenção contribuiu para o sucesso das forças portuguesas durante aquele conflito, constituindo um importante apoio de fogo às tropas em terra.

Lancha-Canhoneira "Bacamarte"

Em 1897, quando seguia a reboque entre Lourenço Marques e Quelimane, a Bacamarte acabou por afundar-se no Canal de Moçambique, encerrando precocemente a sua carreira operacional.

📐 Características Técnicas – Lancha-Canhoneira "Bacamarte"

Ficha Técnica
Deslocamento 70 toneladas
Dimensões
Armamento 1 peça de 47 mm; 1 canhão-revólver de 37 mm
Propulsão 1 máquina a vapor de 70 h.p.- 1 veio
Velocidade 9 nós
Guarnição 25 marinheiros

Lancha-Canhoneira "Honório-Barreto" (1895-1905)

A Lancha-Canhoneira Honório-Barreto foi construída em Portugal nos estaleiros Parry & Son, em Cacilhas, sendo lançada à água em 13 de março de 1895. Concebida para o serviço ultramarino, destinava-se a operar nas águas costeiras e fluviais da Guiné Portuguesa, onde desempenhou missões de patrulhamento, vigilância e apoio às forças militares destacadas na região.

Durante cerca de uma década, esta embarcação contribuiu para afirmar a presença portuguesa em território africano, garantindo a segurança da navegação e apoiando operações militares e administrativas. Em 1905 terminou a sua carreira operacional, sendo retirada do serviço ativo.

Lancha-Canhoneira "Honório-Barreto"

O seu nome presta homenagem ao militar e explorador Honório Pereira Barreto, uma das figuras portuguesas mais importantes da história da Guiné, reconhecido pelo papel desempenhado na consolidação da presença portuguesa naquela região durante o século XIX.

📐 Características Técnicas – Lancha-Canhoneira "Honório-Barreto"

Ficha Técnica
Deslocamento 80 toneladas
Dimensões 30,25 m comp.; 6 m boca; 1,9 m calado
Armamento 2 peças de 47 mm; 1 metr. de 8 mm:
Propulsão 2  máquinas de alta pressão - 2 veios
Velocidade 9 nós
Guarnição 38 marinheiros

Lancha-Canhoneira "Incomati" (1895-1897)

A Lancha-Canhoneira Incomati teve origem num pequeno rebocador adquirido em Durban, na África do Sul, durante o ano de 1895. A sua compra foi motivada pela necessidade urgente de reforçar os meios navais portugueses envolvidos na Campanha de Gungunhana, uma das operações militares mais importantes da história colonial portuguesa em Moçambique.

Graças ao seu reduzido calado, podia navegar facilmente pelos rios e canais da região, transportando militares, munições e abastecimentos, além de prestar apoio às restantes unidades da flotilha do Incomati.

Lancha-Canhoneira "Incomati"

Apesar da sua curta carreira, a Incomati desempenhou um papel relevante durante as operações militares em Moçambique. Em 1897 foi abatida ao efetivo da Marinha Portuguesa, encerrando um serviço breve mas importante no apoio às campanhas ultramarinas.

📐 Características Técnicas – Lancha-Canhoneira "Incomati"

Ficha Técnica
Deslocamento 70 toneladas
Dimensões
Armamento 1 peça de 47 mm; 1 canhão-revólver de  37 mm
Propulsão 1 máquina de 70 H.P. - 1 veio
Velocidade 9 nós
Guarnição 25 marinheiros

Lancha-Canhoneira "Magaia" (1895-1899)

A Lancha-Canhoneira Magaia teve origem num antigo rebocador adquirido em Zanzibar, no ano de 1895, para reforçar os meios navais portugueses durante as campanhas militares em Moçambique. Adaptada para o serviço fluvial, esta pequena embarcação foi rapidamente integrada nas operações da Marinha Portuguesa.

Graças ao seu reduzido calado, a Magaia podia navegar facilmente pelos rios e zonas pantanosas do sul de Moçambique, desempenhando missões de patrulhamento, transporte de tropas, abastecimento e apoio logístico às forças destacadas no interior do território.

Lancha-Canhoneira "Magaia"

Durante a sua curta carreira operacional integrou a Flotilha do Incomati, contribuindo para assegurar o domínio das vias fluviais e apoiar as operações militares desenvolvidas na região. Foi abatida ao efetivo por volta de 1899.

📐 Características Técnicas – Lancha-Canhoneira "Magaia"

Ficha Técnica
Deslocamento 40 toneladas
Dimensões
Armamento
Propulsão 1 máquina de alta pressão de60 h.p. - 1 veio
Velocidade
Guarnição 16 marinheiros

Lancha-Canhoneira "Marracuene" (1897-1908)

Construída em Portugal no ano de 1897, a Lancha-Canhoneira Marracuene foi concebida para reforçar os meios navais da Marinha Portuguesa em Moçambique, onde desempenhou diversas missões de patrulhamento, vigilância fluvial e apoio às forças terrestres.

Recebeu o nome da histórica localidade de Marracuene, palco de uma das mais importantes batalhas das campanhas portuguesas em África. A embarcação operou durante mais de uma década, assegurando a presença portuguesa em rios e zonas costeiras de difícil acesso.

Lancha-Canhoneira "Marracuene"

A Marracuene manteve-se ao serviço até 1908, ano em que foi desarmada e retirada do efetivo da Marinha Portuguesa. Apesar das suas reduzidas dimensões, foi uma embarcação importante no apoio às operações coloniais e na manutenção da segurança das vias navegáveis de Moçambique.

📐 Características Técnicas – Lancha-Canhoneira "Marracuene"

Ficha Técnica
Deslocamento 20 toneladas
Dimensões 19 m comp.; 3,60 m boca; 0,75 calado
Armamento 2 canhões - revólver de 37 mm
Propulsão 1 máquina compound de 50 h.p. - 1 veio
Velocidade 9 nós
Guarnição 16 marinheiros

Lancha-Canhoneira "Chuabo" (1898–1903)

A Lancha-Canhoneira Chuabo era uma pequena embarcação de madeira adquirida em 1898 para serviço nos rios de Moçambique. A sua missão consistia em patrulhar cursos de água interiores, apoiar operações militares e garantir a presença portuguesa em zonas remotas da colónia.

Lancha-Canhoneira "Chuabo"

Apesar das suas reduzidas dimensões, revelou-se útil em operações fluviais e na vigilância das vias navegáveis. Foi retirada do serviço em 1903, após apenas cinco anos de atividade.

📐 Características Técnicas – Lancha-Canhoneira "Chuabo"

Ficha Técnica
Deslocamento 10 toneladas
Dimensões 15,6 m comp.; 2,3 m boca; 0,6 calado
Armamento 1 metralhadora de 11 mm.
Propulsão 1 máquina de alta pressão
Velocidade 9 nós
Guarnição 17 marinheiros

🤔 Conclusão

As lanchas-canhoneiras desempenharam um papel essencial na presença naval portuguesa em África, garantindo a navegação fluvial, o apoio às campanhas militares e a afirmação da soberania nacional em regiões de difícil acesso.


🧭

A Viagem Continua...

Explore mais embarcações históricas da Marinha Portuguesa nos artigos relacionados abaixo.

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